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Mulheres de Branco – parte II

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06.06.2012 - 10:31:51

Ontem assisti ao filme Histórias Cruzadas (Help, 2011, EUA), no DVD. O filme concorreu ao Oscar em 2012. Viola Davis interpreta Aibileen Clark, uma mulher negra, empregada doméstica, filha de empregada doméstica, neta de empregada doméstica, que ajuda uma jovem branca a escrever um livro sobre os preconceitos sofridos pela categoria nos anos 60, numa cidade do sul dos Estados Unidos – lugar onde a igualdade racial só começou a acontecer na década seguinte.

Mais de meio século e um continente nos separam do Mississipi, nos Estados Unidos. Mas, infelizmente, o filme mostra similaridades com o Brasil de 2012.

A figura da empregada doméstica e da babá ainda é comum na maioria das casas de classe média alta no Brasil. Indico o filme para todas as pessoas que tenham uma funcionária em casa, porque salvo a segregação racial e racismos retratados no filme, algumas coisas permanecem da mesma maneira.

Quando eu era criança, na casa do nosso vizinho Wandinho trabalhava uma senhora chamada Dona Maria ou dona Mary, para os íntimos. A dona Mary tinha um monte de filhos que sempre brincavam com a gente. Analisando as desigualdade e a imobilidade social do Brasil na época, o tio Wandinho sempre dizia que provavelmente as filhas da dona Maria e até suas netas também seriam domésticas.

Mulheres – jovens e maduras – que deixam suas casas e seus filhos para cuidar da casa e dos filhos de outras mulheres é uma constante no Brasil. Muitas dessas mulheres são filhas e até netas de empregadas domésticas. Uma realidade que tem mudado um pouco, com o crescimento econômico e mais perspectivas para a classe C e D.

Essa mudança de paradigma deixa a classe dominante estarrecida. É muito comum escutar nas rodas mais abastadas como anda difícil encontrar uma doméstica ou babá. Como está caro e como elas exigem cada vez mais benefícios.

Sim, a comodidade de ter uma pessoa dentro da nossa casa nos ajudando nos afazeres domésticos e cuidando dos nossos filhos pode estar com os dias contados. Salvo nas casas das famílias realmente ricas, provavelmente em um futuro próximo, a figura da empregada doméstica não será tão comum na maioria dos lares brasileiros.

Ou pelo menos, o trabalho de empregada doméstica ou babá deverá se transformar em algo temporário, enquanto a funcionária estuda para conseguir uma carreira realmente valorizada e promissora. E esse emprego doméstico terá que ser cada vez melhor remunerado.

Acredito que essa mudança social é um termômetro de que o Brasil está avançando como nação. A propósito, a dona Maria trabalha até hoje na casa do Wandinho. E suas filhas são domésticas como a mãe. Mas, felizmente, talvez o Wandinho tenha errado na sua previsão. Pelo andar da carruagem, as netas da dona Maria terão uma profissão diferente da avó. 

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por Bia Tahan

*Jornalista

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