Roberta Rodrigues
Goiânia – Implantado há uma semana em Goiânia com o propósito de auxiliar na micromobilidade, o modelo de patinetes compartilhadas foi uma alternativa bem aceita pela população goianiense, mas apenas como uma opção de lazer. É o que afirmam os comerciantes, moradores e estudantes da região do Parque Vaca Brava, no Setor Bueno.
Ricardo Carvalho trabalha em um estúdio de Yoga que funciona na região do parque e acompanha de perto a aceitação da novidade. Em entrevista ao jornal A Redação, ele explicou que o equipamento de transporte “já é febre, principalmente entre os jovens, mas é usado como uma opção para o lazer e não como uma solução para mobilidade”.
Em Goiânia, o primeiro minuto de uso da patinete compartilhada custa R$ 3, e depois mais R$ 0,50 para cada minuto seguinte. "Pode ser interessante para trechos mais curtos, mas tem que ser um uso esporádico para valer a pena", avaliou Ricardo ao detalher que apesar de considerar uma alternativa inviável para mobilidade por conta do valor, acredita que o serviço possa “baratear”. “Está começando agora e nada pega de uma hora para outra”, pontua.
A reportagem do
jornal A Redação foi para as ruas do Setor Bueno, um dos bairros atendidos pelo serviço, para conferir como as patinetes estão sendo usadas e com que frequência. Vinte pessoas foram ouvidas e todas apontaram o valor do serviço como principal fator de impedimento para que as patinetes se tornem efetivamente uma opção viável de mobilidade. Também foram citadas as condições inadequadas das calçadas e ciclovias, além da segurança dos usuários.
Entre as pessoas ouvidas está Gabriel Cândido, estuande do curso de Letras. Morador do Setor Bueno, ele avalia positivamente a ideia, mas destaca a necessidade de algumas adequações; veja o vídeo:
Algumas pessoas apontaram, inclusive, outros fatores de risco no uso das patinetes, até mesmo para lazer. Elcione Rosa de Souza é vendedor de água de coco no Parque Vaca Brava e diz que a novidade tem dividido opiniões. Ele explicou que algumas pessoas, principalmente idosas, reclamam dos riscos das patinetes nas calçadas.
“Pessoal gosta de novidade e as patinetes são uma boa opção para diversão. No final de semana o parque lotou, tinha muita gente usando [as patinetes], mas o pessoal estava reclamando sobre alguns pontos. Como não tem barulho, as pessoas nem percebem a aproximação, é muito complicado. Os adolescentes correm muito. Abusam da velocidade," comentou Elcione Rosa.
Para garantir a segurança dos usuários, a startup Grin, responsável pela implantação do modelo na capital, recomenda o uso de capacete, permanência nas ciclovias e ciclofaixas, apenas uma pessoa por vez no veículo, que as duas mãos estejam sempre no guidão e os dois pés na prancha. Segundo a startup, os equipamentos possuem limite de velocidade e respeitam as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
(Foto: Letícia Coqueiro)
De acordo com o gerente de Relações Públicas da Grin, Marcel Bely, a alternativa é recente e a empresa ainda está entendendo a demanda da capital. “Os números de Goiânia se mostram satisfatórios para a empresa e pretendemos aumentar a atuação.”
A empresa ressalta que "está em constante estudo para adequar seus equipamentos e preços às necessidades de cada cidade." Para isso, segundo Marcel Bely, a empresa procura “entender a operação e o uso por parte da população em Goiânia, estudando as rotas que já estão sendo feitas para aumentar com responsabilidade o serviço oferecido pela Grin."
Implantação do serviço em Goiânia
As patinetes elétricas estão ativas nos setores Bueno e Marista desde o dia 22 de março. O serviço passou a englobar o setor Oeste nesta sexta-feira (29/3) e, conforme está previsto, estará também nos setores Sul e Alto da Glória dentro de 20 dias. O desbloqueio do equipamento é feito por meio do aplicativo da Grin e o primeiro passeio é gratuito.