Yuri Lopes
Goiânia – Depois de meses recomendando, fazendo elogios, indicando o uso e fazendo propaganda para a cloroquina no tratamento da covid-19, o presidente Jair Bolsonaro disse, durante live no Facebook na última quarta-feira (15/7), que não recomenda o uso do medicamento para tratar quem está com o novo coronavírus.
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"Recomendo que você procure seu médico", declarou Bolsonaro na live feita para informar que o segundo exame que fez também deu positivo para covid-19. "Estou medicado desde o ínicio com hidroxicloroquina. Tenho recomendação médica para isso. Estou me sentindo bem desde o dia seguinte. Não tive nenhum sintoma forte, uma febre pequena na segunda-feira retrasada, de 38 graus, um pouco de cansaço e dores musculares", falou o presidente aos espectadores.
Ao contrários de outras declarações anteriores, Bolsonaro ponderou que não há comprovação científica do uso da cloroquina para tratar doentes com cvovid-19. "Não estou fazendo nenhuma campanha, o custo é baratíssimo. Deve ser até por isso que existem algumas pessoas contra. Outras, pelo que parece, é uma questão ideológica", disse.
A comunidade médica e a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendam o uso da cloroquina porque o medicanento não apresentou qualquer indício de melhora de pacientes em casos leves ou graves de covid-19 em todos os estudos feitos até agora.
Recomendou, sim!
Por várias vezes, o presidente Bolsonaro recomendou publicamente o uso da cloroquina, seja em entrevistas, em lives ou em postagens feitas em suas redes sociais. Assim que foi diagnosticado com a doença do novo coronavírus, o presidente postou um vídeo tomando um comprimido de cloroquina. "Eu tomei a Hidroxicloroquina e estou me sentindo muito bem.".
O ministro da Saúde interino, Eduardo Pazuello, está no cargo há cerca de dois meses por ter aceitado obedecer as ordens de Bolsonaro para mudar o protocolo do SUS e recomendar o uso da cloroquina, inclusive em grávidas, crianças e pacientes no início da covid-19. Os dois ministros anteriores caíram após não terem aceitado dar aval a esta mudança. Luiz Henrique Mandetta foi demitido por Bolsonaro em abril e Nelson Teich pediu demissão 29 dias após tomar posse.