Yuri Lopes
Goiânia – Empresários conhecidos pela ferrenha defesa das decisões do presidente Jair Bolsonaro estão usando as redes sociais para reclamar das ações de restrição social e de fechamento de parte do comércio como medida de combate ao novo coronavírus.
O dono da rede de restaurantes Madero, Junior Durski, publicou em seu Instagram um vídeo onde diz que o Brasil não pode parar “por cinco ou sete mil mortes”. Seguindo o padrão adotado por Bolsonaro desde o início da pandemia do coronavírus, Durski também questiona o trabalho científico e minimiza os danos causados pela doença. “Não podem simplesmente os infectologistas decidirem que tem que todo mundo parar, independente das consequências gravíssimas que a economia do Brasil vai ter”, reclamou o empresário.
O publicitário Roberto Justus foi outro apoiador de Bolsonaro que refutou estudos científicos. Em um áudio vazado de um grupo de WhatsApp, e não desmentido pelo apresentador, Justus diz que o rigor com a quarentena por causa do novo coronavírus é exagero.
“Quem entende um pouco de estatísticas, que parece não é o teu caso, vai perceber que é irrisório [mortalidade]. E dos que morrem, mesmo dos velhinhos, só 10 a 15% morrem. Claro que esse exagero que foi feito tem vários argumentos atrás dele…Não fica preocupado porque na favela o vírus não vai matar ninguém. Vai matar velhinho e gente já doente”, declarou Justus, sem informar a fonte das afirmações que fez.
Diante da repercussão do áudio onde contrapõe a fala de Marcos Mion, Justus foi ao Instagram para se posicionar oficialmente. Confira:
Procurada pela coluna de Cristina Padiglione, do jornal Folha de S. Paulo, a assessoria de Marcos Mion confirmou que o áudio é do grupo de WhatsApp, e explicou que o comentário de Justus foi referente ao vídeo do biólogo, especializado em virologia, Átila Iamarino, e não sobre o vídeo que Mion gravou, usando dados do biólogo, e divulgou em suas redes sociais.
Um dos mais escandalosos apoiadores do presidente Bolsonaro, o empresário Luciano Hang, mais conhecido como Velho da Havan, criticou a decisão de decretar estado de calamidade, por parte de governadores e prefeitos. Em live realizada em seu Facebook, Luciano também demonstrou estar alinhado com Bolsonaro ao afirmar que “tudo não passa de uma histeria maior do que o problema”.
Hang afirmou ainda que “vai morrer mais gente de coração, suicídio e de problema psicológico do que do coronavírus”. Na transmissão ao vivo, o empresário foi enfático ao dizer que as decisões dos prefeitos e governadores foram “precipitadas”, resultado de “histeria”. “As decisões não podem ser tomadas de forma tão atabalhoada desse jeito. Estão tomando medidas acima do que precisava tomar. Tem que ter bom senso”, declarou o empresário.