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Cenário brazuca nos games

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29.05.2012 - 17:47:56

O destaque que o Brasil tem conseguido manter, mesmo aos trancos e barrancos, frente às turbulências da economia mundial, inseriu o País definitivamente na pauta da indústria de entretenimento. As paisagens brasileiras são cada vez mais frequentes em cenários de filmes (a maioria de péssima qualidade, diga-se), músicos que raramente desembarcavam nas latitudes dos trópicos viraram figurinha carimbada (Paul McCartney corre o risco de ser uma versão do século 21 de Jimmy Cliff, tantos shows tem feito) e  gigantes como a Apple não mais demoram séculos para colocar seus equipamentos nas prateleiras das lojas brazucas.

A indústria dos games, que hoje movimenta mais que o cinema de Hollywood (são cerca de 75 bilhões de dólares ao ano), também volta seus olhos com força para o mercado tupiniquim. Antes raros, os títulos que dão destaque ao Brasil (exceções para as séries de futebol, ainda assim sem licença da maioria dos times nacionais) e as versões lançadas com foco nos brasileiros agora podem ser encontrados em todos os cantos.

Muitos lançamentos mundiais hoje chegam com legendas ou dublados em português. Para ficar em alguns exemplos, temos três sucessos recentes: Batman Arkham City, Uncharted 3 e a série de Fórmula 1 da EA Sports. Outros blockbusters do gênero também  deram uma canja para os gamers tupiniquins, como a mais bem sucedida série de tiros em primeira pessoa, Call Of Duty, que ambientou cenas nas favelas do Rio de Janeiro.


Batman Arkham City chega com legenda e dublagem em português (foto: Divulgação)

Neste exato momento, vemos mais um passo marcante: Max Payne 3, da Rockstar. A história do policial corrupto, degradado, viciado e de poucos escrúpulos rola em São Paulo. É claro que estão lá os mesmos estereótipos eternizados pela indústria cultural há séculos, quando o assunto é Brasil: criminalidade, futebol, mulheres e até novela, tudo com um jeitão meio fake (releve, pois o jogo é muito bom).


Max Payne 3, da Rockstar, é ambientado em São Paulo (foto: Divulgação)

Grandes produtoras, como a Ubisoft, fincaram bandeira no Brasil há alguns anos, mas o desembarque definitivo dos jogos eletrônicos no País não ocorre por acaso. A crise mundial e a globalização obrigou os executivos a buscarem mercados em busca de consumidores. Ao mesmo tempo, os desenvolvedores locais também desbravam o planeta com seus produtos.

Em um mercado ainda dominado pela pirataria, é difícil cravar com certeza quanto de dinheiro os jogos eletrônicos movimentam no Brasil. Mas há estimativas que jogam este valor à casa dos 3 bilhões de dólares anuais. Não fosse a alta carga tributária, que faz com que um game chegue facilmente aos 200 reais (um absurdo!), o crescimento poderia ser ainda maior. As plataformas móveis, como tablets e smartphones, vão garantir, nos próximos anos, o impulso no setor. Nunca o Game Over esteve tão distante.

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por Rodrigo Hirose

*Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia

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