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A louca

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20.08.2012 - 09:57:32

Esse é um pedido de desculpas público. Muita gente me acha antipática e metida, mas eu JURO que não sou. Em minha defesa quero dizer que na verdade sou lerda, desavisada e esquecida e que tais características são herança de família.

Se eu passar uma hora inteira conversando com uma pessoa na esteira da academia e encontrá-la em um coquetel na mesma noite, pode ter certeza que para mim essa pessoa será uma total desconhecida. Alguém com quem eu nunca cruzei antes. Justificando: uma pessoa com roupa de ginástica, rabo de galo e tênis no pé nem de longe é a mesma em um vestido curto dourado, cabelos escovados e maquiagem. Mudou de cenário e de figurino, eu realmente fico totalmente à mercê da minha (péssima) memória.

Já passei muita saia justa quando alguém me encontra e me cumprimenta efusivamente e eu não tenho nem ideia de quem seja. É uma sensação horrorosa.
Fico buscando pistas, tentando pescar um nome de alguém conhecido na conversa, para ver se descubro com quem estou falando. Às vezes, em busca de pistas a gafe fica ainda maior.

Outro dia encontrei uma conhecida no supermercado. Sabia que conhecia muito a pessoa, mas não tinha idéia de onde. No meio da conversa ela soltou um nome:
_ Ainda comentei com o Davi que te vi outro dia.
Pensei. Essa é a isca, vou perguntar que Davi.
_ Que Davi?
_ Davi, meu marido, né Bia?!!

Claro, Davi seu marido. Meu deus, me desculpe Carol, da última vez que te vi você estava de biquini no Araguaia, ao lado do seu marido – meu amigo Davi – e eu já tinha tomado pelo menos meia caixa de cerveja. E isso faz mais de um ano. E acho que você tinha o cabelo escuro. Agora está loiro. Sei que outra pessoa normal lembraria na hora de você e até da menina da academia. Mas eu não sou normal. É de família.

Na família Marini é um membro pior do que outro. Meu avó Marini era  hors concours nesse aspecto. Esquecia óculos dentro da geladeira direto e ficava horas procurando o dito cujo. Também nunca lembrava onde colocava sua dentadura. Era um esquecido.
Tem também a história de uma amiga minha que estava com a gente em restaurante, foi ao banheiro e na volta sentou-se na mesa ao lado. Demorou uns 5 minutos para ela perceber a gafe.

São lerdezas. Pequenas ou grandes. No meu caso, com nomes e fisionomias. E agora em tempos de rede social, a coisa ficou ainda pior. Fico pensando que pode ser um “amigo”do Face ou do Instagram, alguém da escola da minha filha ou da capoeira dela ou da natação. Ou pode ser alguém da minha academia, da última festa que organizei, daquele desfile que trabalhei, alguém dos tempos do primário ou do ginásio, uma amiga da minha mãe ou do meu pai. É um estado constante de paranoia.

Na vã tentativa de não parecer antipática, fico sorrindo e cumprimentando todo mundo por onde passo. Passo por louca mesmo.
Mas louca é melhor do que metida. Confere?

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por Bia Tahan

*Jornalista

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