Gabriela Louredo e João Unes
Goiânia
– Com base em dados de pesquisas de opinião pública, a secretária de Comunicação de Goiás, Valéria Torres, assegura que o governador Ronaldo Caiado continua bem avaliado pela população, apesar da demora em corresponder à expectativa da maioria da população em razão da falta de recursos. Segundo a auxiliar do governo, manter a transparência da gestão tem sido fundamental para esclarecer aos goianos a real situação fiscal do Estado. Caiado foi eleito governador do Estado de Goiás
já no primeiro turno do pleito de 2018, com 59,73% dos votos válidos.
Segundo Valéria, os levantamentos apontam que, no geral, existe uma compreensão de que a situação financeira é grave, o que abre precedência para uma maior ‘tolerância’ neste primeiro momento. A antropóloga, PhD em Literaturas e Idiomas Hispânicos pela Universidade de Berkeley, na Califórnia, conta que se surpreendeu ao receber o convite do governador eleito para assumir a Comunicação do governo, após ter sido contratada em 2018 pelo Democratas para prestar consultoria em pesquisas eleitorais. Ela comentou ainda que o governo busca transmitir à população a marca da transparência e do combate à corrupção.
A secretária concedeu entrevista exclusiva nesta semana ao jornal A Redação. Leia a primeira entrevista publicada na quarta (15).
Jornal A Redação – O governador Ronaldo Caiado tem sofrido um certo desgaste político com o atraso na folha de dezembro, a demora para obter uma solução para a recuperação fiscal do Estado e o polêmico projeto de lei que propunha restrições na concessão do benefício do Passe Livre Estudantil, retirado pelo governo posteriormente. O que a equipe de Comunicação tem feito para evitar que isso resvale na imagem de Caiado, que foi eleito com quase 60% dos votos no primeiro turno e em quem a população deposita uma grande expectativa?
Valéria Torres – A figura do governador ajuda muito a evitar o desgaste. O Instituto Paraná fez uma pesquisa há pouco tempo, onde ele aparece com 60% de aprovação e, fora isso, a gente viu nos números que o nível de confiança na figura dele permanece muito elevado. Os dados são muito favoráveis quando você compara nacionalmente. O nível de confiança dele hoje é maior do que a maior parte das figuras políticas nacionais nas pesquisas feitas pelos institutos de pesquisa nacionais. A pesquisa também mostra que a gente conseguiu transmitir para as pessoas que foi muito importante acentuar esse cenário de crise. Inclusive, ele foi muito criticado dizendo que era discurso de retrovisor, ‘ninguém aguenta mais falar em crise’. As pessoas entenderam, assimilaram. Então, a gente conseguiu fazer as pessoas entenderem que ele encontrou o estado em uma situação de grave crise fiscal e isso ajuda a elastecer o ‘timing’ de expectativa das pessoas. De um modo geral, a maior parte dos goianos, mesmo tendo a percepção de que o governo não está dando resposta para muitas questões porque, de fato, está lento o ritmo da resposta, elas confiam que vai melhorar e estão pacientes. O ‘timing’ de expectativa está dentro de uma margem confortável. Acho que a gente está tendo até um desgaste razoável. É claro que ele queria estar muito melhor. Tem desgastes que são inevitáveis. Ajustes precisam ser feitos.

(Foto: Letícia Coqueiro/ A Redação)
AR – Qual a estratégia adotada pela equipe de comunicação para responder às fake news direcionadas ao governo e ao governador?
Valéria Torres – Não é fácil. É um trabalho contínuo, a gente tenta com notas oficiais se contrapor, responder, tem equipes de interação… A gente tenta fazer esse filtro. A última foi a fake new que o governo ia acabar com os colégios militares e aí a gente publicou uma resposta na página do governo e teve muita visualização. Ele compartilhou nas redes dele (do governador). Ele tem muito mais seguidores que as redes do governo, mas estamos tentando fortalecer as redes do governo. A gente tenta responder as fake news de uma maneira mais institucional.
AR – Qual a mensagem que o governo busca transmitir à população nas redes sociais?
Valéria Torres – Conceitualmente, estamos buscando o máximo de transparência possível e isso é uma coisa para se impor, o máximo de autenticidade, mas acho que o desafio é a gente conseguir separar um pouco mais o perfil pessoal do perfil do gestor. O mais institucional possível. É um equilíbrio não muito fácil de encontrar. O próprio governador tuíta. Ele gosta disso e fica ligado, atento.
AR – Como teve início a sua relação com o governador Ronaldo Caiado? Você participou ou foi responsável pela campanha eleitoral de 2018?
Valéria Torres– Não fui responsável pela campanha. Eu fiz uma pesquisa antes da campanha, na verdade um diagnóstico da opinião pública, da situação em Goiás, do ambiente político, das expectativas das pessoas para as eleições. Então, eu fiz esse trabalho para o então senador no ano passado. O Democratas contratou o instituto de pesquisa e eu fiz a moderação, enfim, a análise das informações. E aí depois, no período de transição, o governador recebeu um trabalho de consultoria pelo (Instituto) Communitas, que presta o serviço de consultoria para gestores e é um trabalho não remunerado. São empresas privadas que a mantém e ela presta esse serviço de consultoria. E aí eu estava dando uma colaboração no período de transição por meio da Communitas, quando o governador me surpreendeu com esse convite. Mas eu já tinha passado por duas secretarias de comunicação.

(Foto: Letícia Coqueiro/ A Redação)
AR – Como avalia esses primeiros cinco meses de governo?
Valéria Torres – Eu acho que Goiás, do ponto de vista de alguém que veio de fora, está tendo uma grande oportunidade, e falo isso com muita tranquilidade. Eu não tinha nenhuma relação de proximidade com o governador e o conheci no ano passado, mas o admirava, a coerência, a firmeza de postura, a integridade pelo que eu acompanhava da mídia nacional. Eu comecei a trabalhar com política, com análise de opinião pública muito cedo, eu comecei no plebiscito em 1993. Então, tinha uma admiração por ele e acho que Goiás tem uma grande oportunidade de ter uma gestão técnica, séria e responsável e comprometida com o Estado. Ele é muito firme nessa coisa de fazer uma gestão correta. Ele é um homem de posições firmes, mas escuta. Tem espaço de convencimento, mas ele tem que ser convencido de que aquilo é a coisa certa a se fazer.