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Todos querem ser o iPad

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27.06.2012 - 19:36:57

Craig era um cara talentoso, mas fracassado. É um manipulador de marionetes, atividade que, por mais interessante que possa ser, não é das mais rentáveis. É casado com uma mulher que não é exatamente bonita. Ou seja, leva uma vida daquelas que não terminam em verbete de enciclopédia. Decide, então, arranjar um emprego e acaba em uma empresa instalada no improvável sétimo e meio andar de um prédio. Lá, encontra uma passagem que o leva a assumir a identidade de outra pessoa.

Esta é a premissa básica de Quero Ser John Malkovich, filme de 1999 roteirizado por Charlie Kaufman, o mesmo de Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças e Adaptação. Mas não é só Craig que deseja ser John Malkovich. Em pouco tempo, ele percebe que muita gente pagaria uma grana boa para estar na pele do ator por 15 minutos. Supostamente, a vida da celebridade seria bem mais interessante que a das pessoas comuns, mesmo que, na prática, as coisas não sejam dessa forma.

Onze anos depois de Quero Ser John Malkovich, um objeto tão improvável como o roteiro do filme chegava sob desconfiança dos críticos, que o consideravam natimorto, mas que, em pouco tempo, provou ser capaz de criar uma revolução. Hoje, tal objeto faz muita gente correr atrás da passagem secreta que abre as portas para uma vida muito mais interessante. Dois anos após o lançamento, não é exagero dizer: todos querem ser um iPad. Ou, no mínimo, se transformarem no “matador do iPad”.

Muitos tentaram. Alguns se transformaram em fracassos maiores que Craig. Como o TouchPad, da HP. Sem contar os milhares de modelos made in China, encontrados nos melhores camelôs da cidade. Outros modelos obtiveram alguma notoriedade, como o Galaxy, da Samsung. Mas todos ainda comem poeira frente ao tablet da Apple.

Há pouco mais de uma semana, chegou ao mercado outro concorrente: o Surface, da Microsoft. Pela primeira vez, a gigante dos softwares mergulha de cabeça também no hardware, em um modelo de negócio similar ao da Apple (mais uma vez, emulada). O mais recente candidato a matador do iPad acaba de ser lançado nos Estados Unidos: o Nexus 7, da Google.
 

Nexus 7, da Google, mais um candidato que entra no ringue dos tablets (foto: divulgação)

A briga é de cachorros grandes e o osso em disputa é apetitoso. Só no primeiro trimestre deste ano, foram vendidos, no mundo todo, 11,8 milhões de tablets. O banquete se completa com os bilhões de dólares em música, livros e aplicativos que passam pelos dispositivos. O iPad continuou soberano, com 68% do mercado, segundo os dados da IDC, empresa de pesquisa especializada em tecnologia. Mas a participação da Apple já foi maior, quase monopolista.

A tarefa dos concorrentes não será nada fácil. Até agora, os matadores conseguiram trazer muitas novidades para o campo em que o iPad reina soberano e alguns até trazem recursos mais interessantes que os do iPad, como entradas USB, teclado (no Surface), além de não prenderem o usuário às amarras da Apple, que praticamente obriga os donos de seus tablets a consumirem tudo dentro de seu próprio universo. Mas, até agora, ninguém conseguiu repetir o veneno da maçã.

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por Rodrigo Hirose

*Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia

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