A Redação
Goiânia – A Polícia Federal de São Paulo abriu inquérito, na terça-feira (28/7), para apurar denúncias sobre possível adulteração da gasolina de aviação importada dos Estados Unidos pela Petrobras. A investigação foi motivada depois que pilotos de diversos estados brasileiros, incluindo Goiás, perceberam danos e corrosões em tanques de combustível, além de vazamentos em aeronaves de pequeno porte.
Em Goiás, quatro aeroportos relataram o problema: Aeródromo Nacional de Aviação (3 relatos); Aeroporto Santa Genoveva/Goiânia (1 relato); Aeroporto de Formosa (1 relato) e Aeroporto de São Miguel do Araguaia (1 relato). Ao todo, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já registrou 110 relatos de pilotos em 49 aeroportos do país.
Segundo o advogado e professor de direito aeronáutico Georges Ferreira, neste momento, o mais prudente é não decolar com a gasolina que está sob investigação, considerando os riscos que ela pode trazer, inclusive de queda.
“As associações ligadas à aviação entendem que não é seguro decolar com essa gasolina investigada. O recomendado é aguardar as apurações para saber se, de fato, ela está adulterada”, orienta o especialista. Ele ressalta que, muito mais que danos mecânicos, esse combustível pode trazer sérias complicações ao motor, podendo levar até mesmo ao apagamento da aeronave.
Ferreira acrescenta que algumas distribuidoras estão providenciando a troca do lote deste combustível de forma escalonada e informando aos operadores, garantindo que a nova gasolina é 100% segura.
Interrupção de fornecimento
Segundo a Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves (AOPA), no Brasil, cerca de 12 mil aeronaves de motor a pistão usam a gasolina em questão para voos de táxi aéreo, particulares ou de instrução no país.
No dia 13 de julho, a Petrobras decidiu interromper "preventivamente" o fornecimento de um lote da gasolina de aviação importada após testes realizados em seu centro de pesquisas. Em nota, o órgão confirmou que houve uma alteração na composição dos componentes aromáticos da gasolina analisada, mas não se sabe se foi isso que causou os danos nos aviões e não há um laudo divulgado pro setor ou algo do tipo.