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Conversando com o músico Estercio Marquez Cunha

22.07.2021 - 17:18:43
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Na Coluna anterior, comecei a registrar a parte inicial de uma longa entrevista realizada, via aplicativo Zoom, com o meu amigo e ex-professor, o compositor Estercio Marquez Cunha (n. 1941). E, naquela oportunidade, justifiquei o motivo pelo qual costumo me dirigir ao entrevistado por meio do pronome pessoal de tratamento “você”.
 

Estercio Marquez Cunha (n.1941)
Acervo: Família Cunha

 

Na aludida Coluna, intitulada Estercio Marquez Cunha  e sua formação inicial em música – Anos 1940/50: piano, balé e preconceito, ficou registrado que o professor (aposentado) da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás (EMAC/UFG), natural da cidade de Goiatuba (Goiás), passou a residir em Goiânia no ano de 1942. Nesta Capital, Estercio recebeu suas primeiras orientações na área da música. Primeiro, fez aulas particulares de piano com as professoras Amélia Brandão Nery (Tia Amélia) e Nize de Freitas (Dona Nizinha). Mais tarde, deu prosseguimento aos estudos pianísticos no Conservatório Goiano de Música (CGM), desta feita, com a pianista Dona Dalva Maria Pires Machado Bragança.
 
Sobre isso, ficou registrado na coluna anterior:
 
Dona Dalva era uma ótima professora [CGM]. Foi uma pessoa que me incentivou demais. Ela sempre me falava: “Você tem que ir embora daqui! ” Há pouco tempo eu estava assistindo ao filme Cinema Paradiso. É um filme maravilhoso e que me emociona muito, sempre. Aquela cena do velho cochichando no ouvido do menino e dizendo mais ou menos assim: “Vai embora, eu não quero ver você aqui não! ” sempre me toca muito. Eu fico me lembrando muito daquela época. Enfim, foi por esse tipo de incentivo que eu tomei a decisão de estudar no Rio de Janeiro. 
 
(Trecho retirado da primeira parte da entrevista com Estercio Marquez Cunha)
 
Othaniel Alcântara entrevistando Estercio Marquez Cunha

Agosto de 2020 – Print  (Aplicativo Zoom)

 
Em dezembro de 1959, a partir do incentivo recebido por parte da professora Dalva Pires e, ainda, motivado por um fato relacionado ao preconceito sofrido a partir de sua participação em um espetáculo de balé, nosso personagem optou por se transferir para o Rio de Janeiro. A respeito do mencionado preconceito, Estercio disse:
 
Por essa época, a discriminação foi terrível. Eu sofria até mesmo dentro da família (…). E, nas ruas, a molecada não perdoava não. Um certo dia, pra você ter ideia, eu estava saindo do Cine Goyaz, com uma namoradinha, e veio uma molecada me perturbar (…). Mas, pra mim, pessoalmente, foi um aprendizado muito forte. Foi importante pra mim, no sentido de ganhar muita consciência acerca do que era preconceito. Além disso, foi um momento meu de afirmação. Eu já pensava, na época, e continuo pensando até hoje: Eu posso fazer o que eu quero da minha vida (…). Acho que isso eu consegui transmitir para os meus filhos todos (…).
 
(Trecho retirado da primeira parte da entrevista com Estercio Marquez Cunha)

Estercio Marquez Cunha e Ana Maria Pacheco
(Anos 1950)
Acervo: Família Cunha

 

Assim, em dezembro de 1959, com o apoio de sua mãe Estherlina, bem como de alguns amigos da família, o entrevistado seguiu para a então Capital do Brasil. Um fato merece destaque: o pianista e maestro Érico Pieper que, à época, residia em Goiânia, escreveu uma carta de recomendação endereçada ao violinista Santino Parpinelli  [1912-1991]. Em tal escrito, Pieper solicitava ajuda ao amigo no sentido de direcionar o jovem Estercio Marquez Cunha a um bom professor ou professora de piano na então Capital da República.
 
Todavia, uma guinada na carreira musical desse músico ocorreria no decorrer dos anos 1960.
 

Dona Estherlina com seus filhos Amauri e Estercio (à direita)
Fotografia "Foto Berto" (sd)
Acervo: Família Cunha
—-
 
Othaniel Alcântara: Como foi a sua chegada no Rio de Janeiro, em dezembro de 1959?
 
Estércio Marquez Cunha: Ao chegarmos no Rio de Janeiro, minha mãe [Estherlina] alugou uma quitinete (…) e voltou para Goiânia. E, logo em seguida, também mandou meu irmão [Amauri Cunha, n. 1942], pra fazer vestibular [de Engenharia].
 
Na realidade, minha mãe me instalou no Rio porque ela sabia que ela ia morrer. Ficamos nós dois ali [Estercio com seu irmão Amauri] e, após três meses, minha mãe morreu. Ela estava convivendo com uma deficiência, uma coisa chamada “policitemia”. Ela sangrava sempre. Ela esteve no hospital com embolia, coisas desse tipo. 
 
Enfim, depois que ela faleceu, a quitinete que a gente tinha alugado lá, nós a transformamos em uma república. Começamos a aceitar outros colegas pra poder dividir as despesas. (…). Teve época que nós éramos 8 (…). Colocava os colchões no chão de noite pra dormir. Era aquela “zona”! [Risos]. Foi assim!
 
Bom, levei a carta [escrita por Érico Pieper] para o Santino Parpinelli, que foi de uma gentileza incrível (…). Então, ele me apresentou à Dona Elzira Amabile (…). Em nossa primeira conversa, ela me disse mais ou menos assim: “Você vai me encontrar lá na escola pra eu testar (…), pra gente ter um começo.
 
Othaniel: A Dona Elzira Amabile lecionava em qual instituição?
 
Estercio: Ela lecionava na Escola Nacional de Música [ENM] e, também, no Conservatório Brasileiro de Música [CBM]. O encontro aconteceu na ENM, na Rua do Passeio.
 
Eu, um “caipira”, tímido, medroso… Tudo o que você pensar, eu tinha [risos]. Mas fui para a Escola Nacional de Música. E a impressão, quando eu entrei lá, era que eu estava entrando num museu. A ENM é belíssima! O prédio é antigo, lindo, cheio de estátuas etc. E lá fui eu perguntar onde é que eu encontraria a Dona Elzira. Então, a pessoa da portaria me orientou. Acho que era no terceiro andar, não sei. 
 
Fui pegar um elevador. Quando eu estou abrindo a porta para pegar o elevador, daquele tipo de elevador que tem grade, chegaram duas senhoras. Eram duas professoras da ENM, já bem de idade. Eu, educadamente, deixei as duas entrar, fechei a porta e quando o elevador começou a subir, uma das professoras falou assim: “O jovem sabe que este elevador é privativo dos professores? ” [Risos]. Então respondi: “Não, eu não sabia não! ”. [A senhora continuou falando]: “Pois é! Só dos professores! ”. 
 
Bom, não precisa dizer o quanto eu saí desmontado, né? Quando chegou no meu andar, desci do elevador e corri para a sala da Dona Elzira. Quando eu vi a Dona Elzira, o que é que eu fiz? Buáááá! Caí no choro! Mas chorava igual a um bezerro! [Risos]. Mas, chorei!!! E ela: “O que que foi, menino? ”. Ela sentou perto de mim. Eu fui pedir desculpas e contei o que havia acontecido. Então ela falou mais ou menos assim: Você deixa de ser bobo! Essas velhas “cocorocas”! (…). Não é assim não! Pode ficar sossegado! Na sequência, ela me ouviu tocando etc. E, no final da nossa conversa, ela tomou a decisão: Você vai estudar no Conservatório Brasileiro de Música. No entendimento dela, tratava-se de uma escola mais moderna, com mais chances etc. 

Profa. Elzira Polonio Amabile (sd)
Foto: 1946

Othaniel: O Conservatório Brasileiro de Música era uma escola particular, não era?
 
Estercio: Sim, era particular. No entanto, a Dona Elzira conseguiu uma bolsa de estudos pra mim. Bom, primeiro eu comecei a me preparar, com aulas particulares para, tempos depois, fazer o vestibular e, assim, frequentar o Curso de Bacharelado em Piano no CBM.
 
Othaniel: Quando você começou a fazer a Graduação em Piano, no CBM?
 
Estercio: Acho que em 1961. 
 
Othaniel: Nessa época, no Rio de Janeiro, você chegou a conhecer a professora Maria Luísa de Mattos Priolli?
 
Estercio: Sim, sim! Na época de preparação  – antes de fazer o vestibular para o bacharelado em Piano -, eu estudei “Teoria Musical e Análise” com a Dona Maria Luísa, lá na Escola Nacional de Música. Era esse o título do curso [ou disciplina] dela. E, depois disso, nunca deixei de ter contato com ela. Parece que ela simpatizava comigo. Mas eu sei que ela sempre me chamava para assistir mais aulas dela, outras coisas lá (…).


Profa. Maria Luiza Prolli (sd)
 

Othaniel: Considerando que o CBM é uma instituição particular de ensino, para se manter no Rio de Janeiro, você teve que arrumar um emprego?

 
Estercio: A Dona Elzira começou a arrumar alunos pra eu lecionar particular. Eu dava aulas de música em Copacabana, na Penha etc. (…). E, ali, eu comecei a fazer a minha vida (…). Eu precisava ganhar algum dinheiro para sobreviver no Rio de Janeiro. E, ao ingressar no Conservatório, comecei a trabalhar na qualidade de monitor. Primeiro, fui direcionado à professora Juraci Pinto [Teoria Musical]. Posteriormente, me passaram para a professora Virgínia [Salgado] Fiuza [1897-1987]. À essa altura, eu ajudava com a disciplina “Harmonia e Contraponto”.
 
Othaniel: Quando você terminou o Bacharelado em Piano?
 
Estercio: Terminei a minha graduação em Piano no CBM, acho que em 1963 ou 1964. Foi por aí! Lembrando que, para fazer o curso superior de piano, você passa antes por outra etapa, em nível “técnico”. 
 
Othaniel: Depois disso, por mais alguns anos, você continuou morando e trabalhando no Rio de Janeiro.
 
Estercio: Estudando também. Mesmo antes de terminar o Curso de Piano, fiz um novo vestibular e comecei a fazer uma segunda graduação no CBM, o Bacharelado em Composição. Terminei a Graduação em Piano e continuei a frequentar o Curso de Composição. 
 
Respondendo a sua pergunta, ao terminar o primeiro curso [em 1963 ou 1964], trabalhei no Conservatório Brasileiro de Música, já como professor contratado. Lecionei Teoria Musical (curso livre) e no Curso Técnico-profissional. Após terminar o Curso de Piano, mas ainda durante o período em que eu estava cursando Composição, comecei um terceiro Bacharelado: a Regência. 
 
Othaniel: Ah, você foi contratado como docente no CBM. 
 
Estercio: Sim. Entre 65 e 67, mais ou menos. 
 
Othaniel: Mais ou menos naquela época, segundo Leonardo Victtor de Carvalho, em sua Dissertação de Mestrado – A obra vocal de Estercio Marquez Cunha – você teria, ainda, lecionado em escolas de primeiro e segundo graus, no antigo Estado da Guanabara”. 
 
Estercio: Sim. Isso aconteceu em 1965  ou 1966. Acho que foi no ano em que se estabeleceu, no país, a “Lei das Licenciaturas”. A partir daquele momento, para dar aulas nas escolas da rede regular, o professor precisava ter uma Licenciatura. Então, naquele ano, os professores das diversas graduações entre aquelas que possuíam matérias da área de “Pedagogia” no currículo foram autorizados a lecionar nas escolas públicas. E, como eu havia feito “Pedagogia Musical” no meu Curso de Piano, eu pude requerer minha Licenciatura e, consequentemente, participar do Concurso para professor do Estado da Guanabara. Lecionei nas escolas de primeiro grau. Foi outra experiência muito forte que tive na minha vida. A gente tinha que lecionar sob a égide da SEMA [Superintendência de Educação Musical e Artística] do Villa-Lobos. Foi outra experiência muito forte, muito boa, nesta época.
 
Othaniel: Como surgiu a ideia de fazer o Curso de Composição?
 
Estercio: Por muito tempo, eu fui monitor da disciplina “Harmonia e Contraponto”, no Conservatório [CBM], sob a supervisão da professora Virgínia Fiuza. À época, ela observava as pequenas melodias, pequenos trabalhos etc. Então, ela achou que valia a pena eu investir em Composição.

Um certo dia, a Dona Virgínia me disse assim [a seguir um diálogo aproximado]:
 

– Você tem 15 dias para se preparar, porque você vai fazer o vestibular para Composição (…). 
– Como assim? Não estava pensando (…).
– Eu estou falando que você vai fazer sim! Eu vejo os trabalhos que você faz aqui, são muito bons…. Eu quero que você faça o Curso de Composição!
– Eu não posso! Isso aqui é uma Escola particular e eu não tenho dinheiro pra fazer.
– Não estou falando que você vai pagar, eu estou falando que você vai fazer o Curso! 
 
E foi o que eu fiz. Enfrentei o vestibular e comecei o Curso de Composição. Ela era a principal professora do curso. Foi ela quem deu toda a minha formação inicial no Curso de Composição. Dona Virgínia foi uma grande amiga. 
 

Inauguração da herma de Lorenzo Fernandez.
Virgínia Salgado Fiuza falando em nome da Escola Nacional de Música.
Rio de Janeiro, Largo do Machado.
Fonte: lorenzofernandez.org

 
Othaniel: Quando você soube que a Composição teria prioridade na sua vida profissional?
 
Estercio: Engraçado, quando eu fui para o Rio, eu queria ser o maior pianista do mundo [risos]. A ideia era de ser um grande pianista, aquela coisa toda, né? E estudei muito o piano! Cheguei a tocar bem (…). Mas, quando eu comecei a Composição, não sei, naturalmente passei a me interessar muito mais por esse caminho. Parece que eu fui vendo um outro universo, uma outra vida naquilo ali. E, cada vez mais, eu fui me desinteressando do piano, desencantando do piano, de ser um grande pianista e aquela coisa toda. 
 
Tocava piano, tudo bem! Mas quando fui trabalhar nas escolas do ensino regular, percebi que a Composição, pelo menos pra mim, era uma atividade mais consistente do que aquela de instrumentista. É claro que o ofício dos intérpretes é maravilhoso. É uma questão minha mesmo. 
 
Othaniel: Falando do terceiro curso, acho que nunca te vi regendo [risos].
 
Estercio: Pra falar a verdade, não consigo gostar de regência. Claro, admiro os regentes etc., mas, não me vejo regendo. É uma coisa que me incomoda. Enfim, apareceu a chance lá [CBM] e eu fui fazer o Curso. Não acho que o meu Curso de Regência tenha sido um curso bom não. Teve muitas coisas boas, mas, enfim… 
 
Othaniel: Mudando de assunto, sei que você se casou no dia 29 de dezembro de 1965.
 
Estercio: É, é isso mesmo! 
 
Othaniel: Como você conheceu a sua esposa Maria Lúcia Ferreira Marquez Cunha? 
 
Estercio: A Maria Lúcia era minha namorada desde a época do Conservatório Goiano de Música [CGM]. Ela nasceu em Anápolis [Goiás]. Logo depois que eu fui para o Rio, acho que dois anos depois, alguma coisa assim, o pai dela foi transferido para São Paulo. Ele era funcionário do Banco do Brasil. Naquela época, a cada seis meses, quando sobrava algum dinheiro, eu ia a São Paulo pra ver a Maria Lúcia. Até que, à certa altura, já depois, eu já estava trabalhando no Estado e tudo, não aguentava mais de solidão, aquela coisa… e casamos! Moramos no Rio durante, acho, um ou dois anos (…). Daí viemos embora pra Goiânia.
 
Othaniel: Você se casou em São Paulo ou no Rio de Janeiro?
 
Estercio: Em São Paulo.
 

Casamento de Maria Lúcia F. M. Cunha e Estercio Marquez Cunha
(São Paulo, 29/12/1965)
Fonte: Tese de Doutorado de Marina Machado Gonçalves

 
 

Casamento de Maria Lúcia F. M. Cunha e Estercio Marquez Cunha (São Paulo, 29/12/1965)
Acervo: Família Cunha

Othaniel: E os filhos (André, Tiago e Luciana)? Algum deles nasceu no Rio de Janeiro?
 

Estercio: Não, todos nasceram em Goiânia.

 
Othaniel: Você partiu em dezembro de 1959, ainda bem jovem, para estudar no Rio de Janeiro. O que te motivou a voltar a morar em Goiânia?
 
Estercio: Eu estava doido pra voltar a morar em Goiânia. Fiquei sabendo que havia uma vaga no Instituto de Artes [atual EMAC/UFG], na cadeira de “Harmonia Superior, Contraponto e Fuga”. Eu já havia terminado o Bacharelado em Piano.
 
Othaniel: Isso foi em 1967.
 
Estercio: 1967 [expressão de dúvida]. 

 


Recital surpresa para o Prof. Estercio Marquez Cunha (c. 1972)
Repertório: obras do compositor Estercxio Marquez Cunha
Acervo: Família Cunha
Da esquerda para a direita: (1) Glacy Antunes de Oliveira; (2) Maria Lúcia F. Marquez Cunha (esposa do Prof. Estercio);
(3) Prof. Estercio; (4)  Prof. Reginaldo Saddi (IFG); (5) Maurício (?);  (6) Delmary de Brito Rossi;
(7) Compositor Conrado Silva; (8) Maria Lúcia Olival; (9) Sônia Antunes de Oliveira;
(10) Neuza Steeger; (11) Magda de Miranda Clímaco; (12) Jarbas Valadares Rodrigues.
(Legenda: Estércio Marquez Cunha)

 

 
Othaniel: E quando você terminou o Curso de Composição?
 
Estercio: Acho que terminei Composição em 1968 ou 1969, por aí! Ou seja, enquanto trabalhava no Instituto de Artes, eu ia e voltava ao Rio de Janeiro para terminar algumas disciplinas dos cursos de Composição e de Regência.
 
Othaniel: Seu ingresso no Instituto de Artes da UFG foi via concurso público?
 
Estercio: Sim. Até então, antes de o Conservatório Goiano de Música [Instituição particular] ser anexado à Universidade Federal de Goiás [em 1960], os professores eram contratados por meio de indicação. Muitas alunas da Dona Belkiss trabalhavam lá. Entretanto, na minha época, para ser nomeado como professor da UFG, apenas por meio de concurso público. Se eu não estiver enganado, a primeira pessoa que entrou, via concurso, para o Instituto de Artes, atual EMAC/UFG, fui eu.
 

 
Algumas Informações Complementares pertinentes:
 
Segundo Marina Machado Gonçalves (2014, p. 08), em 1970, Estercio Marquez Cunha frequentou dois cursos de especialização na Universidade de Brasília: “Técnica e estética da música de vanguarda” e “Música brasileira contemporânea para piano”. Acrescenta a autora que, naquela ocasião, Estercio teve contato com os compositores Conrado Silva e Gilberto Mendes.
 
No final da década de 1970, Estercio Marquez Cunha mudou-se com a família – esposa (Maria Lúcia) e três filhos (André, Luciana e Tiago) – para a cidade de Oklahoma City, Estado de Oklahoma (EUA), para cursar Mestrado em Composição na Oklahoma City University.
 

Maria Lúcia e Estercio (Estados Unidos, década de 1980)
Acervo: Família Cunha

 


Casal: Maria Lúcia e Estercio 
Crianças (de cima para baixo): André, Luciana e Thiago
Foto tirada nos Estados Unidos (Início da década de 1980)
Acervo: Família Cunha

 

De acordo com a investigadora Marina M. Gonçalves, naquela oportunidade, o músico goiano foi orientado pelo professor Dr. Ray Edward Luke (1928-2010). E, como produto final do Curso, apresentou a obra intitulada Music for E. Albee´s Sandbox. Trata-se de uma peça “composta para dois grupos instrumentais tocando atrás do público” (Gonçalves, 2014, p. 09).
 

À esquerda: Dr. Ray Edward Luke (1928-2010)
À direita:Dr. Irvin Wagner (1912-2004)

 

Posteriormente, no ano de 1982, na cidade de Norman, naquele mesmo Estado americano, obteve, desta feita, na Oklahoma University, o título de Doutor. Nesta nova empreitada, Estercio Marquez Cunha foi orientado pelo Dr. Irvin Wagner (1912-2004).
 

Estercio Marquez Cunha (1982)
Acervo: Família Cunha

 

Após cursar Mestrado e Doutorado, Estercio voltou a exercer a docência no Instituto de Artes (atual Escola de Música e Artes Cênicas) da UFG. Aposentou-se no ano de 1995.

Mais recentemente, em 17 de novembro de 2016, o compositor erudito Estercio Marquez Cunha [n. 1941] recebeu o Troféu Jaburu. Tal comenda é tida como a maior honraria da cultura goiana, e é oferecida, anualmente, pelo Governo do Estado de Goiás.

 

Estercio Marquez Cunha (n. 1941)

Cerimônia de entrega do Troféu Jaburu (17/11/2016)

(Foto: Lailson Damasio)
 


 

Troféu Jaburu 2016
(Foto: Lailson Damasio)

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Na terceira parte da entrevista realizada com o compositor Estercio Marquez Cunha, a qual será também publicada nesta Coluna, o bate-papo focalizou as características de sua produção musical, bem como o seu pensamento em relação à Música Contemporânea. 

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Leia Também:

Modernismo em três obras de Estercio Marquez Cunha.
Capítulo 2.2 do Livro Projeções Críticas da Modernidade (pp. 100-129)
Autora: Magda de Miranda Clímaco (EMAC/UFG)

As canções de Estércio Marquez Cunha sob o ponto de vista do pianista colaborador.
Trabalho Acadêmico de Marina Machado Gonçalves (2014)

A obra vocal de estércio Marquez Cunha: especificidades da música e memória musical no cenário goianiense.
Trabalho Acadêmico de Leonardo Victtor de Carvalho

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Partituras em pdf

 

Partituras em pdf (clique aqui)


Partituras em pdf (clique aqui)

 
Estercio autografando o Livro Música para Violino II – Solo, Duos e Trios (2015)
X Simpósio Internacional de Musicologia – Pirenópolis (Goiás)

 


Othaniel Alcântara, Estercio Marquez Cunha e Andrea Luiza Teixeira
Lançamento do Livro Música para Violino II – Solo, Duos e Trios (2015)


X Simpósio Internacional de Musicologia – Pirenópolis (Goiás)
 
 
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por Othaniel Alcântara

*Othaniel Alcântara é professor de Música da Universidade Federal de Goiás (UFG) e pesquisador integrado ao CESEM (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical), vinculado à Universidade Nova de Lisboa. othaniel.alcantara@gmail.com

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