Gabriela Louredo
Goiânia
– Superintendente de Inovação Tecnológica da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação (Sedi), Christiane Taveira afirma que pesquisa e inovação estão entre as prioridades do governo de Goiás. "Hoje nós respiramos startups e pesquisa em ciência e tecnologia. Todo nosso plano e nossos esforços estão direcionados para aumentarmos o nosso funil de inovação", diz. Com uma carreira dedicada ao empreendedorismo e à iniciativa privada, tendo sido diretora de marketing de uma grande rede de fast food na Região Centro-Sul do País, a publicitária aceitou o desafio de migrar para o setor público em 2019.
Na lista de prioridades, conforme destacou com exclusividade ao jornal A Redação, constam três projetos: a atualização do arcabouço legal para criar um ambiente favorável e seguro às iniciativas de CTI (ciência, tecnologia e inovação); a construção de mecanismos de apoio à inovação e fomento aos ambientes de inovação como os parques tecnológicos, incubadoras de empresas, entre outros.
Confira a íntegra da entrevista com Christiane Taveira:
AR – Quais são hoje os principais projetos e ações do Governo de Goiás na área de ciência e inovação tecnológica?
Christiane Taveira – Partimos do Plano de Governo e do mais completo framework de desenvolvimento de ecossistemas de empreendedorismo e inovação (Babson College), para desdobrarmos nossa estratégia num conjunto de projetos e ações de alto impacto.
São 3 projetos prioritários: o primeiro diz respeito à atualização do arcabouço legal para criar um ambiente favorável e seguro às iniciativas de CTI (ciência, tecnologia e inovação).
O segundo trata da construção de mecanismos de apoio à inovação, com uma série de atividades de suporte à jornada do empreendedor e que respondem a cada etapa da evolução de um negócio.
Por último, também apoiaremos os ambientes de inovação como os parques tecnológicos, incubadoras de empresas, entre outros, com o objetivo de aumentar nossa densidade e capilaridade em CTI.
AR – Como estão os projetos para o desenvolvimento de parques tecnológicos em Goiás?
Christiane Taveira – Os parques tecnológicos são extremamente importantes para Goiás, pois eles tangibilizam as relações da hélice quádrupla – a academia, o mercado, o governo e a sociedade. Eles vigoram como verdadeiros centros de inovação que irradiam desenvolvimento econômico, por meio das correlações orgânicas e espontâneas que acontecem dentro dos parques e pela capacidade de atender as demandas do setor produtivo e sociedade com mão de obra qualificada e laboratórios de alta tecnologia.
Os parques demandam alto investimento, e fizemos recentemente o lançamento das Frentes Parlamentares para sensibilizar principalmente, o legislativo, sobre a importância dos Parques Tecnológicos para os municípios. Estamos firmando uma parceria com a Unesco para atuar num desenho baseado em casos de sucesso em outras regiões, mas que respeitem o contexto e atendam as potencialidades de Goiás, sempre com a visão de presente e futuro.
AR – Alguma missão comercial está prevista para este ano ou ano que vem?
Christiane Taveira – Ainda não temos missões previstas, mas o que posso adiantar é que só partiremos para uma missão com um planejamento consistente e objetivos claros.
AR – Quais são as principais parcerias da Superintendência de Ciência e Tecnologia com outros órgãos de governo?
Christiane Taveira – Entendemos a inovação como área estratégica e transversal em todo governo, por isso, estamos abertos e articulando parcerias com várias secretarias, órgãos do governo, governo federal, instituições de fomento, prefeituras, terceiro setor, iniciativa privada, etc. Tudo junto e misturado.
AR – Como estão as ações de governo para estimular o desenvolvimento de startups no estado?
Christiane Taveira – Hoje nós respiramos startups e pesquisa em ciência e tecnologia (básica ou aplicada). Todo nosso plano e nossos esforços estão direcionados para aumentarmos o nosso funil de inovação, com mais ideias, mais empreendedores, mais pesquisadores, mais investimento, mais empresas e mais casos de sucesso em nosso Goiás.
Recentemente, ouvi dizer que estamos ficando conhecidos como o Governo das Startups. Que bom! Porque isso significa que não vamos gastar o dinheiro público à toa, que temos responsabilidade, que vamos testar, prototipar e, principalmente, escalar nossas soluções, para impactar um número de pessoas cada vez maior, em qualquer segmento da nossa economia.
(Foto: Arquivo Pessoal)
AR -Qual é a sua formação acadêmica e experiência profissional?
Christiane Taveira – Eu me formei em Publicidade e Propaganda na UFG e logo depois de formada, comecei a empreender abrindo uma agência de publicidade. Em 2006, me mudei para Porto Alegre, onde fui sócia-franqueada e diretora de marketing do Burger King Centro-Sul, e essa sim, foi a maior escola de negócios que eu pude experimentar. Também frequentei diversas escolas como Harvard Business School, Columbia Business School, Centro de Liderança Pública, etc., sempre coordenando o conhecimento teórico com a prática.
Em 2012, comecei a investir em startups e empresas de tecnologia, e não parei mais. Hoje tenho negócios no Brasil e no exterior me envolvi completamente com o universo da tecnologia, o que me levou a assumir recentemente a Superintendência de Inovação do Governo do Estado.
AR – Qual a sua experiência na área do empreendedorismo?
Christiane Taveira – O empreendedorismo aconteceu de forma muito natural pra mim, antes mesmo de existir uma palavra pra isso. Ainda na faculdade, fiz um estágio numa empresa de comércio internacional e depois fui contratada por uma agência como designer, onde fiquei por 6 meses – que foi tempo suficiente para descobrir que eu queria meu próprio negócio.
A Chess Comunicação Estratégia nasceu em 2004 e em 2006 eu e meu marido aceitamos o desafio de nos mudar para o Rio Grande do Sul como sócios-franqueados e responsáveis pela expansão do Burger King na região.
Éramos o que o Grupo 3G Capital chama de PSD – poor, smart and desire to be rich (pobres, inteligentes e que desejam ficar ricos), e não poupamos esforços para construir o nosso caminho. Empreender é muito difícil, porque não basta querer dar certo, é preciso se preparar para isso todos os dias, tomando decisões muitas vezes dolorosas, mas necessárias para o nosso crescimento.
Deixei o Burger King para investir em startups e empresas de tecnologia, trabalhando em alguns casos, lado a lado com os empreendedores e em outros apenas como investidora.
AR – Qual contribuição da iniciativa privada pretende levar para o serviço público? Quais são os principais desafios e dificuldades?
Christiane Taveira – Em primeiro lugar, o mindset (configuração) de solução. Se tem um problema, também existe uma solução, e precisamos ser criativos para encontrá-la ou até construí-la. Queremos resolver, simples assim. Só aceitei este desafio porque as lideranças entendem as dificuldades dessa jornada e nos deram autonomia para construir os projetos junto à sociedade. Não aceitamos “não” como resposta, estamos trazendo metodologias ágeis, encurtando os prazos e sobretudo, enfrentando os problemas reais.
Os principais desafios estão relacionados à burocracia, à continuidade das políticas públicas e recursos (orçamento e pessoas). Precisamos simplificar os processos, montar uma equipe de resultados, institucionalizar os nossos projetos por meio da articulação com os diferentes atores do ecossistema, e tudo isso, com pouco dinheiro. Ou seja, estamos empreendendo no Governo, com resiliência, criatividade e “sangue nos olhos”.