Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – O Espaço Cultural da Associação Goiana de Imprensa (AGI), que fica no térreo do Edifício Palácio do Comércio, Sala 15, no centro, está mais completo, com a chegada das obras da biblioteca particular do advogado Durval Pedroso, uma das maiores de Goiânia, em torno de seis mil livros e jornais. O acervo, com obras raras, adquiridas em livrarias especializadas, literárias e do Direito Penal, área a que o falecido legista se dedicou, foi doado pela viúva, professora Virgínia Ferreira Fonseca Pedroso, e pelos três filhos. Para a família, havia uma grande preocupação em conservar esse rico material, oportunizar sua consulta por estudiosos e pesquisadores e preservar a memória do jurista.
A biblioteca já está à disposição do goianiense. O presidente da AGI, Valterli Guedes, que recebeu a doação e a organizou no novo espaço, em prateleiras também cedidas pela família do advogado, anunciou que o ato inaugural será realizado tão logo sejam possíveis eventos públicos, abertos, quando a Associação pretende prestar homenagem ao causídico, dando seu nome àquele local.
Quem foi
Falecido em 7 de junho de 2019, Durval Pedroso era mineiro de Morada Nova, quando morou em uma fazenda. Mudou-se com a família, ainda criança, para Ceres, GO, onde seu pai era comerciante, e atuou como contador. Depois, transferiu-se para Goiânia, para fazer o Curso Técnico de Contabilidade, no Colégio Cinco de Julho, e continuou a trabalhar na área. Militou na política estudantil e foi preso em 1964, no período militar, quando estudava na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás, fato que contribuiu para sua afirmação pessoal e profissional. Nunca se dedicou à política e nem ao Setor Público. Concluiu o Curso de Direito em 1969, ingressou na advocacia, à qual dedicou toda a sua vida, e nunca deixou de atender quem o procurasse, mesmo se a pessoa não tivesse condições financeiras de remunerá-lo. Para ele, toda pessoa tem direito à liberdade.
Estudioso, conhecia profundamente o Direito, e tinha especial apreço pelo jornalismo, pois gostava muito de escrever. Trabalhou no jornal “Cinco de Março”, tendo sido diretor administrativo da empresa. Editou revistas especializadas, impressas em São Paulo, para vários órgãos públicos, como o Departamento de Estradas de Rodagem de Goiás e a Centrais Elétricas de Goiás.
Durante o período em que atuou como advogado, seu escritório ficava no edifício Carlos Chagas, no Centro, próximo do advogado José Roberto da Paixão, e com o tempo reservou uma parte daquele local para organizar os seus livros, que tinha lido todos, e jornais, agora doados à AGI e que já constituem a Biblioteca dr. Durval Pedroso.
Ele se casou com a professora Virgínia Ferreira Fonseca, que se graduou em Ciências Sociais pela UFG, trabalhou na Caixa Econômica do Estado de Goiás, foi professora do Estado e atuou, por 43 anos, como professora na Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Nas três gestões do prefeito Nion Albernaz em Goiânia foi coordenadora dos programas sociais da Fundação Municipal de Desenvolvimento Comunitário (Fumdec), trabalhando com a professora Geralda Albernaz.
O casal teve três filhos, todos assinando Ferreira Fonseca Pedroso: Durval, médico intensivista e geriatra, atual diretor técnico e de UTI do Hospital Geral de Goiânia (HGG); Rodrigo, engenheiro, com especialização em energia, residente em São Paulo, onde trabalha com produção e comercialização de energia, e conclui curso na Universidade Harvard, nos Estados Unidos; e Frederico, também engenheiro, especialista nas áreas de Transportes e Gestão de Riscos de Desastres, com Mestrado pela Universidade de Brasília, Doutorado pela Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, e pós-doutorado pela Universidade de Kyoto, no Japão, e atualmente trabalhando no Banco Mundial, em Washington.
Durval Pedroso deixa seis netos e netas: Moema e Cecília, da união de Durval e Alessandra Ribeiro Pedroso; Maria Eduarda e Rodrigo Filho, do casamento de Rodrigo e Fernanda de Freitas Sales Pedroso; e Matheus e Davi, da união de Frederico e Aline Eloyse Lang. Homem simples, sem vaidades, levou uma vida modesta, na qual o maior prazer foi ser expectador ativo e orgulhoso dos caminhos que seus filhos traçavam e da família que construiu com Virginia.