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Clima ameno marca primeiro debate entre candidatos a prefeito de Goiânia

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08.10.2020 - 23:41:49
Théo Mariano
 
Goiânia – O primeiro debate entre os candidatos a prefeito de Goiânia foi marcado por clima ameno entre debatedores. O encontro, promovido nesta quinta-feira (8/10) pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), foi realizado com os sete nomes melhor avaliados na pesquisa Serpes do dia 26 de setembro e teve duração de quase 3 horas. O embate contou com poucas trocas de farpas entre os prefeitáveis. Estiveram presentes Alysson Lima (Solidariedade), Delegada Adriana Accorsi (PT), Elias Vaz (PSB), Fábio Júnior (UP), Maguito Vilela (MDB), Vanderlan Cardoso (PSD) e Virmondes Cruvinel (Cidadania).
 
O encontro foi dividido em três blocos: o primeiro para considerações iniciais e abordagem de temas escolhidos – sorteados entre os debatedores – pela Acieg; no segundo, cada candidato respondeu a duas questões de representantes da Associação; e, por fim, os prefeitáveis foram sorteados para perguntar e responder uma questão cada.
 
Após as considerações iniciais, cada candidato foi escolhido para abordar um tema específico dentre nove selecionados pela Acieg. O primeiro a responder foi Fábio Júnior, que comentou sobre "Tributos e Créditos" na capital. Para ele, “o IPTU pode, à medida que é colocado de forma progressiva, cria-se condições para angariar recursos para a prefeitura fazer política pública.”


Fábio Júnior (UP) / (Foto: Reprodução/Youtube)
 
Na sequência, a Delegada Adriana Accorsi foi sorteada para abordar "Saúde". Segundo a petista, deve-se “estruturar e fortalecer unidades de saúde básica”. “Precisamos também valorizar os profissionais da saúde, com estrutura digna para trabalhar e servir à população”, acrescentou. Após a prefeitável do PT, Virmondes Cruvinel abordou a questão da Mobilidade Urbana em Goiânia. “Quero ter independência para cobrar.” Segundo o candidato, deve-se utilizar a tecnologia para se ter mais opções de transporte com “rapidez e qualidade”.


Virmondes Cruvinel (Cidadania) / (Foto: Reprodução/Youtube)
 
Ainda no primeiro bloco, Alysson Lima foi discorreu sobre o tema “Mulher”. Ele ressaltou a necessidade de se criar caminhos para que a mulher alcance posição de "protagonismo". “Queremos fazer com que a mulher ocupe um espaço devido na sociedade”, enfatizou. O tema “Juventude e Esportes” caiu, então, para o pessedista Vanderlan Cardoso. Para o senador, precisa-se fazer parcerias com escolinhas privadas de esportes como forma de fomentar o setor. “Queremos levar isso para todos os bairros, com isso, criaremos oportunidades para o jovem se qualificar.”


Vanderlan Cardoso (PSD) / (Foto: Reprodução/Youtube)
 
Os dois últimos foram Maguito Vilela e Elias Vaz respectivamente. Ao emedebista, foi direcionado o tema “Educação, Diversidade e Inclusão Social”. Maguito destacou a importância da educação e prometeu zerar o déficit de vagas em Cmeis com "investimento pesado”. Já para o pessebista, foi sorteado o assunto “Burocracia, Legislativo e Simplificação”. Elias Vaz acredita que “um dos grandes problemas que nós temos hoje é a performance da estrutura pública que é totalmente inadequada”. “É nítido que, embora Goiânia tenha mais de 40 mil servidores, praticamente nenhuma política pública funciona de forma eficiente”, disse ao sugerir ser necessário um “choque de gestão” em Goiânia.


Elias Vaz (PSB) / (Foto: Reprodução/Youtube)
 
Bloco de perguntas
O primeiro sorteado durante o segundo bloco do debate foi Maguito Vilela, que foi perguntado sobre a redução de impostos municipais. O emedebista foi categórico ao negar qualquer possibilidade de se ampliar a tributação em Goiânia. “Reduzir, sim, há possibilidade, e vamos estudar com muito critério, mas aumentar, jamais”, declarou. Na sequência, a questão, desta vez sobre estratégias de desenvolvimento do turismo em Goiânia, foi para Vanderlan Cardoso. Para o senador, deve-se dialogar com o segmento e trabalhar maneiras para se reduzir impostos como forma de retomada ao setor. “Temos aqui o circuito da moda, que gera milhares e milhares de empregos”, observou o pessedista.
 
Logo após, Elias Vaz respondeu pergunta sobre como reparar o prejuízo acadêmico causado aos alunos da rede municipal pela pandemia do novo coronavírus. Segundo o prefeitável do PSB, “ainda não se sabe” quais serão todos os desfechos da pandemia. “O problema da educação é muito mais profundo”, enfatizou. Em seguida, foi a vez da Delegada Adriana Accorsi, que respondeu sobre o desenvolvimento de micro e pequenas empresas na capital. “Além da parceria, de fornecer infraestrutura necessária, temos que ter políticas públicas de incentivo para a melhoria”, avaliou. “É um momento de abrir portas e abrir vagas.”


Delegada Adriana Accorsi (PT) / (Foto: Reprodução/Youtube)
 
Depois de novo sorteio, Alysson Lima respondeu pergunta sobre sustentabilidade. Para o candidato, “Goiânia não pode ser uma cidade que cresça de forma aleatória”. “Podemos criar indústrias limpas, tecnológicas, hi-techs, com qualidade”, acrescentou ao abordar também o desenvolvimento da capital. A resposta do deputado estadual foi sucedida pela de Fábio Júnior, que abordou questão sobre a reforma tributária. Para ele, é “fundamental fazer reforma tributária progressiva para que a população não arque com altos preços”.
 
Por fim, Virmondes Cruvinel comentou o fomento à saúde como negócio. O prefeitável reforçou compromisso de lutar para que a capital seja pioneira no recebimento da vacina da covid-19. “Os recursos que chegaram para a Saúde da capital não foram aplicados de forma correta”, disse. 

No bloco, os candidatos ainda trataram outros temas como tecnologia e inovação; amparo ao empresariado; regularização de imóveis; racionalização do IPTU; qualificação de empresários da moda; competitividade em empresas de tecnologia; e Saúde.

 
Embate entre candidatos
No bloco final, os candidatos foram sorteados para fazer uma pergunta e responder outra. O momento, costumeiramente marcado por alfinetadas, acabou se dando com clima ameno entre os prefeitáveis. A primeira questão, esta sobre as propostas para o transporte coletivo, foi de Fábio Júnior, que teve Maguito Vilela como respondente. 
 
Segundo o candidato emedebista, o transporte coletivo é “deficitário em todo o Brasil”. “No nosso caso, tem um Estado envolvido, a lei é estadual, tem as prefeituras da Região Metropolitana, e é difícil chegar-se a um acordo com todos os entes responsáveis”, disse. Maguito afirma querer liderar o diálogo com os envolvidos no serviço do transporte coletivo para se encontrar “um ponto de equilíbrio”.


Maguito Vilela (MDB) / (Foto: Reprodução/Youtube)
 
Na réplica, Fábio Júnior disparou que, em Goiânia, “o transporte é uma máfia”. “Não temos noção de qual margem de lucro, como direcionam as verbas. É tudo muito obscuro”, disse. “É um absurdo não se ouvir que exista uma proposta para resolver o problema. Na minha opinião, precisa-se romper os contratos do transporte coletivo, para que ele seja municipalizado e faça uma reestruturação de preços”, avaliou.
 
Em seguida, a Delegada Adriana Accorsi questionou Alysson Lima sobre suas políticas para habitação na capital. De acordo com o candidato, “há falta de transparência nos programas habitacionais desenvolvidos para o critério de sorteios”. “A próxima gestão precisa corrigir isso colocando programas habitacionais que sejam alinhados ao povo goianiense”, disse o candidato, que ressaltou a necessidade de se requalificar espaços irregulares para direcioná-los à população. “Moradia popular é um direito social garantido na Constituição Federal, e hoje Goiânia oferece ações públicas politiqueiras no tema.”


Alysson Lima (Solidariedade) / (Foto: Reprodução/Youtube)
 
Na réplica, Adriana Accorsi classificou o assunto de moradia como um “drama na vida de várias pessoas”. “Queremos gerar o déficit de cerca de 30 mil famílias esperando a casa própria”, afirmou. A candidata também citou o programa “minha casa” e a criação de conjuntos habitacionais próprios para pessoas idosas. “Teremos política pública de moradia com dignidade.”
 
Dando sequência ao debate, Vanderlan Cardoso e Virmondes Cruvinel foram sorteados para, respectivamente, perguntar e responder. O pessedista questionou o deputado estadual sobre seus planos para geração de emprego e renda na capital. Para o candidato do Cidadania, “a prefeitura deve estar atenta também para investir nas vocações da cidade. Hoje a capital tem vocação para comércio e serviços”, disse. “É preciso capacitar as pessoas que estarão no mercado de trabalho num momento pós-pandemia”, disse ao citar possíveis parcerias com o Sistema S e a necessidade de se resgatar pautas do empreendedorismo na capital.
 
Vanderan Cardoso, na réplica, afirmou que o problema é “criar oportunidade para as pessoas trabalharem, se qualificarem próximas de suas casas”. “Se as pessoas trabalharem perto de suas casas, no mínimo 30% da lotação nos transportes irá diminuir”, assegurou.
 
Dando sequência às perguntas entre candidatos, o emedebista Maguito Vilela questionou Vanderlan Cardoso sobre seus projetos para a saúde nos próximos dois anos. Em sua resposta, o senador afirmou que a base principal para se investir é o programa Saúde da Família. “Nossa meta é investir para chegarmos a cobertura [de saúde] em 100%”, continuou. “Faremos esforço concentrado para resolver o problema das cirurgias eletivas, paralisadas devido à pandemia”, acrescentou. Segundo Vanderlan, deve-se ter gestão com recursos “muito bem aplicados”. “Podemos avançar ainda mais utilizando a tecnologia na Saúde.”
 
Na réplica, Maguito Vilela citou a criação de centros de especialidades médicas poderá desafogar os Cais de Goiânia. O emedebista também sugeriu a criação de prontuário eletrônico. “Precisa-se, de fato, ter a cobertura total de todos os munícipes, mas também deve-se implantar o hospital municipal de Goiânia”, destacou.
 
Na antepenúltima pergunta entre candidatos, Elias Vaz questionou a Delegada Adriana Accorsi se sua administração seria igual à última gestão dos petistas na capital. Na resposta, a delegada comentou sua trajetória enquanto servidora pública em Goiânia. “Precisamos dialogar para fornecer a estrutura necessária aos agentes públicos”, ponderou. “Nós teremos apuração a todo rigor, com punição àqueles que cometerem delitos”, afirmou a delegada. “Nossa marca é participação popular.”
 
Elias Vaz, em sua réplica, reforçou a necessidade do PT fazer “autocrítica nacional”. “Foram vários erros cometidos, seja do ponto de vista ético, seja do ponto de vista de várias bandeiras históricas do país”, disparou ao citar que o partido não se virou à taxação de grandes fortunas enquanto esteve no poder. “É preciso se ter um discurso e ter transparência.”
 
Próximo do fim, Virmondes Cruvinel perguntou a Fábio Júnior sobre suas propostas para o momento de pandemia e pós-pandemia em Goiânia. De acordo com o candidato do UP, o plano de governo de partido para a capital aborda a projetos com foco no amparo aos cidadãos no momento de pandemia. “A discussão sobre saúde é essencial. O prefeito Iris Rezende teve pouco papel de vanguarda para resolver os problemas de nossa cidade”, avaliou.
 
Na réplica, o Virmondes Cruvinel disse que é preciso “ter iniciativa para se preparar para este novo momento”. “Precisamos diminuir burocracia na prefeitura para que empresas possam continuar gerando emprego”, pontuou. Segundo o candidato, é preciso avançar na pauta da educação na pandemia. Virmondes, na sequência, alfinetou o senador Vanderlan Cardoso e frisou que, caso eleito, permanecerá no mandato pelos 4 anos.
 
Na última pergunta, Alysson Lima perguntou sobre mobilidade urbana a Elias Vaz. Para o deputado federal pessebista, o governo é omisso nas discussões em relação ao transporte coletivo goiano. “O caixa vai ficar na mão da prefeitura, quem vai fazer arrecadação é a prefeitura”, defendeu. “Não podemos permitir o transporte seguir como está”, afirmou ao enfatizar que deve-se pagar empresas por quilômetro rodado. “O poder público deve assumir de vez o seu papel de gestor.”
 
O candidato ALysson Lima, na réplica, iniciou com uma avaliação de que mobilidade urbana “vai além dos ônibus”. “Eu quero a responsabilidade e vou mostrar para a sociedade que conseguimos melhorar o transporte coletivo”, afirmou. Na sequência, o candidato direcionou sua fala a Maguito Vilela, tecendo críticas às obras realizadas por Iris Rezende na capital.
 
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por Théo Mariano

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