É impressionante a quantidade de startups que se engajaram e uniram esforços para ajudar as vítimas da tragédia em Brumadinho (MG), onde o rompimento de uma barragem causou a morte de mais de cento e cinquenta pessoas.
O iFood, por exemplo, criou uma campanha que, para cada pedido feito pela plataforma, a empresa doava um prato de comida aos afetados pelo desastre. Outras fizeram arrecadações em dinheiro, como a PicPay, que em parceria com a Cruz Vermelha Brasileira (CVB) juntou 167 mil reais em menos de um dia, superando o valor necessário para a ação dos voluntários no local.
Além disso, muitas outras empresas desse segmento contribuíram com soluções tecnológicas para gerenciamento de projetos, fornecimento de drones para monitoramento e análise de dados, ou até mesmo mapeamento por satélite, o que facilitou nas buscas por sobreviventes.
A participação dessas empresas neste momento de crise tem estreita relação com o fato de que, em sua maioria, envolvem o mundo da tecnologia. Esse ambiente permite que as soluções propostas sejam rapidamente difundidas sem que isso implique em aumento de custos para o empreendedor.
Uma das características predominantes nesse segmento é o seu caráter inovador e disruptivo, o que coloca esses empreendimentos, quase sempre, na vanguarda das mais recentes revoluções no mercado.
Não raras vezes, esses empreendimentos surgem em ambientes de circunvenção, ou seja, em nichos do mercado que sequer foram regulamentados pelo Estado, o que demanda cautela num ambiente tão instável e ambíguo.
Todos esses apontamentos nos levam a refletir sobre a relevância desse modelo de negócio recém-popularizado em nosso país, que tem se difundido com velocidade e instigado os ânimos dos agentes sociais.
Empresas tradicionais se reinventam para acompanhar o ritmo desses novos empreendimentos. Governos tentam encontrar formas de regulamentar esse mercado e aumentar a arrecadação, assim como os advogados estudam as melhores formas de proteger e assessorar juridicamente esse tipo de negócio.
O episódio de Brumadinho, infelizmente, deixou marcas profundas na sociedade e, em especial, nas vítimas. Entretanto, serviu-nos para indicar como as startups, por sua própria natureza, estão inclinadas a solucionar os mais diversos problemas, ainda que em cenários de crise.
Uma coisa é certa: o startup style está ganhando espaço e provocando profundas transformações em nossa sociedade. Se considerarmos os episódios recentes em Minas Gerais como exemplo, podemos acreditar que as startups serão protagonistas do futuro promissor que tanto almejamos para o nosso país.
Lucas Mantovani é advogado e superintendente do Instituto de Estudos Avançados em Direito