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Hipertensão e diabetes são as principais causas de transplantes de rim

06.03.2024 - 09:03:39
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No fim do mês passado, o ex-apresentador Fausto Silva, o Faustão, de 73 anos, foi submetido a uma cirurgia de rim no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ele recebeu o novo órgão – seis meses depois de ter sido submetido a um transplante de coração – devido ao agravamento "de uma doença renal crônica" não especificada.
 
Ainda que não se saiba exatamente a condição que levou Faustão ao procedimento, o acontecimento serve de alerta para que a população se atente aos riscos trazidos por doenças crônicas como a hipertensão arterial e o diabetes mellitus, principalmente no que diz respeito ao funcionamento do rim. As duas condições são as maiores causas de falha do órgão, sendo responsáveis por cerca de 80% dos casos.
 
Dados da última pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), lançada em 2020 pelo Ministério da Saúde, mostram que 7,4% dos brasileiros sofrem com diabetes e 24,5% tem hipertensão. Em relação à diabetes, o perfil de maior prevalência está entre mulheres e pessoas adultas com 65 anos ou mais. O mesmo perfil se aplica a hipertensão arterial, chegando a acometer 59,3% dos adultos com 65 anos ou mais, sendo 55,5% dos homens e 61,6% das mulheres.
 
O paciente acometido por essas doenças, assim como por problemas reumatológicos e glomerulonefrites, que podem sobrecarregar a função do rim a longo prazo, devem fazer acompanhamento crônico com um nefrologista para reduzir as chances de que o transplante se torne a única opção viável. Afinal, além de todo o desgaste provocado por um processo cirúrgico, há sempre o risco de rejeição do órgão e a necessidade de se tomar imunossupressores ao longo de toda a vida para evitar que ela ocorra.
 
Por mais transtornos que possa trazer, o transplante é essencial para trazer normalidade à rotina de um paciente que o necessite. O procedimento restaura a função renal, trazendo significativa melhora na qualidade de vida, uma vez que deixa a pessoa livre do processo de diálise, que faz a filtragem das impurezas do sangue, principal função dos rins, de forma artificial por meio de um aparelho dialisador.
 
O ideal, porém, é prevenir a necessidade de um transplante. Manter uma boa alimentação e uma rotina de exercícios, dormir bem, fazer uso de medicamentos de forma correta (se necessário) e manter o acompanhamento médico são essenciais, especialmente para os portadores de doenças crônicas que busquem manter sua qualidade de vida.
 
*Rodrigo Rosa Lima é médico e atua em Urologia em Goiânia desde 2015. Cirurgião Robótico com Pós-Graduação no Hospital Israelita Albert Einstein e especialista em Transplante Renal pela Universidade de Brasília. É concursado do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG) desde 2016; preceptor da Residência Médica em Urologia do HC-UFG e da graduação em Medicina da UFG; integra as equipes de transplante renal do HC-UFG, HGG e Hospital Urológico Puigvert; também atua nas áreas de uro-oncologia (tumores de próstata, rim, bexiga, pênis, testículos e glândulas suprarrenais); cirurgias minimamente invasivas (cirurgia robótica, videolaparoscopia e endourologia); tratamento de cálculos urinários e crescimento prostático a laser; tratamento microcirúrgico de infertilidade (correção de varicocele e reversão de vasectomia).
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por Rodrigo Rosa De Lima

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