Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – Tocador de acordeon, que aprendeu sozinho e tirava as músicas só de ouvir sua mãe cantá-las, Jales Batista Naves, 74 anos, teve um enfarte, poucos anos atrás, e mais recentemente descobriu que estava com câncer no rim, não resistiu ao tratamento e faleceu no dia 1º deste mês, em Monte Carmelo, MG, onde nasceu e viveu. Deixou viúva Maria Abadia Cunha Naves, com quem teve dois filhos, Bruno e Andreia, e quatro netos.
“Uns vão dizer que a vida é um sopro, mas um bom sanfoneiro questionaria isso. Talvez diria que o sopro é produzido com um fole e que sem som a vida não teria cor, sem ritmo não teria movimento. Meu tio Jales deixou hoje a vida nesse planeta, vai para algum lugar além da minha compreensão, mas tenho uma certeza: leva consigo o som do acordeon que embalava as festas da família, alegra outro lugar com gente tão querida que o espera”, escreveu o sobrinho Murilo Naves.
Habilidade no campo
Mais velho de cinco irmãos, Jales nasceu em Monte Carmelo, em fazenda na região conhecida como comunidade dos Mateus, onde passou a infância e a juventude, ajudando o pai na lida rural, plantando lavouras e criando gado. Inteligente e hábil no manejo com o gado, Miguel sabia o momento certo de separar as vacas do boi, que fechava num espaço específico e só os juntava na noite de lua especial, na certeza de que as vacas iriam parir bezerras, que davam melhor resultado financeiro; e idêntico procedimento fazia com os cavalos, separando-os das éguas e só os juntando nessa lua especial, para terem filhos machos, com igual resultado. Tinha habilidade também no trato com a saúde, sendo sempre consultado pelos familiares e vizinhos quando não se sentiam bem e ele os medicava, indicando remédios caseiros, que ele mesmo produzia.
Na segunda metade do século passado, Miguel e seu irmão Cirineu Batista Naves se mudaram para Estrela do Sul, MG, para tentar a sorte no garimpo, e conseguiram uma pedra de diamante muito bonita, que lhes permitiu comprar uma terra maior. Em seguida, Cirineu decidiu buscar novos espaços e se mudou, com a família, para Goianésia, GO, onde nasceram os seus dois filhos, um dos quais, Gilberto Batista Naves, foi prefeito da cidade.
Depois que se casou com a conterrânea Maria Abadia Cunha, Jales se mudou para a cidade, quando passou a trabalhar com sistemas de bombeamento de água. O seu irmão Juarez mora em Santa Catarina, e a irmã Maria Helena em Campinas, SP.
A irmã caçula, Neusa Rosa Naves, fez Pedagogia e Mestrado em Educação na Universidade de Uberaba (UniUbe), trabalhou na Prefeitura de Monte Carmelo, por onde se aposentou e participou da criação da Fundação Carmelitana Mário Palmério (Fucamp), elaborando os projetos acadêmicos dessa instituição de ensino superior, depois a coordenando e atualmente orienta os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). É viúva de Valdomiro Cassiano de Oliveira, que foi corretor de imóveis, e eles tiveram dois filhos, Pablo e Murilo, e quatro netas.