Yuri Lopes
Goiânia – O Festival Vaca Amarela deste ano vai continuar sendo um evento essencialmente de música, mas não ficará preso a apenas uma temática. Desde o dia 21 de agosto até o dia 6 de setembro a organização do festival promove uma série de ações de artes integradas. Além das bandas, que vão tocar nos dias 7 e 8 de setembro, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, atividades como serigrafada, tricôarte, artes cênicas, literatura, pedalada, cinema a céu aberto, dança, arte de rua, circo e trocas solidárias também serão atrações no festival.
Na sexta-feira (31/8) Daniel Peixoto apresentou uma amostra de suas músicas em pocket show na Fnac do Shopping Flamboyant. No último sábado (1/9) o Vaca promoveu, em parceria com o Pedal Goiano, mais um circuito do Pedalada, iniciativa que reúne ciclistas que lutam por instalação de ciclovias em Goiânia. O trajeto da comitiva munida de magrelas partiu da Fábrica Cultura Coletiva. Outro evento do último sábado foi o Bazar de Trocas, ação realizada em conjunto com o Coletivo Casulo e com a Fósforo Cultural. Os participantes puderam trocar objetos entre si e realizar um verdadeiro escambo de mercadorias de todos os tipos, de livros a roupas e acessórios. Ainda no sábado (1/9), o Gloom tocou no Loop Studio no projeto Drops do Vaca Amarela, série de shows que são realizados antes dos dias do festival.
“A gente entende que os produtos têm um valor sentimental, além do valor de mercado, mas queremos incentivar a criação de um circuito de economia solidária e fazer mais coisas com menos dinheiro”, explica Vitor Cadillac, coordenador de artes integradas e um dos produtores do festival. Cadillac lembra que esta ação já foi realizada em outras edições do Vaca Amarela em parceria com o Coletivo Casulo.
Tudo interligado
Essa série de artes que acontecem de forma integrada e coletiva é resultado do aprimoramento do que foi experimentado na edição do ano passado com o Maquinação, um espaço dentro do Martim Cererê que serviria como diálogo entre ações culturais e artísticas. “Deu certo, foi legal e a gente resolveu ampliar o porjeto”, conta Vitor. Segundo ele, o objetivo de inserir diversas formas de se fazer arte e cultura no festival é para provocar o público, causar um estranhamento no público e plantar uma semente para a formação de uma cidade mais inventiva e criativa.
Complemento
No Vaca Amarela deste ano a música ainda será protagonista do evento e os organizadores não acham que esta mistura de assuntos seja um problema ou vá confundir o público. Vitor acredita que todas as linguagens abordadas pelo festival se complementam e dialogam entre si. “Quanto mais diverso é um festival, mais diverso é o público e mais pessoas a gente consegue atingir e passar a nossa mensagem”, explica ele.
A ideia de colocar vários tipos de expressão artística na programação do festival não é nova, surgiu em outras edições e evoluiu até chegar com força nesta edição. Para Vitor Cadillac, o Vaca Amarela é um festival que ainda está verde e vive em constante evolução e mudança. “O festival ainda é novo, feito praticamente só por gente nova, por isso a gente se permite experimentar e arriscar mais”, avalia. O produtor considera que os parceiros que se juntaram para a realização do festival trouxeram um amadurecimento e aprimoramento do evento. “A Fábrica também é forte influenciadora deste tipo de atitude, pois a gente vive cercado de todos os tipos de arte, e isso é essencial”, conta.
Sem caretice
A ideia de abrir espaço para outras atividades artísticas surgiu para aproveitar o poder que a música tem de unir as pessoas e, a partir disso, compartilhar histórias. Vitor Cadillac expica que a música permite que algo não seja apenas entretenimento. “Queremos que as pessoas compartilhem as próprias experiências, por isso queremos abrir as portas para outras correntes culturais, e assim provocar o público, senão fica um festival careta, uma coisa sem graça”, comenta.
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