Carla Lacerda
Goiânia – Nove dias, mata fechada, fazendas invadidas, reféns, rastro de crimes e uma população de pouco mais de 18 mil habitantes do interior do Brasil totalmente amedrontada com o rosto de um único homem: Lázaro Barbosa de Sousa, 32 anos, baiano de Barra do Mendes, um município igualmente minúsculo em tamanho como Cocalzinho de Goiás, que fica a cerca de 130 quilômetros de Goiânia, e para onde foram deslocados mais de 200 homens das forças de segurança de Goiás e do Distrito Federal.
A mobilização é para capturar o suspeito de matar quatro pessoas de uma mesma família, no último dia 9 de junho, em Ceilândia, no DF, e de cometer outra série de crimes em Goiás. Durante a fuga dos últimos dias, aliás, Lázaro fez mais três pessoas reféns e atirou no rosto de um policial militar goiano. O tiro pegou de raspão e o profissional já recebeu alta e passa bem.
De anônimo com passado de crueldade a pretenso protagonista de um "novo A Sangue Frio" (obra do jornalista Truman Capote que reportou a chacina da família Clutter, em 1959, no Kansas, Estados Unidos), Lázaro domina o noticiário. Informações, fotos e vídeos chegam constantamente aos jornalistas, como o abaixo, em que interlocutores narram a rotina de um foragido: barra de chocolate meia-aberta em cima da cama, copos plásticos de água jogados num chão marrom sujo, repelente, restos de comida, como banana e milho, sabonete, pasta de dente Sorriso, casca de mexerica ao lado de uma pilha de revistas, calça jeans e meias.
A data dos vídeos não foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), mas começaram a circular na internet na noite de quarta-feira (16). Ao que tudo indica, Lázaro invadiu novas propriedades rurais em busca de alimento:
Na mata foi traçado um raio de cerca de 15 quilômetros no povoado de Girassol, em Cocalzinho, onde a polícia diz estar Lázaro. O secretário de Segurança Pública em Goiás, Rodney Miranda, disse em entrevista coletiva ontem (16/6) que "em questão de horas, o suspeito será preso".