Gabriela Louredo
Goiânia
– Convidadas para participar de uma mesa-redonda para falar sobre "O protagonismo feminino nas carreiras jurídicas"
durante programação do Encontro Regional Centro-Oeste da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ), as ministras do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Assusete Magalhães e Laurita Vaz estiveram em Goiânia na última sexta-feira (29). O segundo dia do encontro aconteceu no Meu Escritório, da Caixa de Assistência dos Advogados (Casag), na Avenida Goiás, no Centro. Leia mais.
Durante o evento, discutiu-se principalmente o preconceito que as mulheres deste meio enfrentam para ocupar posições de destaque. "Penso que esse evento é relevantíssimo porque representa um momento de reflexão sobre a situação da mulher não só no Brasil como em todo o mundo no que diz respeito ao enfrentamento de desafios com os quais a sociedade se depara com vistas à inserção da mulher no mercado de trabalho e de um modo muito especial quanto à isonomia de gênero", avalia Assusete.
Assusete destacou que, apesar de avanços legais garantirem a isonomia de gênero, na prática, mulheres recebem salários inferiores aos homens, mesmo desempenhando as mesmas funções e a violência contra a mulher cresce a cada dia. O índice de feminicídios no Brasil é o quinto no ranking mundial.

(Ministra do STJ, Assusete Magalhães. Foto: Letícia Coqueiro/ A Redação)
"Todos sabemos que é uma realidade que as lei que consagram a equidade de gênero proíbem diferenças de salário, de critérios de admissão. Elas, na verdade, não mudaram a vida no particular. A Lei Maria da Penha infelizmente também não mudou. Os números de violência contra a mulher são alarmantes. Então, é preciso que tenhamos eventos dessa natureza para que não só mulheres, homens também percebam a necessidade de ação em torno de mudança desse condicionamento cultural.", afirma Assusete.
Pioneira na presidência do STJ
Primeira mulher a presidir o STJ, em 2016, a goiana Laurita Vaz afirmou que as mulheres precisam se inspirar em bons exemplos e acreditar em seu potencial. "Eu acho que o exemplo de ver outras mulheres alcançando o sucesso é importante. O exemplo inspira. A consquita de muitas mulheres serve de incentivo para outras tantas mulheres para também subirem, vencerem na atividade profissional. Quando elas veem que alguém chegou lá, pensam: 'eu também vou conseguir'", diz.
E completou: "Eu diria que nós, mulheres da carreira jurídica, a exemplo também dos homens, podemos fazer muito, fazer bem o nosso trabalho, com honestidade, dedicação e respeito àquelas pessoas que dependem do nosso trabalho e também nós somos muito importantes para haver harmonia em todos os lugares. Isso é um ciclo vitorioso. Precisamos ser pessoas mais simples, cumprimentando o porteiro do prédio. Esse trabalho reflete numa sociedade equilibrada, harmoniosa e feliz".