José Cácio Júnior
Buscando se antecipar à iniciativa dos parlamentares ligados ao governo federal, que querem a quebra de sigilo bancário do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) apresentará, durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito nesta terça-feira (12/6), o histórico financeiro de suas contas bancárias.
A informação não é confirmada pela assessoria do governador, mas pessoas próximas a Marconi afirmam que a entrega dos extratos bancários é uma das estratégias do tucano. Na opinião do presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra, a iniciativa é "sensata" e Marconi "deve ser objetivo e se prender aos fatos durante o depoimento", opinou.
A bancada do governo federal quer aprovar a quebra dos sigilos bancário, telefônico, fiscal e de sms (torpedo de texto) do governador. Além disso, Marconi apresentará os três cheques – dois de R$ 500 mil e um de R$ 400 mil – que recebeu pela venda da casa no condomínio Alphaville em Goiânia, onde Carlinhos Cachoeira foi preso pela Polícia Federal no dia 29 de fevereiro.
A agenda do governador em Brasília está sendo mantida em segredo. Assessoria e aliados não informam os passos do governador. Na capital federal desde domingo (10/6), o tucano tem definido com seu advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, as estratégias do depoimento à CPMI.
No domingo, os dois começaram a definir a linha da defesa. O governador irá relembrar sua trajetória política e explicar a venda da casa.
No início de março Marconi concedeu entrevista afirmando que vendeu a casa ao empresário Walter Paulo, por intermédio do ex-vereador Wladmir Garcêz (PSDB). Em depoimento à CPMI, Wladmir disse que havia pedido empréstimo para o ex-diretor da Delta Construções na região Centro-Oeste Cláudio Abreu para quitar a casa. Por sua vez, Walter Paulo afirmou ter quitado a casa à vista. O dinheiro, em notas de R$ 50 e R$ 100, teria sido entregue ao assessor especial do governador, Lúcio Fiúza.
Além disso, Marconi falará sobre o pagamento ao jornalista Luiz Carlos Bordoni por serviços prestados durante a campanha eleitoral de 2010. Depois de ter o nome da filha, Bruna Bordoni, citada no depoimento do senador Demóstenes Torres (sem partido) no Conselho de Ética do Senado, Bordoni afirmou ter recebido R$ 45 mil de uma empresa suspeita de ser controlada pelo empresário Carlinhos Cachoeira.