Roberta Rodrigues
Goiânia –
Depois de 3 anos e meio aprisionada em campos de concentração na Coreia do Norte em razão de seu fé cristã, a norte-coreana Hea Woo, hoje com 74 anos, define o país como "uma cortina de ferro". Hea Woo se libertou da perseguição há oito anos e vive atualmente com seus 3 filhos refugiados em outro país. "Estou livre para ir onde eu quero, para fazer o que eu quero e para adorar Jesus em campo aberto. Eu aprendi o que é liberdade quando estava no campo de trabalho”, detalhou.Hea Woo esteve em Goiânia nesta sexta-feira (29), onde, a convite da Igreja Cristã Evangélica Central, detalhou a experiência de ter sido perseguida pela ditadura de Kim Jong-II.
Perseguição
Hea Woo se converteu e resolveu se dedicar à evangelização de outras pessoas. Após alguns anos na China, seus três filhos também foram viver no país. A ideia de Hea Woo era seguir viagem com as crianças para a Coreia do Sul, mas acabou denunciada e presa na China antes de conseguir concluir o plano. Deportada para Coreia do Norte, Hea Woo foi levada para prisão. Depois de dez meses presa, ela foi condenada a alguns anos em campos de trabalho forçado, por causa de sua fé cristã.
"Os guardas me batiam com paus e me chutavam. Eu estava tão desanimada que comecei a duvidar de Deus. Então ouvi uma voz alta. Eu sabia que vinha de Deus. Durante os anos que passei na prisão e no campo de trabalho, ouvi a voz algumas vezes. Cada vez foi Deus me encorajando”, disse ela em entrevista ao jornal A Redação.
Depois de algum tempo vivendo em um campo de trabalho forçado, Hea Woo ficou muito doente. “Eu tive várias doenças. Minhas costas e minha garganta doíam, eu não conseguia comer ou manter nenhum alimento no estômago. Eu não me aguentava em pé. Os guardas me levaram para um hospital. O médico disse que eu tinha apenas três dias de vida. Eu orei a Deus. Implorei a Ele que não me deixasse morrer antes que eu tivesse a chance de contar ao mundo sobre a situação da Coreia do Norte e sobre Jesus Cristo. Um milagre aconteceu. Lentamente eu me recuperei. Certamente foi Deus quem me manteve viva”.
Tempos difícieis
"Os guardas espalhavam as cinzas dos corpos [dos prisioneiros mortos] pelas estradas. Eu andava todos os dias e sempre pensava: um dia os outros prisioneiros passarão por cima de mim", lembra. Segundo He Woo, o adubo das plantações onde os prisioneiros eram obrigados a trabalhar eram de fezes humanas e restos mortais dos companheiros de prisão.
"Todo serviço de preparar e condicionar o adubo era feito por nós. Tinhamos que levar todo o material em barris gigantes para um morro alto. Era muito pesado e, se caísse, rolava morro abaixo. Deus sempre esteve comigo e por isso nunca sofri acidentes graves", explicou a norte-coreana ao AR.
Apesar de tudo, Hea Woo permaneceu fiel a Deus e, segundo ela, isso a ajudou a sobreviver. A norte-coreana evangelizava outros prisioneiros. "Eu queria viver. Deus persistiu. Ele me mostrou quais prisioneiros eu deveria abordar". "Nos reuníamos em lugares secretos, como o banheiro, por exemplo. Lá, tínhamos uma breve reunião de adoração. Eu lhes ensinei hinos e cantamos suavemente”, diz ela.