Logo

Autismo: o desafio do diagnóstico precoce

WhatsAppFacebookLinkedInX
02.04.2021 - 08:00:00
 
O autismo tem se tornado cada vez mais comum e não há algo que o possa prevenir, no entanto o diagnóstico precoce é fundamental para o bom desenvolvimento da criança.
 
Aproveito o início de abril, que é o mês da conscientização do autismo, para alertar a respeito da importância de não esperar o autismo “aparecer”.
 
Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) divulgados em 2020, uma em 54 crianças nascem com o transtorno de espectro autista (TEA).
 
No Brasil, ainda não se tem um dado confiável da prevalência desse diagnóstico na população. Porém, no Censo 2021, o IBGE coletará dados concernentes à população com deficiência, incluindo autistas, para atualizar os dados de prevalência do transtorno na população brasileira.
 
Apesar de essa ser uma medida importante na luta pelos direitos dos autista, será que a inclusão do autismo no Censo é suficiente? Temo que não. Infelizmente grande parte da população ainda não tem acesso ao diagnóstico e quando se tem, é tardio.
 
Estudos atuais têm demonstrado que é possível identificar sinais de alerta do transtorno de espectro autista, em muitos casos, a partir dos seis meses de vida. Apesar disso, no Brasil a maioria dos diagnósticos de autismo acontecem entre os quatro e sete anos de vida.
 
Isso se deve a alguns fatores, principalmente a falta de acesso à informação, o que leva à crença popular errônea de que “cada criança tem seu tempo”.
 
Assim como nos aspectos biológicos, o desenvolvimento da comunicação social atende a alguns padrões esperados em cada faixa etária. O atraso dessas habilidades não pode ser ignorado.
 
O diagnóstico do autismo é complexo e exige grande experiência do médico pediatra para notar os primeiros sinais e encaminhar para um especialista.
 
Não existem exames laboratoriais ou de imagem que detectem o autismo. O transtorno é diagnosticado por meio de observação clínica de déficits na comunicação social e padrões rígidos e repetitivos de comportamento.
 
Desde 2017, em consultas pediátricas pelo SUS, é possível identificar precocemente sinais de TEA para crianças de 16 a 30 meses. Portanto, ao perceber qualquer sinal de atraso no seu bebê, solicite a aplicação dessa avaliação ao seu pediatra.
 
Dos seis aos oito meses é esperado que o bebê consiga olhar quando chamam pelo seu nome e olhar para diferentes sons do ambiente, além de acenar com as mãos e bater palmas.
 
Aos nove meses, espera-se que a criança seja capaz de seguir com olhar o gesto de apontar de adultos, usar vocalizações para chamar atenção, reconhecer pessoas familiares e estranhar pessoas novas, além de apresentar expressões faciais de afeto e imitar sons.
 
Já aos 12 meses, a criança deve ser capaz de apontar para pedir o que deseja e mostrar coisas do seu interesse, seguir instruções simples e falar em torno de três palavras.
 
A ausência dessas habilidades no primeiro ano de vida deve ser levada a sério. Por se tratar de um transtorno do neurodesenvolvimento, cada segundo é precioso.
 
Diversos estudos destacam a intervenção precoce como fator fundamental para a melhora do quadro clínico do autismo, gerando ganhos significativos e duradouros no desenvolvimento da criança.
 
*Giovana Reolon Brasil é mestre em Psicologia com formação em terapia ABA para autistas
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Giovana Reolon Brasil

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]