Gabriela Louredo
Goiânia
– Um grupo de mulheres organiza um ato em apoio às vítimas de assédio moral e assédio sexual supostamente praticados pelo médico Ricardo Paes Sandre, ex-diretor do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. A manifestação está marcada para a próxima sexta-feira (25), a partir das 8 horas, em frente à sede do Fórum Cível de Goiânia, no Setor Oeste.
Às 8 horas, será feita a concentração para a confecção de cartazes e, para às 9 horas, está previsto o ato de solidariedade 'Mexeu com uma, Mexeu com todas'. O grupo criou uma página no Facebook intitulada 'Ato em apoio às vítimas de assédios moral e sexual no TJ Goiás' para se mobilizar. Mais de 50 pessoas já confirmaram presença até o momento, mas são esperadas cerca de 200 pessoas na manifestação. Elas se vestirão de preto, em protesto às denúncias apresentadas contra o médico.
O ato é apoiado pelas entidades: Blog Educar Sem Violência, Centro Popular da Mulher – UBM Goiás, Central dos Trabalhadores e trabalhadoras do Brasil (CTB Goiás) e pela deputada estadual Adriana Accorsi.
Vítimas assustadas
Psicóloga e ativista dos Direitos Humanos, Cida Alves acompanha o caso e diz que tem mantido contato com as vítimas, que estão, segundo ela, muito assustadas. Algumas já apresentam sintomas psicossomáticos, como problemas na pele, após as denúncias e exposição do caso.
" Foi um ato de coragem muito grande. Denunciar assédio no trabalho é complicado porque tem retaliações", afirma. Apesar de confiar nas investigações em curso pelo Ministério Público, Cida demonstra certo receio por se tratar de uma figura influente. Ricardo é genro presidente do TJ-GO, desembargador Gilberto Marques Filho, irmão de um juiz e de um delegado da Polícia Federal, conforme ela mesmo lembra.
"É uma figura de ligação direta com representantes da justiça goiana. Sabemos que o machismo é muito forte nesta área", analisa.
Investigação
O Ministério Público Estadual ouviu o depoimento de 85 pessoas e instaurou um Inquérito Civil Público para apurar o caso. “Ele falava: ‘você está precisando é dar. Você tem que dar. Resolve todos os problemas. Tem muito tempo que você fez? Não vai ficar com teia de aranha aí’”, disse, em depoimento, uma das mulheres.
As investigações tiveram início em maio de 2017. Ricardo Paes Sandre é concursado e ocupava a direção do Centro de Saúde do órgão. Ele deixou o cargo, mas continua exercendo a medicina. As vítimas são servidores do TJ-GO.