Assim que os pais recebem o resultado positivo da gravidez tão desejada, eles começam a pensar sobre as fases do desenvolvimento do bebê. Logo imaginam ouvir o primeiro “mamãe” e “papai”. Essa fase é uma das mais esperadas pela família. E quando a fala não acontece? A criança chega aos 12 meses e não surgem as primeiras palavras?
Infelizmente ainda existem pessoas que dizem: “ele tem o tempo dele”! E, assim, os pais esperam ou correm para a internet atrás de respostas sobre esse “atraso”. No mundo virtual, podem encontrar a associação de não falar com autismo. Fica a questão: uma criança que não fala pode ter autismo?
O autismo, muitas vezes, é erroneamente descrito como se todas as crianças não interagissem com outras, não “gostassem” de contato físico ou não mantivessem contato visual. Por esses motivos, é bem provável que você já tenha escutado: “até pensei em autismo, mas ele me olha, então não é”!
Precisamos entender, antes de mais nada, que estamos falando em ESPECTRO DO AUTISMO (TEA), um transtorno do desenvolvimento que afeta a comunicação e a interação social, que se compreende do leve ao grave, e cujos comportamentos se manifestam em cada pessoa de maneira distinta uma da outra.
Quando se trata de casos graves, o diagnóstico é mais fácil e mais rápido, porque os sinais estão mais presentes. O que acontece é que vemos muitas crianças com uma série de dificuldades e que deixaram de receber a ajuda necessária, porque não foram diagnosticadas correta e precocemente.
Não nos esqueçamos: é realmente importante analisar qual a qualidade das habilidades das crianças. Elas podem interagir, mas essa interação é efetiva? É adequada para a idade? Elas podem olhar nos olhos? (mas também conseguem sustentar esse olhar? Conseguem se comunicar pelo olhar?).
Para finalizar: crianças podem ter dificuldades significativas no desenvolvimento da fala e da linguagem e isso afetar a socialização, a interação com outras crianças, e não ser autismo.
A intervenção terapêutica com uma criança com dificuldades de fala não é igual a intervenção com uma criança com autismo. O diagnóstico diferencial, nesses casos, é essencial. Por isso, sempre procurem profissionais qualificados e habilitados.
*Daniella de Pádua Sales Brom é fonoaudióloga clínica e hospitalar, pós-graduada em Análise do Comportamento Aplicada e pós-graduanda em Autismo pela CBI of Miami