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A escola de tempo integral e o desenvolvimento do aluno

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22.08.2023 - 11:29:42

Uma formação escolar de excelência permite o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades necessárias à plena formação da pessoa humana e ao exercício da cidadania. Um espaço de construção de conhecimento que considera que os estudantes precisam ser estimulados e nutridos em suas múltiplas dimensões faz-se cada vez mais imprescindível. O uso de metodologias e práticas acadêmicas que fazem sentido para que os estudantes construam pontes entre o conhecimento formal e a vida real é notoriamente preconizado pelos documentos que descrevem o ideal de uma educação integral. 
 
A introdução deste texto está contida no Programa de Educação Plena e Integral: Diretrizes Pedagógicas da Secretaria de Educação do Estado de Goiás/Superintendência de Educação Integral e, ainda, no Relatório da Unesco “Educação: um tesouro a descobrir”, da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Nesse relatório são apresentados os Quatro Pilares da Educação (aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser), além de reforçar a busca contínua de uma concepção e de uma prática educacional que revelem a todos o valor do aprendizado ao longo da vida e que possibilita a emergência de nossos talentos, individuais e coletivos. 
 
Nesse sentido, uma educação integral é justificada e, portanto, o currículo ampliado da nossa escola se solidifica como espaço formativo de crianças e adolescentes a quem oportunizamos vivências protagonistas, novas aprendizagens, construção de seus projetos de vida, uso de estratégias que proporcionam a integração e a interdisciplinaridade entre os componentes curriculares via projetos em ABP (Aprendizagem Baseada em Projetos). O objetivo é contribuir com uma sociedade que deve ser transformada para assegurar justiça, democracia e inclusão pela formação de cidadãos conscientes de sua responsabilidade. 
 
A escola, assim como a entendemos, não é espaço trancado a sete chaves, com enigmas colocados em todos os lugares, impedindo e dificultando o acesso dos estudantes ao conhecimento em seu potencial pleno de liberdade e de libertação. As relações de poder e de dominação são discutidas na promoção de um desenvolvimento qualificado e personalizado das ferramentas cognitivas tão necessárias para o cotidiano e a vida. A tecnologia é usada em favor do desenvolvimento humano, bem como as artes se imbricam na discussão sobre a história das coisas. Os relacionamentos são discutidos em espaços reflexivos e assembleias escolares são instrumentos potentes de encorajamento, desprendimento e aprendizagem sobre si e sobre o outro, além de ser local de um pensar coletivo em prol do bem-estar comum. 
 
O currículo, constituído por conteúdos conceituais, composto pelos diversos saberes arrolados ao longo da história da humanidade, são compartilhados frente ao compromisso com uma postura científica, que busca significado e aplicação para contribuir na transformação de uma dada realidade. A sala de aula, laboratório de construção de conhecimento, é espaço vivo onde estudantes encontram oportunidades reais de contemplar e buscar soluções para o mundo real juntamente com professores-pesquisadores e mediadores desse processo. Dessa maneira, entendemos que é necessário reconhecer o mundo real e suas peculiaridades também como instâncias de aprendizagem real. Partindo deste pressuposto, o Currículo Ampliado se coloca como instância de investigação, de verificação, de construção do conhecimento ativo e, acima de tudo, da aprendizagem significativa. Isto é feito de maneira saudável, comunicativa, aberta, lúdica.
 
Desde 2017, no Currículo Ampliado, oportunizamos momentos desta natureza aos estudantes. As diferentes atividades desenvolvidas ao longo do período no qual os estudantes estão na escola são distribuídas seguindo uma lógica tripartida, contemplando atividades de desenvolvimento de ferramentas cognitivas, atividades de desenvolvimento de percepção e ação artísticas e atividades de desenvolvimento da harmonia físico-mental.
 
Sob esta perspectiva é que nos respaldamos em um trabalho centrado no estudante, em suas necessidades, requerendo sua participação na construção de um processo de ensino e aprendizagem global. 
 
Meu anseio, como coordenadora pedagógica e participante ativa deste construto, é que a Escola de Tempo Integral, como teorizada e planejada em nosso país, seja efetivamente espaço de formação e desenvolvimento de crianças e adolescentes, numa prática saudável, desejável. Que a busca por este formato de escola seja uma realidade para a maioria e que nossos jovens sejam oportunizados ao pensar, fazer e ser cidadãos.
 
*Flaviane Montes é coordenadora pedagógica da Escola Interamérica de Goiânia
 
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por Flaviane Montes

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