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O melhor show de rock da história

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29.08.2012 - 11:23:09

Os leitores da revista inglesa New Music Express (NME) elegeram os 20 melhores shows de rock, aqueles artistas que eles consideram os mais legais de vermos dando o sangue em cima do palco. O vencedor, meu amigo, foi o Muse. Repito para você não ter dúvidas: Muse. Isso mesmo, o Muse.

Democracia é isso aí. De vez em quando pinta alguma aberração bem votada e temos que engolir o resultado. E nosso Congresso Nacional está aí para corroborar minha tese.

O Muse é chato em disco e um milhão de vezes mais chato ao vivo. Junte o pior do Radiohead com o pior do Pink Floyd, misture bem, retire o talento e você terá o Muse. Soberba demais para um público blasé demais. Resumindo em uma única palavra: chato. Essa opinião está longe de ser consenso.

Os fãs de Muse são aguerridos e têm argumentos para defender a banda. Prova disso é a própria vitória nessa votação da NME. Tenho amigos que também não gostam do Muse mas tiveram a oportunidade de ver o show da banda. Dizem que é bonito, impactante e tudo mais. Só que confirmaram que isso não descaracteriza o show como chato.

A experiência de um show é muito particular. Tenho os meus preferidos por razões egoístas e super pessoais. Dois shows dos Titãs me marcaram em especial. O da turnê do disco Go Back, em 1990, no Ginásio Rio Vermelho e o de 1995, da turnê do Titanomaquia, em frente ao Flamboyant. No primeiro, eu era um fedelho de 11 anos e convenci meus pais a me levarem a assistir a banda que eu mais gostava.

Eles cometeram a insanidade de atender o pedido do filho estudioso e eu os agradeço até hoje por isso. Ali eu vi o que era um show de rock. Ficamos na arquibancada. Vi a galera na roda de pogo e aquilo me impressionou. Um baita cheiro de mato queimado no ar e minha mãe disse que era um “cigarro diferente”. Um cara subiu na cesta de basquete do ginásio e se jogou em cima do público. Nunca fui mais o mesmo depois daquele show.

No de 1995, eu já era um adolescente de 15 anos expelindo hormônios por cada poro. Chegamos cedo ao Flamboyant para ficar na primeira fila. Tinha uma enfadonha competição de motocross antes do show. Aguardamos aquela groselha terminar contando os minutos. Conseguimos o gargarejo. Fiquei em frente ao Marcelo Fromer. Os Titãs soltavam aquelas porradas do álbum mais pesado de sua história e eu entrava em êxtase. Vi os Titãs várias vezes depois dessas duas ocasiões. Não tiveram o mesmo impacto. Nunca mais haverá shows como aquele. Até por que eu nunca mais terei 11 e 15 anos.

Dentre os que também assisti em Goiânia, o do Mudhoney na Usina Café em 2001, uma boate que ficava na 85, entrou para minha história. Nem no sonho mais otimista eu imaginava ver aqueles caras, heróis do grunge, na minha cidade. Quanto mais em um palco pequeno, apertado, quente. Eu já fazia faculdade e alguns amigos que tenho contato até hoje também estavam lá. Foi um daqueles casos que só quem viveu para entender do que estou falando.

Todo esse diário sentimental foi só para mostrar o quanto a eleição do melhor show da história do rock passa por critérios absolutamente idiossincráticos. Isso explica não só o Muse no primeiro lugar, mas também Strokes e Killers no segundo e terceiro lugar, respectivamente.

A lista que segue tem nomes de peso histórico e reputação de palco bem mais consolidados que as que integram o pódio. Se não estiverem em uma baita egotrip, até mesmo os membros das primeiras colocadas vão concordar com isso. Dos 20 primeiros, tive a chance de ver quatro nos palcos. Minha hierarquia entre os ali citados que assisti seria nessa ordem: Rolling Stones; AC/DC; Foo Fighters; Rage Against the Machine.

Nessa história de shows, meu caro, é cada um com sua própria experiência. Qualquer tentativa de ranking com critérios tão subjetivos é só para virar manchete de revista. E artigo de repercussão.  

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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