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Meu completo desinteresse pelo horário eleitoral

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23.08.2012 - 10:46:43

Começou o horário eleitoral obrigatório na última terça-feira. Segundo matéria da Folha de São Paulo, custará a bagatela de R$ 600 milhões ao erário. Tanto que ele não se chama mais horário eleitoral gratuito e sim, como escrevi anteriormente, obrigatório. Isso por que as emissoras de rádio e televisão têm o direito de descontar do seu Imposto de Renda um proporcional por conta da publicidade perdida na grade de programação ocupada pelos partidos políticos. Ou seja, é uma grana que deixa de entrar nos cofres públicos.
 

Estou impressionado com meu completo desinteresse pelo horário eleitoral dessas eleições. É a primeira vez na vida em que não fico curioso em sacar as estratégias e o discurso construído por cada candidato a prefeito. Antes, eu queria ver as figuras exóticas candidatas à vereança, os conhecidos, os políticos que eu gostaria que ganhassem por acreditar nas ideias, os que eu gostaria de ver em cana… Me lembro com perfeição do que me marcou em cada propaganda eleitoral de 1989 até hoje. Como tudo na vida, a primeira vez sempre é mais emocionante. E nunca mais haverá uma eleição marcante como a de 1989. Me recordo de tudo em detalhes. O jingle Lula-lá, a locomotiva do Collor, as falas do Brizola, o tucano do Covas, as inserções do Gabeira, a velocidade do Enéas…
 

Tudo bem que concorrer com 1989 é covardia, mas nem o despertar habitual que rola de dois em dois anos está acontecendo agora. E não faço a mínima ideia por que diabos estou assim. Não é um hábito comum assistirmos televisão em minha casa. Eu e minha mulher não acompanhamos nenhum programa televisivo diário, exceção feita ao telejornal matutino que fica rolando enquanto nos arrumamos para a labuta. Logo, passamos batido pelo horário eleitoral na telinha. Era pelo rádio que eu costumava me ligar mais. Não é o que está acontecendo. Quando os candidatos começam a falar, já coloco um MP3 para rolar. Não dou sequer a chance de me envolverem, de ver qual coligação será a primeira ou coisa parecida. A decisão é sumária.
 

Mesmo com meu desinteresse, reconheço que o horário eleitoral ainda tem função importante na decisão do voto. Mas destaco uma palavra: ainda. Daqui em diante, a cada pleito o eleitor terá mais opções para fugir do horário eleitoral. Seja pelo fenômeno das duas telas, em que o cara está no tablet ou no smartphone enquanto assiste TV, seja pelas televisões conectadas à internet – vai ser cada vez mais fácil escapar dos políticos. Se a tecnologia mudo tudo, é claro que ela também mudaria as campanhas eleitorais. Mais trabalho para os marqueteiros quebrarem a cabeça para os próximos anos.
 

Se antes os Garotos Podres utilizavam outro recurso para fugir do horário eleitoral (só clique se for bem espirituoso, por favor), de agora em diante a população terá mais opções. 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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