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Quando começamos a contagem regressiva

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19.12.2012 - 13:09:51

Entrei na pior parte do ano: naquele momento em que começamos a contagem regressiva pelas férias. Depois de longos meses de árduo trabalho, desde a Era Vargas o trabalhador brasileiro tem direito a saudáveis 30 dias de ócio para seu deleite. Como sou grato a essa bendita legislação trabalhista que nos garante isso. Por favor, um brinde ao direito de férias!

Nunca tirei férias picadas. Assim como também nunca vendi um dia sequer do meu descanso. Sempre tirei os 30 dias de forma ininterrupta. Acho que se pensaram que esse é o prazo para você se recuperar e voltar com gás reposto ao trabalho, devemos respeitar. Eles devem saber o que estão fazendo. É o tempo certo para viajar, resolver demandas do dia a dia na sua cidade que ficam emperradas por conta dos corres mil, curtir uma preguiça despreocupada em casa e começar a bater uma saudade da rotina de novo.

Nenhum aperto financeiro me fez também cogitar a troca de dias de folga por uma grana extra. A minha sanidade vale mais do que o nome sujo. Você recebe uma grana a mais que acaba gastando em remédios depois. Como diz o De Leve, de que vale perder saúde para ganhar dinheiro e depois gastar dinheiro para recuperar a saúde? Não consigo entender essa lógica.

Quando chega a hora da contagem regressiva, acaba nosso ânimo para todo e qualquer assunto de trabalho. Seu chefe chega com uma demanda e, no mesmo instante, você já pensa: “Putz, logo agora que eu já estou entrando de férias…”. O colega chato vem com a mesma piada ruim de todo dia e sua paciência está menor: “Putz, eu tenho que entrar logo de férias…”. A ladainha reclamona de corredor lhe irrita de forma sobrenatural: “Ainda bem que vou entrar de férias e ficar um mês sem ouvir esse mimimi…”.

Assisti muita Sessão da Tarde em minha vida. Por isso, tenho um medo que me dá até um pouco de vergonha. Lembra-se daquele personagem policial clássico que tomou um tiro e morreu quando faltava somente um dia para sua aposentadoria e que motivou a busca de vingança de seu parceiro leal? Pois é, imagine se eu tomo um tiro e morro na iminência de minhas férias? Esses são os traumas de uma infância anos 80, junto do boneco do Fofão e do disco da Xuxa tocado ao contrário.

Já cheguei ao limite extremo em que toda minha frase começa ou termina com a expressão “quando eu estiver de férias”. Esse é o limiar máximo. Estou louco de vontade de tomar a primeira cerveja que brinde minhas férias. Deixe-me ali ver quantas horas faltam para esse momento tão esperado.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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