A Redação
Goiânia – O governador Ronaldo Caiado (DEM) esteve, na noite de terça-feira (1º/1), nos hospitais Materno Infantil (HMI) e de Urgências de Goiânia (Hugo). A visita ocorreu por volta das 22h, após assumir o cargo de governador e também de prestigiar a posse o presidente Jair Bolsonaro (PSL).
Acompanhado do vice-governador Lincoln Tejota (Pros), do secretário de Saúde, Ismael Alexandrino, e do deputado federal eleito Dr. Zacharias Calil (DEM), Caiado foi conferir a situação de duas das mais importantes unidades de Saúde do Estado. Na última semana, a organização social que administra o Materno Infantil chegou a fechar as portas da unidade por falta de insumos básicos e medicamentos, após atrasos nos repasses por parte da última gestão.
“A situação é preocupante. Viemos porque o colega Zacharias Calil me informou que o diretor do Materno Infantil o comunicou que não havia mais como suportar o hospital aberto a partir de amanhã pela falta do básico. O único de referência na área em Goiás, já com incapacidade de absorver novos pacientes, cirurgias canceladas e filas enormes. É um quadro caótico, assistimos vidas de crianças que estão correndo alto risco”, revelou Caiado.
Caiado foi recebido pelo diretor-geral do HMI, Márcio Gramosa, e por profissionais que trabalhavam no local. O responsável pela unidade classificou a situação como “caótica”, destacando que há médicos com mais de três meses de salário atrasado, dívida imediata de R$ 2 milhões com fornecedores de insumos e o rombo ultrapassa os R$ 65 milhões.
“Dezenas de crianças que dependem de tratamento especial estão sendo colocadas em risco. O momento é de buscar entendimento e de pedir um crédito junto aos colegas e mostrar que temos interesse em resolver, mas não é aceitável fechar as portas. Sei das dificuldades, vamos encará-las e temos que achar uma solução. Não posso admitir que um hospital como esse tenha uma resposta simplista. Isso aqui é prioridade acima de qualquer gasto”, garantiu o governador.
Para resolver o impasse, Caiado e Ismael Alexandrino marcaram uma reunião para esta quarta-feira (2), quando discutirão com a OS e fornecedores alternativas para que o atendimento não seja paralisado.
“Vamos buscar um entendimento um pouco melhor do que o Estado consegue garantir em relação aos compromissos emergenciais. Há uma dívida grande, que impacta tanto o suprimento do hospital, quanto também o pagamento dos funcionários, então há dois grandes problemas. Buscaremos uma solução conjunta, uma construção em várias mãos, que certamente chegaremos a uma solução”, adiantou o secretário.
De acordo com a Secretaria da Saúde, o HMI é referência no atendimento infantil e conta com 167 leitos, sendo 25 de UTI (cinco UTIs maternas, dez pediátricas e dez neonatais); 22 leitos de Ucin (Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal), sendo 17 UCcin Convencional e 5 de Ucin Canguru; 122 distribuídos em leitos de internação e observação; e ainda com 30 leitos de retaguarda no Hospital e Maternidade Vila Nova.
Hugo
Em seguida, a comitiva seguiu para o Hospital de Urgências de Goiânia, onde Caiado foi recebido pelo diretor-geral Ricardo Furtado Mendonça, que traçou um breve panorama sobre as demandas e desafios enfrentados pela unidade. A principal problemática apresentada é a falta de regionalização da Saúde. Ele explicou que pacientes não conseguem atendimento nas regionais e o fluxo acaba todo direcionado para a unidade.
“Vamos buscar mais números e avaliação para termos noção do que teremos que enfrentar, mas sabemos que a demanda pela saúde atinge 47% da população do Estado, é o ponto mais crítico. Precisamos que o Hugo tenha uma capacidade de fazer giro maior, mais atendimentos e números de cirurgias maiores nesse hospital de alto custo”, defendeu o governador.
O diretor-geral revelou ainda que o recurso para pagamento do salário referente ao mês de dezembro dos profissionais do hospital ainda não foi depositado na conta da OS. Inclusive, houve reclamações de que pagamento quase nunca caia no quinto dia útil do mês como determina a legislação.
“Espero poder contar cada vez mais com a participação dos colegas médicos, de todos os servidores, pois estamos trabalhando duro junto ao governo federal para poder desafogar essa demanda reprimida na Saúde. Tenho fé que vamos superar as dificuldades”, arrematou.