Logo

Feedback: um presente que a maioria rejeita

13.05.2019 - 15:13:23
WhatsAppFacebookLinkedInX

Nada mais assusta um colaborador do que ouvir a seguinte frase: “você poderia vir à minha sala um minutinho, por favor?”, especialmente se as palavras partirem do chefe. Diante de tal convite a reação interna e instantânea que temos é de entrar na defensiva e esperar pelo pior. Mas será que há motivos para tanto temor? Isso vai depender da forma como você encara o feedback. 
 
Quando recebemos esse tipo de “convite”, protegemo-nos sobre todos os tipos de retornos que podemos ter. Fazemos um pré-julgamento em situações que podem guardar, na verdade, um belo elogio ou reconhecimento. Portanto, antes de julgar, é necessário escutar com atenção e ficar mais calmo, deixando cair as possíveis barreiras para receber críticas ou considerações que possam contribuir para o melhor desempenho dentro da corporação. O feedback não deve ser visto como um momento de repreensão, mas sim como uma conversa entre o líder e o liderado.
 
No ambiente de trabalho, o feedback é fundamental para alinhar objetivos e metas da empresa, contribuindo para a melhoria da produtividade laboral. Aliás, líderes e liderados devem entender que dar e receber feedbacks é algo que faz parte da rotina organizacional de uma empresa. Sendo assim, não podemos entrar na defensiva no momento de receber qualquer retorno sobre nosso desempenho. 
 
Mas se você acha que receber um feedback é difícil, tenha certeza que dá-lo não é tarefa fácil. O líder precisa cobrar resultados, mas também deve saber qual é o melhor momento para isso. Muitos profissionais com funções de comando, com o tempo e a experiência, sabem fazer esse exercício do retorno, mas a maioria ao dar o feedback erra na hora, no lugar e no tom usado para fazê-lo. Se for um retorno positivo, ele pode ser apresentado na frente de todos da empresa, mas desde que seja com moderação, já que pode gerar ciúmes entre os colaboradores. Já o negativo deve ser feito pessoalmente e de forma reservada. Apesar da necessidade de uma certa firmeza em alguns casos, na maioria das vezes o feedback pode ser dado em uma conversa amena, tranquila, sem parecer que seja uma reprimenda, mas sim um bate-papo e uma troca de ideias. Também é importante perceber o estado emocional do próximo, atentar para uma possível situação pessoal que pode afetá-lo; conhecer a rotina trabalho dessa pessoa, pois dar um feedback quando ela está no momento mais atarefado do seu expediente, definitivamente, não é a hora certa.
 
Também não é necessário esperar pelo feedback, mas pedir o retorno sobre as nossas atividades com frequência contribui para que não sejamos surpreendidos no momento da conversa. Trata-se de uma postura proativa que será bem recebida pelo superior, pois demonstra preocupação e engajamento com os objetivos da empresa.
 
Aí vai uma dica: muita atenção com o seu controle emocional. Se a reação de quem recebe ou faz o retorno das ações é agressiva, o segredo é respirar e não se exaltar, pois, neste momento, a única pessoa que pode ser controlada é você mesma. Muitos não gostam de receber crítica, já outros não a fazem da melhor forma. De qualquer maneira, o foco deve ser o outro e interpretar cada atitude e reação como elemento fundamental para o sucesso do feedback.
 
Pode ser difícil em um primeiro momento, mas o feedback deve ser encarado como um presente, onde pessoas, geralmente mais experientes e com maior conhecimento sobre uma determinada área, destacam práticas que podem ser melhoradas. E sendo todo retorno um presente, se você demorar a receber um, cobre. Afinal, mesmo nos feedbacks mais agressivos, é possível retirar e aproveitar elementos positivos.
 
* Karina Duarte é especialista em gestão organizacional e desenvolvimento humano com atuação executiva em áreas de Gestão de Pessoas e Desenvolvimento Humano e Organizacional
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Karina Duarte

*

Postagens Relacionadas
Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]

Bruno D´Abadia
12.02.2026
Gestão de dados fortalece operadoras de saúde

O setor de saúde suplementar vive uma transição decisiva. Transparência, integridade da informação e precisão técnica deixaram de ser apenas exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a sustentabilidade e a credibilidade das operadoras. Em um ambiente cada vez mais monitorado, dados corretos não são apenas números enviados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). […]

Ralph Rangel
12.02.2026
O Homo Instagramabilis: O crepúsculo da inteligência

Houve um tempo em que o ser humano era definido pela sua capacidade de busca: a busca pelo abrigo, pelo fogo, pela forma de armazenar o alimento, pela verdade, pelo conhecimento profundo, enfim, éramos buscadores. Hoje, essa trajetória evolutiva parece ter sofrido um curto-circuito. Estamos testemunhando a ascensão de um novo tipo de pária social: […]

Luciana Brites
11.02.2026
Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital?

O aumento do uso de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Por este motivo, temos notado que muitas crianças estão perdendo habilidades motoras. As atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular. A coordenação motora global […]

Mardonio Pereira da Silva
10.02.2026
Quando o ódio invade a sala de aula: violência, feminicídio e a negação do Direito em um Estado Democrático

A morte brutal da Professora de Direito e policial civil, Juliana Santiago, assassinada dentro da sala de aula por um aluno do 5º período, não é apenas um crime hediondo: é um ataque frontal ao Estado Democrático de Direito. A barbárie ocorrida no ambiente universitário rompe todas as fronteiras do aceitável e impõe uma reflexão […]