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Como fazer um festival dar errado

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24.04.2012 - 12:08:51

 

Foi notícia em toda mídia especializada ou não o fiasco do Festival Metal Open Air (MOA), que rolou em São Luís do Maranhão no último final de semana. O destrate da produção ganhou proporções internacionais por conta do cancelamento de dois terços das apresentações anunciadas. As alegações foram muitas: falta de segurança, não pagamento de cachês, extravio de vistos, não emissão das passagens aéreas… Enfim, uma completa desorganização.

Para quem gosta do estilo, a coisa estava farta de nomes respeitadíssimos ( http://metalopenair.com/pt/ ). Gente do porte de Saxon, Anthrax, Venom, Blind Guardian, Glenn Hughes, o Rock n' Roll Stars capitaneado pelo Gene Simmons do Kiss, Megadeth, Anvil… Para dar uma ideia do tamanho da ré, desses todos que citei, só as duas últimas bandas se apresentaram no evento. Depois de consolidado o fiasco, um monte de gente está culpando o povo nordestino pela zona. Ou então a não realização do festival em uma cidade que tradicionalmente não recebe megaeventos. Bobagem. O mais legal do MOA era justamente levar atrações reconhecidas e que usualmente não passariam pela capital do Maranhão. Se tudo desse certo, seria histórico. Como foi uma vergonha, também entra para a história.

Não sei se você sabe, caro leitor, mas trabalhei com produção cultural por alguns anos e peguei alguma experiência nesse ramo. Para fazer um festival dar errado, basta seguir os passos abaixo e, como resultado, você terá um belo prejuízo. Pode ser em São Luís do Maranhão, São Paulo, Nova Iorque ou Goiânia – e já tivemos alguns fiascos não tão grandes, mas tão feios quanto o do último final de semana em nossa cidade. Vamos aos passos:

1- Seja megalomaníaco – coloque em um único evento todas as atrações que sempre sonhou ver, não dimensionando a expectativa do público e o interesse da iniciativa privada em incentivar o segmento que você deseja trabalhar;

2- Não se importe com o local que vai sediar o evento – tudo é festa! Pode ser no parque de exposição agropecuária de sua cidade, na casa de alguém ou até mesmo onde tradicionalmente o público que você pretende atingir não frequenta. Como eu disse, tudo é festa;

3- Conte com a grana de patrocínios públicos para pagar os cachês – nada mais certo para um evento do que a “garantia” de patrocínio direto do poder público. Em especial, para o pagamento dos cachês;

4- Não emita as passagens com um mês de antecedência – às vezes pinta uma promoção maluca de última hora e você consegue os trechos quase de graça;

5- Não se preocupe com o bem estar do público – a galera só quer diversão e cachaça mesmo. Ninguém está aí para banheiro limpo, cerveja gelada, boas opções de alimentação, lugar para sentar… E se algo der errado, não devolva o dinheiro dos ingressos. Só os otários fazem isso.

Pronto! Basta seguir o que está acima e você terá seu próprio MOA. Boa sorte!

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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