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Na internet, pagamos filé e levamos carne de terceira

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19.09.2012 - 11:57:28

Goiânia – O consumidor brasileiro de banda larga fixa sempre conviveu com uma realidade surreal, para dizer o mínimo. As empresas de telefonia contaram, ao longo dos anos, com a benevolência de uma regulação que permitiu a elas o fornecimento de apenas 10% da velocidade de acesso à internet que é vendida nominalmente.

O internauta contrata um pacote de 10 Megabites por segundo e as operadoras podem fornecer apenas 1 Mega. A metáfora que sempre usei é a seguinte: é como se, no açougue, você pagasse por um quilo de filé e levasse para casa um bife de 100 gramas. 

 
A situação parece que vai melhorar, mas nem tanto. O governo federal, por meio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), aprovou uma nova regulamentação para exigir que as operadoras de telefonia cumpram, pelo menos em parte, o que prometem aos clientes.

A partir de outubro, os internautas terão o direito de receber, no mínimo, 60% da velocidade nominal contratada. Esse porcentual aumentará gradativamente até 2014, quando o mínimo que as empresas terão de fornecer terá de ser de 80% da velocidade contratada.
 

A intenção parece boa, mas ainda vai ter gente que ficará sem bife no almoço. E, o pior, no caso da banda larga brasileira, o cliente compra filé, mas o que leva para casa, de verdade, é acém com osso. Além de cara, de ter essas distorções na relação prestadora de serviço/consumidor, a banda larga do Brasil é uma das mais estreitas do mundo.
 
Uma das pesquisas mais recentes, feita pela empresa especializada em internet Akamai, avaliou o serviço em 45 países. O brasileiro tem vergonha de ver a seleção de futebol em 11º lugar no ranking da Fifa, mas, nesse, o resultado foi muito mais vexatório: 35º. Segundo o estudo, a velocidade média da banda larga no Brasil é de 1,08 Mbps, bem abaixo da média mundial, de 1,7 Mbps.

A Coreia do Sul é a campeã, como sempre neste tipo de comparativo, com média de 14,6 Mpbs de acesso à rede mundial. Também perdemos feio para Colômbia (1,45 Mbps) e Chile (2,22 Mbps).
 

Além de devagar, quase parando, a banda larga brasileira é uma das mais caras do mundo. Relatório divulgado no final do ano passado pelo escritório da Conferência das Nações Unidades sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que o custo médio do Mbps no Brasil é de 61 dólares. Na Turquia, são 30 dólares. No Vietnã, pasmem!, o custo é de 6 dólares.
 
À época da divulgação dos dados, as empresas de telefonia espernearam sob a alegação de que as informações coletadas pela UNCTAD não refletiam a realidade da maioria dos consumidores do Brasil. Você que assina um serviço de banda larga pode refletir sobre quem está com a razão nesta polêmica.
 
Os internautas brasileiros têm a oportunidade de mudar um pouco esta situação. A Anatel abriu a possibilidade dos usuários participarem do programa de avaliação da qualidade da banda larga no site Brasil banda larga.

Mais de 40 mil voluntários se inscreveram até agora e 12 mil serão selecionados para receberem equipamentos de medição da velocidade da internet. Espera-se que, com os resultados em mãos, o governo federal coloque ordem no açougue e que, quando comprarmos um quilo de filé, não sejamos mais obrigados a levar para casa 100 gramas de carne de terceira.  

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por Rodrigo Hirose

*Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia

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