Jalles Naves
Goiânia – Uma vida rica em experiências e viagens internacionais, 36 no total, todas a convite de Governos e empresas, que resultaram em histórias fantásticas que as pessoas chegavam a duvidar da veracidade delas, levou o jornalista José Osório Naves a escrever seu primeiro livro aos 80 anos de idade, e a saborear o sucesso também dessa iniciativa.
Grande contador de causos, sempre ricos em detalhes e em criatividade, com uma memória privilegiada, também foi motivado pelos familiares que, encantados com suas prosas, passaram a cobrar dele colocar no papel suas lembranças desse período.
No final, surgiu o livro “Autobiografia em crônicas – O que vi e vivi ao longo de uma vida”, publicado pela Editora Naves e que teve um primeiro lançamento em Gramado, RS, durante o 30º Festival de Turismo, em novembro de 2018, e a receptividade que gerou, quando mais de 200 exemplares foram adquiridos e as pessoas o procuravam depois para dizer que tinham lido e comentavam história, o levou a mais dois momentos especiais de autógrafos: ao completar oito décadas, no dia 5 de fevereiro deste ano, em sua residência, na Asa Sul, em Brasília, DF, igualmente despertando grande interesse e idênticos comentários; e agora em Goiânia, ao ser homenageado depois de mais de 40 anos residindo na Capital Federal e num feito histórico em Goiás: pela primeira vez sete entidades da área da cultura se uniram para reconhecer o seu papel e o seu trabalho, pela cultura e pelo turismo, ao completar 60 anos de dedicação ao Jornalismo.
Foi responsável por amplo trabalho de mobilização e de sindicalização, num momento em que a profissão era pouco valorizada, seus integrantes com salários irrisórios e as condições de trabalho não eram as ideais. Nessa época, de restrições à liberdade de imprensa, lutou para que os profissionais pudessem expressar sua opinião, defendeu-os quando de prisões arbitrárias, batalhou para que fossem reconhecidos e tivessem dignidade em suas atividades, resultando em ganhos positivos, em termos de remuneração e de efetivas condições de trabalho.
Lutou pela valorização da profissão, liderando a campanha pela criação do primeiro Curso de Jornalismo no Centro-Oeste e um dos primeiros no Brasil, o da Universidade Federal de Goiás em 1966 e implantado em 1968; e construiu o condomínio Casa do Jornalista, no Setor Coimbra, que deu moradia própria aos profissionais, pois a maioria, na época, não tinha condições de adquiri-la. Esse trabalho, feito de forma correta, com muita seriedade e responsabilidade, resultou num apartamento extra e na sua venda para aquisição da sede própria da entidade, que até então funcionava no mesmo espaço da Associação Goiana de Imprensa (AGI).
O governador Ronaldo Caiado foi representado pelo presidente da Agência Brasil Central, jornalista Vassil Oliveira, e o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, envolvido com mutirão, enviou a diretora de Políticas e Eventos Culturais da Secretaria Municipal de Cultura, Marcilene Dornelas da Cruz.
Os trabalhos foram dirigidos pelo presidente da Associação, Valterli Leite Guedes, justificando a homenagem como um ato de justiça, ao resgatar o trabalho e a trajetória de um dos goianos que mais se destacaram em sua área, o jornalista José Osório Naves, que desde 1975 se fixou em Brasília, onde atualmente é diretor executivo da Confederação Nacional do Turismo (CNTur). “Com uma atuação revolucionária, ele foi pioneiro, deu cara ao Sindicato e inovou em suas ações”, disse, para lembrar do começo de suas atividades, no “Diário do Oeste”, assumindo a liderança da categoria e conseguindo dar uma nova dinâmica na entidade que estava nascendo para defender os profissionais.
Falou de sua passagem pela então Agência Goiana de Notícias (AGN), do CERNE, e nesse período a ação sindical, que muito exigia, num momento de muita tensão e repressão, quando o Sindicato se firmou na atuação pelos jornalistas. Esse trabalho pelos profissionais o aproximou de seus colegas, que o chamaram para ser padrinho de batismo de seus filhos: Iuri, de Stela e Javier Godinho; e Humberto, de Marta e Armando Acioli.
Disse ainda que, entusiasmado com a receptividade de sua obra, já está escrevendo seu segundo livro, que vai tratar especificamente de uma área a que se dedicou, paralelo ao Jornalismo: o turismo. Vai mostrar que, em 60 anos, nada mudou no país, pois nesse período não conseguiu superar a faixa de seis milhões de turistas atraídos anualmente, quando essa indústria é a que mais cresce no mundo. “O Brasil é o quinto destino turístico nas Américas; o Uruguai, praticamente do tamanho do Rio Grande do Sul, recebeu, em 2017, quatro milhões de visitantes; e a França, em 2013, acolheu 84,7 milhões de turistas.
Presenças
Três jornalistas representaram uma de suas principais iniciativas, o Curso de Jornalismo da UFG: Luiz Otávio Soares, da primeira turma e que também presidiu o Sindicato; Jales Naves, da segunda turma e que presidiu a AGI em dois mandatos; e Nériton Ribeiro, da terceira turma. Escritores Getúlio Targino, Adalberto de Queiroz, Antônio Caldas e Ademir Hamu; o presidente da Seção de Goiás da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Luciano Carneiro; os jornalistas Arthur Rezende Filho, Wanderley de Faria, dentre muitos outros.