A Redação
Goiânia
– O desenvolvimento regional por intermédio de Parques Tecnológicos foi o assunto de uma audiência pública realizada nesta semana, no Senado Federal, em Brasília, conduzida pelo senador Vanderlan Cardoso (PP), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT), e propositor da discussão.
Na audiência, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) reiterou a defesa da criação do centro de defesa e segurança em Anápolis, citando como exemplo o complexo de São José dos Campos, no interior de São Paulo, cuja estrutura a comitiva da Fieg conheceu em maio e é considerada referência.
O diretor financeiro da Fieg, José Divino Arruda, participou da audiência e ressaltou os cases que foram apresentados de parques tecnológicos que já funcionam e geram resultados. “Tivemos a oportunidade de conhecer parques tecnológicos de várias partes do Brasil e ouvir pessoas engajadas no projeto. Tudo que pode gerar desenvolvimento para o Estado e para as indústrias deve sim ter apoio e investimento”, disse.
O presidente do Comdefesa-Go, Anastácios Dagios, salientou a importância da discussão, e destacou que o objetivo do debate é identificar possíveis linhas de financiamento e apoio aos parques tecnológicos.
No Brasil, segundo a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), dos 103 parques tecnológicos, 43 estão em operação, 37 estão sendo implantados e 23 encontram-se em fase de projeto. A maioria deles está nas Regiões Sul e Sudeste (78). Há nove no Nordeste, dez no Centro-Oeste e seis na Região Norte. Eles reúnem 1.337 empresas instaladas, 38.365 empregos diretos, 2.950 mestres e 1,1 mil doutores ligados às universidades envolvidas.
A superintendente da Anprotec, Sheila Pires, destacou que os parques tecnológicos precisam de políticas públicas eficazes. Ela explicou que, como nos demais países, há uma forte dependência do poder público, mas a participação da iniciativa privada precisa ser crescente para que eles sobrevivam.
É o que se vê no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp. Ele recebe desde startups a empresas de grande porte, como IBM, Motorola e Samsung. Há também sete laboratórios de pesquisas de grandes empresas. De acordo com o diretor do parque, Eduardo Amaral, o sucesso dos empreendimentos é transformar pesquisa em inovação.
Também dessa forma pensa o diretor de desenvolvimento de negócios do Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), Elso Alberti Junior. Na opinião dele, o Brasil ainda está aquém do esperado na criação e venda de inovação. Apesar de ser a oitava maior economia do mundo e ocupar o 13º lugar em pesquisas acadêmicas, o País ocupa apenas o 64º lugar em inovação.
Representante do Tecnopuc (Parque Científico e Tecnológico da PUC-RS), Audy disse na audiência pública do Senado que os primeiros anos do parque foram voltados para consolidar o empreendedorismo entre os estudantes. Foram geradas 250 startups. A meta, para os próximos dez anos, é gerar mil. Hoje são 171 organizações instaladas no parque, onde há 7,1 mil pessoas empregadas. Lá existem centros de capacitação das empresas Apple e Microsoft, além do Centro Tecnológico Audiovisual do RS (Tecna), que abrirá no final do ano estrutura de produção e pós-produção de conteúdos digitais criativos inclusive para a elaboração de jogos eletrônicos.
Participaram também da audiência o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Adriano da Rocha Lima; gerente dos Parques Tecnológicos da Sedi, Raulison Resende; secretário de desenvolvimento de Anápolis, Adriano Baldy; superintendente de tecnologia e inovação, Christiane Taveira, e o membro executivo do Comdefesa-Go,Sóstenes Arruda (Com Informações da Agência Senado)