A Redação
Goiânia – Um laudo pericial da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC) apontou que o rompimento da barragem em Pontalina se deu em decorrência da falta de manutenção, falhas estruturais e chuva intensa. Esses, segundo o documento entregue à Polícia Civil nesta sexta-feira (10/1), foram os principais fatores do rompimento que ocorreu no último sábado (4).
De acordo com o laudo, a barragem deve ter sido construída sem planejamento técnico de engenheiros e por mão de obra não habilitada. “Não existe registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea) de engenheiro responsável pelo projeto”, explicou o perito criminal da Seção de Engenharia Forense da SPTC, Tarcísio Valentim.
A estrutura usada para impedir que a represa transbordasse também era menor que o necessário e tinha uma adequação que prejudicava o funcionamento ideal da barragem. Também foi constatada a ausência de elementos, como drenos superficiais e canalização. O documento aponta, ainda, que não foram realizadas as manutenções básicas nos equipamentos, principalmente, na parte responsável pela coleta de água da barragem que controla os níveis de forma permanente.
Conforme informações apuradas pela Defesa Civil, no dia do que aconteceu o rompimento em Pontalina, choveu 200 milímetros em 12 horas na cidade, o que representa quase 80% do esperado para o mês. A quantidade de chuva e o colapso da barragem provocaram um deslocamento de 5.586 m³ de terra e um volume de água de 618.548,77 m³.
A SPTC concluiu que o proprietário da barragem foi negligente quanto à estrutura e responsável pelo rompimento, que afetou áreas de preservação na região e trouxe danos materiais a moradores de Pontalina.
A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) multou o proprietário em R$ 100 mil por quatro itens de irregularidade: por não realizar o cadastro da barragem no sistema da Semad já citado, por problemas na descarga de fundo, por alterações irregulares no extravasor lateral (substituição das tábuas de madeira por um muro de alvenaria, que impossibilitou a regulação da vazão, agravada por danos em propriedades alheias), além de área inundada superior ao outorgado e falhas na manutenção da estrutura, agravado por prejuízos nas áreas abaixo da represa. Todos os itens foram confirmados pelo laudo da SPTC apresentado nesta sexta.