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“Precisamos de algum mecanismo para coibir quem recusa vacina”, diz Flúvia

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11.07.2021 - 07:29:09
Augusto Diniz
 
Goiânia – A atitude de parte da população, que agenda a vacinação contra a covid-19, chega a local de receber a dose, pergunta qual é a marca e se recusa a receber a aplicação preocupa as autoridades goianas. “Precisamos ver legalmente a viabilidade de algum mecanismo para coibir este tipo de atitude”, afirma a superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), Flúvia Amorim.
 
Em entrevista ao jornal A Redação, Flúvia adianta que o assunto está em discussão no Centro de Operações de Emergências da SES-GO. “Discutimos isso no COE (Centro de Operações de Emergências) de quarta-feira (7/7) junto com o Ministério Público Estadual (MP-GO), Ministério Público Federal (MPF-GO) e Defensoria Pública do Estado (DPE).”
 
Para a superintendente, a decisão da pessoa em se agendar e não se vacinar quando descobre qual é a marca disponível atrapalha o avanço do plano de imunização e tira a oportunidade de outra pessoa receber a primeira dose. “O próprio município de Goiânia colocou no COE que isso tem gerado uma grande dificuldade nos agendamentos. Porque a pessoa agenda, tira a vaga de alguém, chega na hora e quando vê que não é a vacina que quer simplesmente não toma. Se recusa”, descreve.
 
Na entrevista ao AR, Flúvia Amorim detalha a nova regra estadual de vacinação contra a covid-19, com 100% das doses destinadas à população por idade, responde aos questionamentos sobre a inclusão de mais grupos prioritários na imunização nas últimas semanas e sobre a tentativa de acelerar a aplicação da primeira dose no Estado.
 
A Redação – Na quarta-feira (7/7), o secretário de Estado da Saúde, Ismael Alexandrino, anunciou que Goiás passa agora a destinar 100% das doses das vacinas contra a covid-19 à ordem decrescente de idade. Como foi possível chegar a essa definição? Como passam a ficar os grupos prioritários a partir de agora no Estado?
Flúvia Amorim – Esta foi uma resolução CIB (Comissão Intergestores Bipartite). CIB é uma instância em que temos gestores de secretarias municipais de Saúde de Goiás e o gestor estadual, que é o dr. Ismael Alexandrino. Na decisão conjunta entre municípios e Estado ficou definido que 100% iriam para faixas etárias. 
 
De que forma? Caso pessoas nos grupos de idosos, portadores de comorbidades, trabalhadores da saúde, da educação, gestantes e puérperas ainda não tenham se vacinado por algum motivo, eles continuarão sendo prioridade. Mas não haverá mais necessidade de reservar doses para determinado grupo. Os grupos que citei continuarão a ser prioridade e os demais por faixa etária.
 
AR – Desde que o cardiologista Marcelo Queiroga chegou ao Ministério da Saúde, em muitos momentos a orientação tem sido para que Estados e municípios acelerem a aplicação de vacinas em primeira dose das novas remessas de imunizantes. Quando chegarmos ao final de agosto e início de setembro, quando muitas pessoas irão procurar a segunda dose contra a covid-19, gera alguma preocupação de uma possível falta de vacinas?
F.A. – Para a AstraZeneca, a Secretaria de Estado da Saúde tem feito a reserva da segunda dose. Inclusive, o carregamento que receberemos na próxima semana será todo para segunda dose já com a previsão de atender as pessoas que precisam receber a segunda dose principalmente no final de julho e começo de agosto. 
 
Para a vacina da Pfizer, ainda não temos reserva de segunda dose. É a única vacina que temos em aplicação que não há estoque de segunda dose. A Coronavac tem suas remessas divididas ao meio. Todas as doses recebidas da Coronavac são separadas em metade para a primeira dose e metade para a segunda. 
 
AR – Temos notado o comportamento de parte da população em chegar aos postos de vacinação, perguntar qual é a vacina disponível e ir embora sem receber a primeira dose. O exemplo de São Bernardo do Campo, de cadastrar e colocar essas pessoas no fim da fila, pode ser adotado em Goiás?
F.A. – É uma possibilidade. Inclusive, discutimos isso no COE (Centro de Operações de Emergências) de quarta-feira (7/7) junto com o Ministério Público Estadual (MP-GO), Ministério Público Federal (MPF-GO) e Defensoria Pública do Estado (DPE). Precisamos ver legalmente a viabilidade de algum mecanismo para coibir esse tipo de atitude.
 
O próprio município de Goiânia colocou no COE que isso tem gerado uma grande dificuldade nos agendamentos. Porque a pessoa agenda, tira a vaga de alguém, chega na hora e quando vê que não é a vacina que quer simplesmente não toma a vacina. Se recusa. Isso causa um atraso no avanço da vacinação no município. 
 
Pedimos apoio ao Ministério Público, que fará a avaliação se há algum impedimento legal para que realmente possamos tomar esse tipo de atitude.
 
AR – O secretário Ismael Alexandrino disse na semana passada que alguns municípios têm segurado doses para não parecer que ficam sem imunizantes muito rápido, às vezes em um ou dois dias. Esse medo de ficar sem doses para aplicar na população se justifica? É preferível que se utilize o quanto antes as novas remessas que são entregues?
F.A. – De forma alguma. É só usarmos a lógica. Já temos estudos que comprovam que algumas vacinas começam a dar certa proteção com a primeira dose. Quanto antes vacinarmos as pessoas, mais rápido elas ficarão protegidas. Se eu recebo doses e tiver condição de usar todas essas doses em um único dia, que assim façamos. Porque quanto mais rápido vacinarmos, mais rápido virá a proteção.
 
AR – As novas remessas de doses enviadas pelo Ministério da Saúde têm chegado com mais rapidez e em um período menor ou ainda está muito devagar dentro do que o Estado esperava aplicar diariamente? 
F.A. – Nas últimas semanas, principalmente na semana retrasada, recebemos remessas importantes, com quantitativos importantes de doses. Mas, é claro, o Brasil tem uma capacidade de vacinação muito maior do que essa, que não temos conseguido avançar por falta de imunizantes. Quanto mais vacinas chegarem, mais rápido conseguiremos atender toda a demanda.
 
AR – Ao mesmo tempo em que veio a nova resolução do CIB de aplicar 100% das doses por faixa etária, houve um questionamento do MP, MPF e DPE sobre a autorização para os municípios incluírem novas categorias nos grupos prioritários de vacinação. É uma questão que o Estado continua a discutir?
F.A. – Na verdade, com a nova resolução isso cai por terra. Porque agora definimos que não existe mais grupo prioritário. É simplesmente por faixa etária.

      
AR – O governador Ronaldo Caiado (DEM) anunciou em junho que toda a população adulta de Goiás estará vacinada até o final de setembro. É uma promessa possível de ser cumprida?      
F.A. – É possível de cumprir se recebermos doses em quantidade suficiente e de forma regular. É possível.
 
AR – O Estado chegou a anunciar no final do primeiro semestre que buscava a compra de vacinas Sputnik V, do Instituto Gamaleya. Em que pé está essa negociação?
F.A. – É uma negociação que segue os trâmites burocráticos. A parte técnica, que nos competia, já foi respondida. Agora resta superar os trâmites legais e burocráticos para a efetivação dessa negociação.
 
AR – Já se pode dizer com certeza que precisaremos fazer campanhas anuais ou a cada dois anos de vacinação contra a covid-19, assim como ocorre no caso da vacina contra a gripe?
F.A. – Isso já é praticamente certo. Teremos sim campanhas anuais de covid-19, assim como acontece com a influenza.
 
AR – Como está a campanha de vacinação contra as gripes, a mais lembradas delas a H1N1, em função da imunização contra a covid-19? É uma campanha que ficou um pouco apagada pela gravidade da pandemia da covid-19?
F.A. – Está muito apagada. Apesar de Goiás ter uma das melhores coberturas contra influenza do país, entre o segundo e o terceiro lugares, ainda assim muito baixa. Fizemos um Dia D no sábado retrasado (3/7), com vários municípios realizando seu Dia D de imunização. Goiânia vacinou cerca de 30 mil pessoas, o que é uma vacinação muito boa, bem considerável. Estamos finalizando o registro para verificar o quanto conseguimos avançar na vacinação contra gripe no Estado de Goiás.
 
AR – A população tem notado que os municípios adotam cada um uma faixa etária de vacinação contra a covid-19. Goiânia reduziu a idade ontem para 42 anos, enquanto Aparecida de Goiânia abaixou a faixa etária para 37. E isso gera questionamentos sobre a diferença de idade na imunização entre municípios vizinhos, por exemplo. É possível explicar o que gera esse momento diferente na vacinação entre uma cidade e outra?
F.A. – Posso falar dois fatores que são os principais. Primeiro você tem quantidade de pessoas em determinada idade diferente nos municípios. Você não tem a mesma quantidade de pessoas de 40 anos em Goiânia proporcionalmente à sua população igual à de Aparecida na relação proporcional ao número de habitantes. Não são iguais, são diferentes, mesmo proporcionalmente.
 
O que as pessoas precisam entender e se preocupar – não só a população, mas também os gestores – é qual é o percentual da população acima de 15 anos que já foi vacinada. Por que digo isso? Temos situações nas quais um município esteja vacinando – vamos imaginar – 30 anos e outro imuniza 40 anos. Mas tem município vacinando 30 anos que a cobertura é muito menor do que a cidade que está imunizando a população com 40. 
 
Digo isso porque a quantidade de pessoas em determinadas faixas etárias é diferente nos municípios. Mais importante do que verificar a idade é saber qual o percentual da população que já foi vacinado. 
 
AR – O intervalo adotado para aplicação da segunda dose da AstraZeneca e Pfizer era o de dois meses e meio a três meses. Agora algumas cidades começam a anunciar a antecipação da segunda imunização em decorrência do avanço da variante delta do coronavírus. Até que ponto antecipar a segunda dose é uma estratégia acertada?
F.A. – Saíram estudos recentes que mostram que as vacinas Pfizer e AstraZeneca têm boa proteção inclusive com a primeira dose. Esses estudos, principalmente com a Pfizer, não mostram a necessidade de antecipação. Também não para a AstraZeneca. Para a AstraZeneca, por que o intervalo de 12 semanas? Porque estudos mostraram que a eficácia é maior com 12 semanas do que com quatro. Por isso, orientamos 12 semanas.
 
AR – Em outros Estados, grupos de médicos chegaram a discutir uma possibilidade de se autorizar a aplicação de uma terceira dose da vacina, especificamente da Pfizer, nos profissionais de saúde pelo risco de contágio na linha de frente. É uma discussão que já existe em Goiás?
F.A. – Ainda não. Mesmo porque ainda não temos estudos que comprovem isso. Precisamos aguardar os estudos para saber o que fazer. Alguns países da Europa começam a prever uma vacinação antes do inverno europeu. Eles avaliam, os estudos saem e nós avaliamos os resultados. 


AR – Qual é o tamanho do grupo de pessoas que não foi receber a segunda dose da vacina contra a covid-19 em Goiás? Qual é o nível de preocupação que essa situação causa?
F.A. – Preocupa. Se for uma pessoa para nós já é preocupante. Mas não é um percentual alto em relação a todas as pessoas vacinadas no Estado. Temos cerca de 5% do total de pessoas que receberam a primeira dose que ainda não receberam a segunda. A orientação que tem sido dada aos municípios é que façam buscas ativas, descubram com essas pessoas por que elas não tomaram a vacina e as orientem a se vacinarem. 
 
AR – Houve uma preocupação quando a taxa de ocupação dos leitos de UTI para covid-19 chegou a 90% em junho. Hoje caiu para 77%. A secretaria trabalha com tranquilidade neste momento com relação às internações ou já há uma preocupação com uma nova onda ou um repique da chamada segunda onda nos próximos meses?
F.A. – Não temos desativação de leitos. O que pode acontecer é, a partir do momento que começa a diminuir a utilização de leitos de UTI para pacientes com covid-19, destinar os leitos para utilizar no tratamento de outra doença, porque estamos com grande demanda reprimida por causa da covid-19. Mas, caso haja um aumento, nós voltamos a mobilizar esses leitos para covid. Porque o leito está lá, assim como o profissional, o respirador. O leito não é retirado da rede.
 
AR – O secretário de Estado da Saúde afirmou na semana passada que a pasta se prepara para possivelmente enfrentar um repique de alta de casos da covid-19 em Goiás no mês de setembro. Como a SES-GO tem se preparado para a possibilidade da chegada de uma elevação na ocorrência de casos?
F.A. – Assim como ocorre com as ondas de influenza todo ano, sabemos que com a covid-19 não será diferente. O que precisamos ficar sempre atentos e observar é que, com o avanço da vacinação, mesmo que aumente o número de casos, não amentem as internações e os óbitos. É um cenário que esperamos que ocorra no futuro.
 
AR – Parte da população que foi levada pelas informações falsas, principalmente no WhatsApp e Telegram, ficou com receio de tomar a vacina Coronavac. Mas, na prática, foi a vacina que ajudou a reduzir  consideravelmente os casos graves entre idosos no Brasil. O que dizer a quem ainda está com dúvida sobre se vacinar que quando chegar a vez dela é importante receber a vacina?
F.A. – A melhor vacina é a vacina no braço. Todas até hoje utilizadas demonstram segurança e eficácia. Com variações, claro. Não são todas vacinas iguais. Mas todas têm a sua segurança e a sua eficácia comprovadas. Independente do laboratório, quanto mais rápido nós vacinarmos a população mais rápido teremos um impacto na redução de óbitos, internações e mais rápido voltamos à nossa normalidade de antes da covid-19. 
 
AR – Com relação à discussão sobre o fechamento do hospital de campanha de Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal, é um assunto resolvido após os questionamentos do MPF?
F.A. – Não é a minha área de atuação. Não cuido da parte de assistência de leitos. Tenho dados gerais, mas não sou a responsável. Por isso, não saberia responder.

Leia mais:
Goiânia espera parecer do MP para colocar quem escolhe vacina no fim da fila

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por Augusto Diniz

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