A Redação
Goiânia –
As aulas presenciais da rede estadual de ensino de Goiás foram iniciadas em 25 de janeiro com 8% das 1.010 unidades desenvolvendo atividades em regime híbrido – algumas na escola e outras por meio remoto. Agora, já são 12% das unidades atuando nesta modalidade, segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seduc). As outras seguem desde o dia 21 de janeiro o regime adotado desde março do ano passado em decorrência da pandemia de covid-19, com aulas não presenciais.
A secretaria avalia que, mesmo em ano atípico, as medidas adotadas foram adequadas ao aprendizado dos estudantes da rede. Algo que o órgão confirma com dados de um estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas Social (FGV Social), no final do ano passado. Com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid-19, a pesquisa “Tempo para escola na pandemia” indicou que alunos e alunas de Goiás de 6 a 15 anos tiveram uma média de 2,6 horas de estudo por dia útil. A média nacional foi de 2,37 horas diárias e a do Distrito Federal foi de 2,96.
A pesquisa da FGV mostrou como as dificuldades do isolamento social e o ensino não presencial diminuíram o tempo de estudo das crianças e adolescentes. Segundo a Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDB), a carga horária mínima do estudante é de quatro horas diárias. Com a suspensão das aulas presenciais, no entanto, as escolas tiveram que se reinventar para continuar atendendo os alunos e nem todas tiveram êxito nessa tarefa.
Segundo a pesquisa, a falta de atividades escolares entre os estudantes foi mais relacionada à falta de oferta de conteúdo pedagógico, por parte das redes escolares, do que a problemas de interesse por parte dos alunos. Enquanto 13,5% dos estudantes não receberam materiais dos gestores educacionais e professores, apenas 2,88% não utilizaram os materiais que receberam por alguma razão pessoal.
Ainda de acordo com o estudo da FGV, a falta de acesso à internet foi uma das principais barreiras ao ensino remoto no país. Para reverter esse quadro, 11 Estados brasileiros ofertaram aulas pela televisão, dentre os quais se inclui Goiás.
Desde o mês de maio de 2020 é transmitido pela TV Brasil Central o programa Seduc em Ação. A proposta do governo estadual levou aulas para estudantes que tinham dificuldades em acessar a internet. O programa apresenta cursos de diferentes componentes curriculares, para as diferentes séries. Diariamente, às 10 horas, são ministrados conteúdos para o ensino médio e, às 15 horas, são transmitidas as aulas para o ensino fundamental.
Mais ações
Outra ferramenta utilizada pelo governo estadual para garantir o ensino-aprendizagem aos alunos foi a criação do Portal de Conteúdo NetEscola. Uma página com conteúdo para os ensinos fundamental e médio, Educação de Jovens e Adultos e preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além dos professores e estudantes da rede estadual, profissionais de outras redes de ensino passaram a acessar as videoaulas, listas de exercícios e materiais didáticos-pedagógicos disponibilizados.
Além disso, durante o período das aulas não presenciais de 2020, o Estado fez o repasse de 1.136 smartphones para a Seduc com o objetivo de atender a alunos da rede que não têm acesso à internet. A iniciativa foi possível a partir de parceria estabelecida com a Secretaria Especial da Receita Federal em Goiás, por intermédio da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), e a empresa Vector Mobile.
Os estudantes que não tinham acesso à internet tiveram também outra possibilidade de continuar os estudos. Durante o Regime Especial de Aulas Não Presenciais, semanalmente eram enviadas listas de atividades e cartilha de conteúdo para que os alunos continuassem o ano letivo. A entrega desse material se deu utilizando os motoristas do transporte escolar, com a entrega de atividades nas unidades escolares e também com a ajuda da comunidade escolar.