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Um ano de oportunidades

17.07.2020 - 17:49:32
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Quem fala que o ano de 2020 está perdido, no que diz respeito à economia, realmente não soube aproveitar as oportunidades. As inúmeras tentativas de quarentena, muitas vezes frustradas, mantêm lojas fechadas por um bom período. Muitos clientes, que tiveram seus empregos prejudicados, também podem ter reduzido o consumo. Entretanto, olhando do ponto de vista macro, 2020 será lembrado como um ano de mudanças e, para muitos, de forma positiva.

A ideia aqui não é falar sobre a nova forma de consumir, que envolve interação on-line, atendimento personalizado e soluções que facilitem a vida do cliente (como o delivery e drive-thru). Essas soluções já deveriam ter sido implantadas no Brasil há bastante tempo. Estamos atrasados nesse sentido. O que quero trazer para discussão é o planejamento econômico de curto, médio e longo prazo – questão que muitas vezes não faz parte da rotina do empresário nacional.

Para a economia brasileira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,3%. Já o governo federal fala em um recuo de 4,7%. Nos dois cenários, a perspectiva é bastante negativa. Brasileiros investidores da B3, que viram a bolsa de valores bater 100 mil pontos no ano passado, experimentaram queda de 29,90% da Ibovespa no mês de março, chegando a 73,019 pontos. No acumulado do ano até abril, a queda é de 30,31%. O que para uns foi prejuízo, para outros esta foi uma grande oportunidade de se tornar acionista de empresas com perspectivas de grande alta e o melhor, a preços bastante vantajosos.

As crises existem e mais cedo ou mais tarde vão chegar. Não adianta fechar os olhos para isso, pelo contrário: quem antecipa problemas consegue traçar as melhores soluções para encará-los de frente. Se você sabe que a economia tem altos e baixos, por que não se organizar para períodos mais difíceis? São posicionamentos estratégicos que fazem do seu negócio sólido ou vulnerável.
Algumas soluções são capazes de reduzir os impactos negativos da macroeconomia em uma empresa. Quem acompanha o mercado financeiro percebeu, por exemplo, a desvalorização do real frente ao dólar. A moeda norte-americana tem se destacado mundialmente. Isso não é recente e tende a não sofrer mudanças. Por isso, uma das soluções que ofereço aos nossos clientes é a internacionalização de parte do patrimônio em moeda forte, preferencialmente em países desenvolvidos e que tende a sofrer menos com as oscilações da economia mundial.

Para empresas familiares, que de acordo com o IBGE e o Sebrae representam mais de 90% do total de empresas no Brasil, uma boa alternativa pode ser as trusts. Quando criado, o interessado transfere seus bens para o trust, que encaminha a administração deles para um administrador de confiança. É neste momento que são definidas as regras que a instituição deverá cumprir em relação aos bens. São determinados, ainda, os beneficiários. A entidade é livre de impostos e caso não haja acordo quanto à financeira, é possível trocá-la. Por oferecerem proteção, segurança e privacidade, são atraentes e economicamente mais vantajosas.

As familiares são responsáveis por cerca de 65% do PIB brasileiro e empregam 75% dos trabalhadores nacionais, ainda assim, pesquisas mostram que 70% delas não da geração do fundador e 5% conseguem chegar à terceira geração.
A abertura de mercado externo também é um caminho que pode – e deve – ser explorado. Diferentemente do que muitos pensam, essa saída é completamente viável e traz resultados interessantes para quem busca incrementar seu negócio e ampliar o faturamento. Mais uma vez, é a moeda estrangeira à favor do empreendedor brasileiro.
 
No Brasil, além da questão econômica, temos uma pitada de instabilidade política, o que dificulta um pouco as coisas. O crescimento do País este ano será negativo e não posso fechar os olhos para isso. Mas, independente desses fatores, o planejamento empresarial estratégico é necessário e minimiza os impactos negativos que o ambiente externo podem trazer.
 
*Pedro Varella é economista e consultor financeiro na Aurum Global Advisory, empresa goiana de finanças.
 
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por Pedro Varella

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