Adriana Marinelli e José Abrão
Goiânia – A Enel deixará de ser, até o final deste ano, a responsável pela distribuição de energia elétrica em Goiás, mas a reta final da prestação de serviços ainda reserva uma série de grandes desafios para a empresa. A avaliação é do presidente da organização, José Nunes. Em entrevista exclusiva ao jornal A Redação na tarde desta sexta-feira (28/10), Nunes destacou que o verão é sempre um desafio em Goiás quando o assunto é distribuição de energia elétrica. “Temos chuvas muito agressivas, com grande volume de quedas de árvores e raios sobre a rede”, pontua.
O gestor, porém, diz que a Enel, que será substituída no Estado pela Equatorial, está preparada para as adversidades climáticas com 1.300 equipes em campo. Ele também promete inaugurar ainda este ano um novo Centro Logístico “de altíssimo padrão”, além de novas subestações em Anápolis e Quirinópolis.
Sobre quando a Enel deve passar, de fato, o bastão para a Equatorial, ainda não há data definida. “Há um rito a ser seguido nesses tipos de transações, incluindo a autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Como informado ao mercado, o fechamento da operação é esperado para o fim do ano”.
Manutenção
O Procon Goiás instaurou recentemente um Processo Administrativo Sancionatório que pode multar a Enel em mais de R$ 11 milhões por supostamente ter reduzido as equipes de manutenção no Estado. Nunes nega as acusações e afirma que, na verdade, a manutenção tem execução acima do previsto. “Nosso plano de manutenção preventiva chegou a 110% de execução e agora, com o início das chuvas, passamos ao Plano Verão, que inclui atendimento emergencial e manutenção corretiva”.
Apesar dos pesares e das rusgas, Nunes avalia positivamente a atuação da Enel Goiás. “A Enel transformou o sistema de Goiás, que estava completamente sucateado. Construiu 17 novas subestações, reformou e modernizou completamente quase 120 subestações. Construiu mais de 20 mil quilômetros de rede. Foram cerca de R$ 7 bilhões investidos em Goiás”, lista.
“Então, diante disso, posso dizer sem sombra de dúvida que construímos aqui a base necessária para uma trajetória consistente de melhoria. Os primeiros resultados vieram: reduzimos em mais de 50% a frequência das quedas de energia no Estado e em 40% a duração dessas quedas de energia. Muitos ainda virão como frutos de tudo que fizemos nesses cinco anos”, arremata.
“O verão é um desafio”, diz presidente da Enel sobre reta final em Goiás
*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG