Théo Mariano
Goiânia – O advogado Cristiano Zanin afirma que "não se pode permitir que abusos sejam praticados por parte do Ministério Público, com procuradores que usem seus cargos para atingir alvos pré-determinados". A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao jornal A Redação, nesta terça-feira (3/5). "Isso, infelizmente, aconteceu na Lava Jato (…) e vemos também aqui em Goiás, com uma decisão [do Supremo Tribunal Federal] que reconhece o bypass processual", acrescentou Zanin, que é advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atuou na defesa de Jayme Rincón, ex-presidente da Agetop, na Operação Cash Delivery.
O termo bypass processual, utilizado pelo advogado, se refere ao processo ser encaminhado para um juízo incompetente. No caso da Operação Cash Delivery, que apurou suposta corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo Jayme Rincón e o ex-governador Marconi Perillo, o processo do ex-presidente da Agetop será agora remetido à primeira instância da Justiça Eleitoral, após o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatar parcialmente um pedido de habeas corpus por parte da defesa de Rincón.
Para Cristiano Zanin, o Ministério Público "jamais deve utilizar o poder do Estado para perseguir pessoas ou empresas". Na ocasião em que se posicionou, o advogado participava de coletiva de imprensa, em Goiânia, para apresentar o sucesso obtido pela defesa de Rincón, junto ao STF, no âmbito da Operação Cash Delivery. "O importante, que nós temos hoje, é que toda essa Operação Cash Delivery, com grande repercussão em Goiás, agiu sem competência e sem atribuição para todas as medidas tomadas, que estavam sincronizadas claramente com o calendário eleitoral."
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