Logo

Quando você para e pensa na vida

WhatsAppFacebookLinkedInX
09.07.2012 - 17:23:58


Dois episódios lamentáveis aconteceram na última semana em Goiânia. Duas mortes brutais, bárbaras e totalmente evitáveis que nos fazem refletir sobre o quanto a gente morre de graça. Sabemos que a vida é curta, que o tropeção idiota com a cabeça no meio fio pode nos tirar daqui, que a gente devia trabalhar menos e aproveitar mais, que nossa morte é inevitável e tudo mais. Sabendo de que não há escapatória, todos queremos morrer sem sofrimento, velhinhos e com a sensação de dever cumprido, com um belo legado, família unida e tudo em dia. Só que aqui é a vida real e o cheiro que emana dela nem sempre é agradável.

As perdas do jornalista Valério Luiz e do advogado Davi Sebba são de embrulhar o estômago. De deixar você triste por ter filhos. De pensar se foi mesmo uma boa ideia colocar alguém que você ama tanto na rua. O sonho de construir um ambiente saudável para sua prole, um mundo um pouquinho melhor daquele que você recebeu, vai para o saco. A sensação de impotência é gigante. A descrença, sem tamanho. A vontade de jogar tudo para o alto, indescritível.

Só quem não tem coração para não se emocionar com as imagens do pai Mané de Oliveira desesperado ao lado do carro do filho. Só quem não tem alma para não se indignar ao ver as fotos de Davi todo sorridente ao lado da esposa gestante. A vontade é de sair dessa loucura de mundo, deixar tudo para trás e ir para o mato, pegar as uvas no cacho. Qual a razão de viver esse corre louco se, sem mais e sem menos, você toma um tiro e tudo fica para trás? Não tem o menor sentido.

O que esperamos da polícia é celeridade. Não dá para deixar executor e mandante do crime de Valério soltos na rua. É questão de honra para a polícia goiana colocar em cana os responsáveis por tamanha desgraça. Assim como esperamos punição exemplar para quem baleou um pai de família no estacionamento do supermercado. Essa história de arma e tráfico de drogas não cola nem a pau. A pequena porção de maconha encontrada dias depois no local do crime não explica nada. Na verdade, só constrange ainda mais a corporação. E mesmo que Davi estivesse vendendo maconha, o que duvido muito, não teria justificativa para chegar atirando. Um cara pago pela sociedade não pode ser tão despreparado assim com uma arma na mão. Que lástima!

Meus sinceros sentimentos às duas famílias que foram brutalmente tolhidas do convívio com seus entes queridos. Qualquer um de nós poderia ter sido vítima de violência assim. Que os exemplos de Valério e Davi sirvam para que situações assim não se repitam jamais.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
lABORATÓRIO pÚBLICO - cIÊNCIA, pOLÍTICA E MEIO AMBIENTE
29.09.2026
Sem apocalipse ou redenção II

No último artigo por aqui, comentei das visões diametralmente opostas a respeito da inteligência artificial. De um lado, os otimistas tecnológicos acreditam que ela resolverá todos os nossos problemas; de outro, os tecnofóbicos já decretam para breve o fim da humanidade à medida que a IA rapidamente evoluir e sair de nosso controle. Argumentei que […]

Noite e Dia
28.09.2026
Armazém AZ apresenta mostra sobre Maria Abadia Haich em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Armazem AZ apresentou no último sábado (26/9), em Goiânia, a exposição Tessituras: Histórias de Bá, dedicada à trajetória de Maria Abadia Haich, co-fundadora da loja e personagem ligada à formação e à difusão do design brasileiro na cidade. Construída a partir do olhar de seus seis netos, com coordenação de […]

Curadoria Afetiva
27.09.2026
Códigos atemporais

Há uma contagiante efervescência cultural, como costumávamos caracterizar o circuito social na década de 80, que, curiosamente, vem se reprisando na capital goiana. Salões de arte, mostras de artistas renomados (estejam eles vivos ou mortos), apresentações públicas e privadas de espetáculos clássicos, caricatos e criativos. Aparentemente, um despertar coletivo que contamina, no bom sentido, todos […]

Joias do Centro
25.09.2026
Avenida Goiás: a linha que desenhou o coração de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Há avenidas que levam a algum lugar. E há aquelas que, antes mesmo de serem abertas, já foram concebidas para dizer alguma coisa sobre a cidade. Em Goiânia, a Avenida Goiás pertence à segunda categoria. Desenhada no plano original da capital pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, ela nasceu como […]

Noite e Dia
25.09.2026
Evento apresenta primeira mostra de Di Cavalcanti para convidados em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Cerrado Galeria realizou nesta quinta-feira (24/9) a abertura exclusiva para convidados da apresentação do novo ciclo expositivo da galeria, que traz pela primeira vez à Goiânia obras do renomado artista Di Cavalcanti, além da primeira individual do goianiense Walter Pimentel. As mostras Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista, e Anímica e […]

Noite e Dia
21.09.2026
Jardim Potrich une Yoga, cerâmica e arte em programação especial; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Jardim Potrich abriu suas portas para uma programação que aproxima duas práticas aparentemente distintas — Yoga e cerâmica — a partir de um território comum: a presença. No dia 12 de setembro, o jardim recebeu “Beta & Bia no Jardim”, uma manhã dedicada ao movimento, à respiração e à consciência […]

CURADORIA AFETIVA
20.09.2026
Da Tranquilidade botânica

“No entanto, o sábio não pode desprezar os maus, porque, em todos os tempos, as condições morais quase sempre são as mesmas. Se o mal é uma necessidade da vida, da qual os homens não podem subtrair, não se deve odiá-los, mas aprender a respeitá-los.” (Da tranquilidade da alma, Sêneca) A palavra mal vem do […]

Joias do Centro
18.09.2026
Praça Cívica preserva a ideia de ágora onde Goiânia encontrou sua identidade

Carolina Pessoni Goiânia – Antes de Goiânia existir como cidade, ela já existia como desenho. E, nesse desenho, havia um ponto destinado a concentrar o poder, organizar os caminhos e criar um lugar de encontro. Era a Praça Cívica, concebida pelo urbanista Attilio Corrêa Lima como o centro administrativo da nova capital. A ideia, segundo o […]