A Redação
Goiânia –
Uma pesquisa de dissertação de mestrado desenvolvida por pesquisadores do Câmpus Goiânia do Instituto Federal de Goiás (IFG) revelou elevados índices de poluição sonora na região da Rua 44, no Centro da Capital.
No estudo, foram investigados 34 pontos na rua 44 e vias adjacentes. Os resultados do estudo constatam que os níveis sonoros aferidos na região encontram-se com valores de até 29 decibéis acima dos 65 permitidos para o período diurno, conforme legislação ambiental vigente durante o período da pesquisa.
Em Goiânia, foi aprovada recentemente pela Câmara Municipal e sancionado pela Prefeitura de Goiânia nova Lei Complementar nº 318 de 3 de julho de 2019, que regulamenta novos índices de pressão sonora permitidos para algumas zonas da capital. Com essa nova legislação, os níveis aceitáveis de sons ou ruídos para a zona Centro da Capital aumentaram, passando dos 65 decibéis para 80 decibéis no período diurno e de 55 decibéis para 75 decibéis no período noturno.
À época do desenvolvimento da pesquisa de mestrado, em 2018, a nova lei não estava em vigor, sendo, portanto, considerados no estudo os índices da Instrução Normativa nº 026/2008 da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma). A pesquisa de mestrado foi desenvolvida pelo estudante do Mestrado Profissional em Tecnologia de Processos Sustentáveis do IFG, Rômulo Gustavo dos Santos, sob a orientação do professor Lucas Nonato de Oliveira. A dissertação foi defendida recentemente.
Para o estudo, os pesquisadores mapearam 34 pontos na região do entorno da rua 44, incluindo vias de intenso tráfego de automóveis e de pessoas, como as Avenidas Independência, Goiás e Contorno, em Goiânia, para aferição dos índices sonoros nesses locais. O monitoramento dos níveis de pressão sonora na região e a coleta de dados foram realizados entre os meses de agosto e outubro de 2018.
Resultados
De acordo com o professor e orientador da pesquisa, Lucas Nonato, os resultados permitiram constatar que os níveis de pressão sonora aferidos na região da 44 e entorno encontram-se consideravelmente elevados quando comparados aos padrões de ruídos aceitos para a região localizada na zona Centro da Capital.
De acordo com o mapa de ruído desenvolvido por meio da pesquisa, todos os 34 pontos aferidos na região da 44 apresentaram valores de níveis de pressão sonora acima da norma ambiental vigente. Desses, 15 pontos críticos destacaram-se por estarem com valores iguais ou 10 vezes acima do limite padrão, que é de 65 decibéis para a zona do centro no período diurno.
Entre esses locais de intensa poluição sonora, foram registrados os pontos alocados na Rua 44, esquina com as avenidas Oeste e Contorno; dois pontos na Avenida Independência (nas proximidades aos shoppings center e também nas proximidades da parada de ônibus do transporte coletivo) e na Avenida Goiás (nas proximidades das obras do BRT).
Os pesquisadores apontam como fontes desses ruídos o tráfego intenso de veículos de grande porte (como os ônibus do transporte coletivo urbano e rodoviário) e os ruídos provenientes da construção de shoppings centers na região. Especialmente, na rua 44, a intensa poluição sonora foi causada pela entrada e saída de ônibus da rodoviária, ruídos de tráfego de veículos no local e o barulho gerado por vendedores ambulantes e seus anúncios dados por meio de gritos e de carros com som alto-falante.
“O trabalho apresentou como o ruído estava se distribuindo por toda a superfície da área de estudo. Pode-se concluir que a região urbana do Centro histórico de Goiânia apresenta um cenário acústico preocupante e que necessita urgentemente de intervenções a fim de se conseguir controlar os níveis de ruído na região e proporcionar maior conforto acústico à população”, apontou o autor da pesquisa, Rômulo dos Santos.
Para o professor e orientador do estudo, Lucas Nonato, os resultados da pesquisa contribuem para formação de um banco de dados teóricos que podem contribuir para a formulação de um plano de ação para o controle de ruídos na região, conforme determina o Plano Diretor de Goiânia. Além disso, a dissertação de mestrado também fomenta o desenvolvimento de trabalhos futuros que visem melhorar a qualidade de vida e bem-estar da população de Goiânia, assegurando o direito a um meio ambiente equilibrado e acusticamente saudável.
A respeito da nova legislação ambiental que permite índices maiores de níveis sonoros para zona central de Goiânia, o professor Lucas Nonato considera que faltou o amplo debate com a população goianiense antes da aprovação dessa regulamentação ambiental. Para ele, essa nova legislação em Goiânia caminha no sentido oposto aos apelos internacional e nacional pela diminuição dos níveis de poluição sonora nas cidades, devido aos impactos na saúde pública.
“Mesmo a nova norma tendo aumentado, no período diurno, em 15 decibéis, este fato ainda deixa a região da 44 acima dos limites para a nova norma, evidenciando, dessa forma, que apenas uma lei não mitiga o problema. Tivemos pontos com cerca de 94 decibéis ao ar livre no comércio da 44, praticamente, isso se compara a um show de rock (que chega aos 100 decibéis)”, ressaltou o docente.