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Quando a data é significativa – Sobre diversidade e diálogo entre religiões

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24.01.2020 - 11:19:18

A história é uma longa cadeia de eventos que repercutem continuamente, um sobre o outro. Desconhecer as datas é desconhecer esses eventos e sua simbologia. As datas se tornam como fronteiras que delimitam e marcam cada um dos eventos.
 
E no primeiro dia do ano celebramos o Dia Mundial da Paz. Concebido em 1967 por Paulo VI, papa católico. Em suas próprias palavras a data era para anualmente celebrarmos o “caráter sincero e forte, de uma humanidade consciente e liberta dos seus tristes e fatais conflitos bélicos, que quer dar à história do mundo um devir mais feliz, ordenado e civil”.
 
E, verdade seja dita, há um fenômeno mundial que pode celebrar paz ou trazer as piores agruras da guerra: a Religião! Se focarmos para seus aspectos exteriores, a religiosidade parece diferir uma da outra. A ingestão ou não de determinados alimentos, o uso de roupagens distintas, o idioma no qual se invoca a Divindade são apenas alguns aspectos que parecem separar as fés umas das outras.
 
Porventura percebendo isso, a Comunidade Bahá’í do EUA instituiu, em 1950, uma tradição que acabou também por se universalizar. No terceiro domingo de cada ano celebramos o Dia Mundial da Religião. O dia no qual todas as Fés se podem unir em espírito de real devoção por aquilo que os une: a busca em sermos bons, o amor ao belo, e o conhecimento do verdadeiro. É apenas perante essa compreensão que somos mais iguais que desiguais que podemos nos unir à volta da fogueira metafórica que simboliza o divino.
 
Cada chama que podemos daí extrair, cada tocha é um demiurgo, um profeta, um orisá, que na verdade é símbolo de uma fogueira espiritual muito mais potente. E quando queremos extirpar o fogo de um, extirpamos o fogo de nossa própria Fé pois, o ar metafórico ou a inspiração divina desaparece; afinal, como podemos odiar ao outro se a nossa própria fé nos institui o amor?
 
Por isso que no dia 21 de janeiro, sabiamente, o Brasil institui o seu Dia de Combate à Intolerância Religiosa. E nesse dia justamente, tive a honra de participar de um evento que unia diversas denominações da cristandade, como também bahá’ís, muçulmanos, iyá e babá de casas-de-santo, pagãs e pagãos, e até ateus em amor e respeito uns pelos outros.
O propósito maior da fé que unia todas estas pessoas era a compreensão que a luz desse fogo espiritual é bom, não importa qual seja a flama. Não há um fogo de fé maior ou menor, se houver respeito à diversidade. Da mesma forma que duas labaredas não são iguais, duas fés jamais serão também. Mas o que traz o calor espiritual é essa compreensão de que várias flamas podem, metaforicamente, conquistar o coração enregelado de tantas pessoas.
 
É só na unidade na diversidade que conseguiremos compreender a beleza do outro.
É só na diversidade que trabalha unida que conseguimos respeitar o outro.
É só nesse caminhar espiritual, de várias fés unidas, que porventura realmente possamos encontrar o divino.
 
Que 2020 não seja um ano de sucessão de intolerâncias religiosas, marcando 21 de janeiro de 2021 como o dia de combate e luta contra elas. Datas são importantes, mas apenas significativas se as transformarmos em fronteiras para um mundo de Diálogo e Amor. Convido cada um a encontrar um amigo em cada fé que há nesta diversidade e com essas pessoas criarmo a chama da comunhão que o Divino espera de nós.
 
Sam Cyrous é psicólogo (CRP 09/8178), psicoterapeuta de casais e família, StoryTeller, curador do TEDxGoiânia.
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por Sam Cyrous

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