A Redação
Goiânia – Os aparelhos eletrônicos antigos deram espaço a equipamentos modernos e multifuncionais. Os celulares, que antes eram usados apenas para ligações, hoje são usados para conectar o usuário a todas as partes do mundo com o auxílio da internet. Mas o que pouca gente se atenta é sobre o destino que os aparelhos antigos deveriam ter. O que foi feito com aquele televisor antigo da década de 90? E com os aparelhos de telefone celular que tinham o tamanho de um telefone sem fio? Esses e tantos outros aparelhos com um plug de tomada ou uma bateria, sejam barbeadores ou até uma fritadeira elétrica, são considerados e-lixo, ou resíduo eletrônico.
Também diferente do que muita gente pensa, os lixos eletrônicos não são apenas os aparelhos quebrados. É o que destaca Hernani Dimantas, pesquisador colaborador na USP em Sobrevivência Planetária e fundador e articulador de projetos sobre lixo eletrônico. Segundo o especialista, o e-lixo é constituído, em muitos casos, por aparelhos que já não têm capacidade de serem usados para aquilo que foram fabricados.
Um exemplo claro da observação do pesquisador é o computador. São comuns os casos de aparelhos que ainda funcionam, mas que não têm capacidade de atualização ou de acompanhar um determinado programa mais moderno e mais potente. Quem nunca sofreu com um computador que demorou horas para abrir determinado site ou programa?
Além disso, diante da acelerada troca de modelos de aparelhos, a exemplo dos celulares, que lançam tendência anualmente, cresce o volume de resíduos tóxicos descartados no meio ambiente. É aí que entra a conscientização sobre o descarte adequado do material, que pode, muitas vezes, ser reaproveitado.
De acordo com o estudo Global E-waste Monitor, foram produzidos 44,7 milhões de toneladas de e-lixo só em 2017. O volume corresponde ao peso de quase 5 mil estruturas da torre Eiffel. Entre os maiores produtores de lixo eletrônico do mundo estão China, Estados Unidos, Japão, Índia, Alemanha, Reino Unido e Brasil.
De acordo com levantamentos realizados no Brasil, smartphones, computadores, monitores, TVs e tablets, que são equipamentos que costumamos trocar com frequência, estão entre os aparelhos mais descartados. Mas as TVs de tubo, que deixaram de ser produzidas em larga escala no mundo a partir de 2008, lideram o e-lixo em aterros de todo o Brasil.
A situação é, de fato, preocupante e merece atenção. Mesmo sem dados concretos, considerando a dificuldade de mensurar a quantidade de lixo eletrônico que produziremos no futuro, a expectativa é que ultrapassemos a marca de 52 milhões de toneladas anuais em 2021.
Conforme destaca o pesquisador Hernani Dimantas, o caminho mais prudente e responsável é mesmo o descarte consciente de aparelhos. "Trata-se de um lixo muito tóxico e bastante prejudicial ao meio ambiente", ressalta. "Os materiais pesados que compõem esses equipamentos podem poluir nosso solo e mananciais", acrescenta ao destacar, ainda, a chance de impactar diretamente a saúde de quem trabalha manuseando o e-lixo.