Jales Naves
Especial para o AR
Goiânia – Advogado de carreira em algumas grandes instituições financeiras, como Bamerindus (depois HSBC) e Bradesco, João Bezerra Cavalcante nada conhecia de Cooperativismo de Crédito quando a ideia surgiu, e decidiu acompanhar o amigo que o convidou para participar das primeiras reuniões para discutir a criação de uma espécie de “banco dos advogados”. Como vivenciou a dinâmica do sistema financeiro, achou a proposta interessante e resolveu apostar na sugestão, buscando mais informações para melhor se posicionar nos debates a que compareceu.
Um dos fundadores que mais se envolveu com a gestão da Credijur, com uma rica experiência nesse período, considera que “é uma Cooperativa que já deu certo”. Explica que foi planejada, “é administrada por pessoas sérias, e seu idealizador, dr. Felicíssimo Sena, não mede esforços diante da gestão dessa instituição financeira”.
Ressalta que ela se enquadra perfeitamente na definição da Aliança Cooperativa Internacional (ACI): é uma associação autônoma de pessoas, unidas voluntariamente para atender as suas necessidades e aspirações econômicas, sociais e culturais comuns por meio de uma empresa coletiva e democraticamente controlada.
A sua família morava em Codó, MA, mas sua mãe teve que ir para Teresina, PI, que tinha mais recursos médicos, para ele nascer no dia 23 de janeiro de 1955, e foi criado em Codó. Em fevereiro de 1977 mudou-se para Goiânia, chegando sem nenhum dinheiro, “a mala era um saco e o cadeado, um nó”. No ano seguinte passou no vestibular e começou o Curso de Direito na Universidade Católica de Goiás, que concluiu em 1983.
Já trabalhava no Bradesco, em 1994, quando recebeu a visita do jovem Felicíssimo Sena, que estava se candidatando ao Conselho da OAB-GO e foi lhe pedir votos. Simpatizaram um com o outro, e decidiu encampar a sua luta, fazendo um grande trabalho nas cidades onde o banco tinha agência, conversando com os profissionais que conhecia, a partir daqueles que eram contratados pela instituição financeira, e o saldo foi positivo.
A ideia inicial era simples e muito clara: unir os advogados de Goiás para criar uma Cooperativa de Crédito para atendê-los, em especial aqueles de menor poder aquisitivo, que não tinham a oportunidade de abrir contas em bancos. Essa proposta motivou o grupo inicial, de 25 advogados, e que se ampliou no dia da fundação, em mais um, que assinaram a ata e contribuíram com R$ 100,00, formando um capital social de R$ 2.600,00. Pelo valor da contribuição os presentes à reunião ainda não tinham uma noção exata da dimensão do projeto.
Os documentos foram enviados ao Banco Central, que demorou na análise e devolução da papelada, e as primeiras atividades logo começaram a despertar mais interesse. Os primeiros resultados negativos, ao invés de desanimar, serviram para dar um novo ânimo no grupo, que passou a trabalhar mais para alcançar seus objetivos. Logo entendeu o tamanho do projeto que havia abraçado, e o primeiro passo foi aumentar o capital social, com a cota para pessoa física passando para dois mil reais, e para as empresas e instituições, três mil reais.
Além de fundador, com a conta corrente nº 16-7, sempre participou ativamente ao longo dos 22 anos da Credijur. O exercício de cargos de direção e nos Conselhos de Administração e Fiscal exigia aprovação em provas específicas, e para atender essa determinação do Banco Central participou de diversos cursos preparatórios, para adquirir conhecimento mais aprofundado sobre o Cooperativismo, muitos patrocinados pela Central de Goiás e outros pela própria Credijur. Ainda, fez cursos fora de Goiânia, com certificação, além de se submeter a testes de conhecimento.
Integrou o Conselho de Administração de 1998 a 2019, sendo membro titular entre 1998 e 2000; 2º Vice-Presidente em 2000 e 2003; 1º Vice-Presidente em 2003 e 2004; conselheiro de 2007 a 2011; e Diretor Operacional de 2015 a 2019. Atualmente é conselheiro fiscal titular, tendo seu nome sido homologado pelo Banco Central em agosto de 2019, para mandato de três anos.
A vivência nesse período, uma experiência que considera excepcional, permitiu-lhe enxergar o Cooperativismo de Crédito “com bons olhos”. E justifica: os negócios das Cooperativas estão assentados em pilares bem definidos, como por exemplo o da Responsabilidade Social, onde se procura conhecer melhor as necessidades dos cooperados para lhes disponibilizar os produtos e serviços mais adequados, no tempo correto e pelo canal de sua preferência.
“O sistema cooperativista prima pela personalização de seus produtos. O cooperado não é um mero correntista. Ele é o dono do negócio, tem participação direta no resultado anual de sua Cooperativa. Por isso, torna-se responsável direto tanto pelos prejuízos como pelos lucros, o que significa dizer que, em casos positivos, de sobras, ele recebe de acordo com a sua movimentação durante aquele exercício. Parte dessa sobra é integralizada ao seu capital social”, afirmou.