Yuri Lopes
Goiânia – O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, estuda liberar, com restrições, mais atividades comerciais no próximo decreto de isolamento social no combate à covid-19, que valerá a partir da próxima segunda-feira (20/4). Em entrevista ao jornal O Popular, o governador afirmou que vai flexibilizar as restrições por causa da melhoria da estrutura hospitalar.
“A quantidade de leitos que tenho hoje nos dá condições de ir para um estágio acima…Não precisamos de fato ter a mesma rigidez necessária em Goiânia e no Entorno do Distrito Federal em Aparecida de Goiânia, por exemplo, onde temos menos casos. Esse mapeamento de cidade em cidade é relevante. E o decreto vai dizer que as medidas podem ser alteradas a qualquer momento”, explicou Caiado.
Outro ponto apontado por Caiado na entrevista para motivar a liberação de outros setores da economia é o efeito das medidas que foram adotadas a partir do primeiro decreto estadual, publicado no dia 13 de março, que definiu situação de emergência na saúde pública em Goiás.
Novo decreto
Ainda ao jornal O Popular, Caiado adiantou que o próximo decreto será mais no sentido de orientar as ações, inclusive aos prefeitos, que terão mais autonomia para definir as medidas de combate ao novo coronavírus.
“Pela decisão do Supremo, o meu decreto vai ser muito mais orientador. Foi bom o Supremo decidir isso. Não tem como você fazer um texto só que atenda os 246 municípios. Vai dar ao prefeito a autonomia para estabelecer seu plano de contingência e monitorar a tendência de contaminação. Não vai poder é ser irresponsável e depois sair correndo para ocupar leitos de quem foi responsável”, explicou Caiado.
O governador também disse que os colégios estaduais e grandes indústrias em Goiás continuarão a ter seus funcionamentos decididos por ele. “E eu não vou fazer nada que não seja embasado em estudos técnicos, da UFG, do Instituto Mauro Borges”, contou.
Segundo Caiado, o novo decreto terá dezenas de páginas com dados técnicos e recomendações aos prefeitos, que terão autonomia para definir as medidas. “O prefeito que não aceitar e quiser ampliar ou restringir, pode, considerando o nível de contaminação. É uma curva com a qual o prefeito vai ter de ter juízo. Ele terá capacidade de absorver? Se não tiver, vai responder depois ao Ministério Público e à Justiça.
Sobre a quantidade de atividades que terão seu funcionamento liberado, o governador disse que ainda não sabe qual será a porcentagem pois ainda não está com o decreto concluído. “Só vou terminar domingo”, declarou à jornalista Fabiana Pulcineli.
Mandetta
Após negar que irá assumir a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, será consultor do DEM nacional, de acordo com Caiado na entrevista. “O que eu não queria é que ele fosse para casa, considerando a competência e o know how dele. Prestar esse assessoramento ao diretório nacional é tão positivo quanto a minha proposta”, disse o governador.
Sobre o substituto de Mandetta no Ministério da Saúde, o oncologista Nelson Teich, Caiado falou que nunca o viu e que está sabendo dele agora. “Não posso dizer”.
Questionado se a entrevista dada pelo então ministro da Saúde ao Fantástico no último domingo, direto do Palácio das Esmeraldas, teria sido um movimento político de provocação de Mandetta a Bolsonaro, Caiado respondeu que não acredita nesta hipótese. “Ele não falou nada de mais, não acrescentou nada além do que já havia dito. Não houve nada impactante. Foi até morna porque afinal era domingo de Páscoa. Todos sabem que a saída foi pela falta de sintonia, de convergência. Aí fica difícil trabalhar. Ele já estava fragilizado por isso”, contou o governador.
Cotada para ministra
Cotada para assumir a Secretaria de Saúde de Goiás após a vitória de Caiado em 2018, a cardiologista goiana Ludmilla Hajjar também teve seu nome considerado para assumir a vaga deixada por Mandetta. Ao ser perguntado se a médica daria certo com o presidente Bolsonaro, Caiado disse, aos risos, que não sabe. Comentou ainda que falou com Ludmilla na última quinta (16) e ela falou sobre o perfil do novo ministro da Saúde.
“Trabalho não será perdido”
Após a nova previsão do Ministério da Saúde para o pico da covid-19 em maio ou junho, a liberação de alguns setores da economia poderia colocar a perder os esforços que foram feitos nas últimas semanas. Sobre isso, Caiado disse na entrevista que de forma alguma o esforço seria colocado a perder.
“Em um mês nós avançamos bastante na estrutura para atender os casos. Tendo um maior número de leitos, eu posso começar a flexibilizar. Agora um município acha que deve abrir tudo e de repente estoura. Não é apenas o governador. Agora ele vai ter de responder. Eu vou seguir monitorando a garantia de leitos. Se a curva mostrar um crescimento exponencial, trava tudo de novo. É algo que tem de ir calibrando de acordo com os dados”, declarou Caiado ao jornal.
Para Caiado, caso o isolamento social continue diminuindo, como em Goiânia, pelo mapeamento de telefonia celular, não haverá temor em voltar a decretar regras mais rígidas de isolamento para frear o avanço da covid-19. “Eu travo tudo. Vou pra cima. Tenho total tranquilidade no que estou fazendo porque não estou agredindo minha consciência em nada. Zero. Eu não vou perder o controle. Não vou. Calibrar é o que se tem de fazer na vida”, disse.
Pressões que emagrece
Sobre as pressões de vários setores do comércio para a flexibilização do decreto, Caiado falou que sua maior preocupação é por um bom resultado em Goiás que seja referência para o Brasil. “A disputa por salvar o maior número de pessoas é a disputa que me move. Quero ser o primeiro. Eu pesava 92 quilos e estou com 85. Perdi 7 quilos. Não estou dormindo direito”, considerou Caiado.
E a Região da 44?
Sobre a provável reabertura das lojas na região da Rua 44, no Centro de Goiânia, o governador disse que não deverá ser aceita a entrada de ônibus de excursão nem de comitiva de fora. “Vamos discutir um sistema que se assemelha ao que a Secretaria de Agricultura fez com as feiras. Vamos definir se há condições com segurança”, adiantou Caiado.