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Meu novo vício

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10.09.2012 - 11:22:56


Eu sabia que isso aconteceria. Quando o SongPop surgiu e provocou burburinho geral nas redes sociais, entendi a lógica do jogo e pensei comigo mesmo: “Esse é o tipo de negócio que não posso nem chegar perto”. Resisti bravamente a muito assédio chegando na minha página do Facebook. Vários desafios apareciam e eu estoicamente ignorava. Mas nem o mais forte dos heróis estaria imune a um pedido da filha para uma partida. Pela prole, fazemos qualquer coisa.

Pronto. Quando cedi e comecei a jogar com minha primogênita, aquilo que eu tinha certeza que aconteceria se concretizou: não consigo mais deixar de lado o viciante joguinho. Estou tentando me disciplinar e só entrar para partidinhas em horários específicos do dia. Preciso confessar que não está sendo simples organizar isso. Essa porcaria é muito legal.

Se você não sabe do que estou falando, o SongPop é um joguinho de celular meio que como um Qual é a música?, aquele programa do Sílvio Santos que animava seu domingão enquanto você esperava a macarronada da vovó. Você disputa contra algum amigo de rede social. Ele escolhe um estilo musical e vem uma sequência de cinco músicas dentro desse universo. Ganha quem acertar mais e mais rápido. Quanto mais ágil na hora de acertar o som, mais pontos acumula na peleja. Ganha quem tiver mais pontos ao final das cinco músicas. Depois, você o desafia em um estilo. O vencedor de cada disputa recebe três moedinhas. O perdedor, uma. Com essas moedas arrecadadas, você pode comprar novos estilos musicais para jogar com seus amigos.

Naturalmente, me afeiçoei pelos estilos musicais que tenho mais afinidade. Mas é divertidíssimo quando você é desafiado para jogar um do qual não entende bulhufas. Nisso, tenho um amigo que é mestre. O José Flávio Júnior é um dos mais talentosos jornalistas musicais desse país. Um cara que entende tudo de bons sons e escreve para as melhores publicações do Brasil sobre música. E ele sempre saca da manga um estilo mais absurdo que outro. Já joguei com ele Rock em Espanhol, Axé, Hits Contemporâneos da Austrália, I Love NY… Perco todas para ele. Sou seu freguês na mesma proporção que o Vila Nova é do Goiás. Já deu para entender que vitória minha é coisa rara, né?

Quando entro no SongPop e vejo que meus amigos ainda não responderam, bate uma triste sensação de vazio. Eles bem que poderiam ser um pouquinho mais rápidos, né… O problema é que eles são cidadãos responsáveis e zelosos de seus deveres. Não um adicto vagabundo de SongPop como eu, que para praticamente tudo que estou fazendo para encarar a próxima partidinha. Sei que essa empolgação vai passar, como todas as outras também passaram. Até lá, as pessoas mais próximas vão ter que disputar minha atenção com esse inferno de joguinho. Tomara que elas sejam pacientes comigo… 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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