A Redação
Goiânia – A Associação das empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) divulgou nesta sexta-feira (3/7) que vai recorrer da decisão que estabelece o isolamento intermitente nos serviços da construção civil. Na quinta-feira (2), a Ademi conseguiu um liminar para que a medida não fosse aplicada ao setor, mas ainda na noite de ontem uma nova decisão suspendeu os efeitos favoráveis para a Associação.
“É muito danoso vivermos numa insegurança jurídica. Precisamos restabelecer a ordem e a Justiça. Penalizar nossas empresas e permitir que as obras públicas sejam mantidas é inaceitável. As empresas investiram muito para preservar seus funcionários, adaptar suas obras cumprindo todas as normas de segurança preconizadas pelas organizações de saúde,” disse Roberto Elias, presidente da entidade.
Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) referentes ao estado de São Paulo, divulgados em junho, mostram que o número de infectados atingiu 1,15% do total de 50 mil trabalhadores. Segundo a Ademi-GO, no Brasil são mais de 2,5 milhões de trabalhadores presentes nos canteiros de obras.
Segundo a Ademi-GO, as empresas têm enfrentado a crise provocada pela pandemia da covid-19 mantendo os postos de trabalho e aplicando em suas obras medidas severas de controle e desinfecção. “Por ser uma atividade que não gera aglomerações e os ambientes das obras são extremamente ventilados, principalmente em obras verticais, a Ademi -GO não entende como sendo necessário envolver o setor na paralisação proposta pelo governo do Estado”, alegou.
A Ademi-Go alegou que “do ponto de vista operacional, é impossível mobilizar e desmobilizar obras a cada duas semanas”. “É impossível para as empresas que possuem em 100, 200, 300 funcionários pagar o salário do mês para os operários trabalharem apenas 14 dias. Esse decreto agravará substancialmente o problema de desemprego em Goiânia”, alertou.
Impasse
Para o engenheiro civil Idalino Hortêncio, que trabalha na área desde 1987, a construção civil de uma forma geral tem sofrido muito em Goiás e no Brasil. “Estamos confusos com as decisões dos decretos, que ora falam que somente podem ter continuidade as obras de infraestrutura dos contratos municipais, estaduais e federais, e agora todas podem voltar às suas atividades obedecendo às normas do Ministério da Saúde (MS)”, destaca o engenheiro.
O atual cenário impacta a construção civil para o pequeno empresário, que vive das reformas, para o médio empresário, que vive da construção de pequenas obras, e o para o empresário de grandes obras da construção civil. Idalino exemplifica que, se ele ou outro indivíduo tem um problema econômico ocasionado por uma pandemia, a primeira decisão é paralisar investimentos. “Ninguém vai deixar de se alimentar, tomar seus medicamentos ou deixar de fazer só mesmo gastos extremamente necessários para fazer investimento em imóveis. Por outro lado, o retorno de investimento também será o último, imagino que as pessoas só vão voltar a investir quando a economia estiver estabilizada e isso demanda tempo”, complementa.