Goiânia – O médium João de Deus chegou no fim da tarde deste domingo (16/12) à Delegacia Estadual de Investigação Criminal (DEIC) em Goiânia, onde prestará depoimento sobre as denúncias de abuso sexual. O líder espiritual teve o mandado de prisão decretado no fim da manhã de sexta (14) e se entregou às autoridades nesta tarde.
O delegado André Fernandes afirmou que João de Deus será encaminhado ao Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia após o interrogatório. Antes, o médium passará pelo Instituto Médico Legal para realizar exame de corpo delito.
Em virtude da idade e dos crimes pelos quais é acusado, a expectativa é que o médium seja lotado em uma cela individual, isolada dos demais presos.
De acordo com o criminalista Ronivan de Moraes, que acompanhou João de Deus na apresentação às autoridades, o médium se entregou em uma estrada rural nos arredores de Abadiânia, a 90 quilômetros de Goiânia, para ‘preservar a segurança e integridade’ de João de Deus e dos policiais. Segundo ele, a defesa agora vai avaliar as acusações feitas contra o médium.
“A gente não tem informação da consistência dessas informações, mas posso garantir que conheço a Casa [Centro Dom Inácio Loyola, local eram realizados as sessões espirituais e supostos abusos] e o tratamento. São atendimentos públicos em salas reservadas, mas com portas transparentes”, afirmou Moraes.
O criminalista disse que o Ministério Público está fazendo um ‘pré-julgamento’ contra João de Deus ao comentar a movimentação de R$ 35 milhões nas contas e aplicações em nome do médium logo após as primeiras denúncias. “Qual o problema de alguém movimentar a sua conta? Existe um bloqueio de bens contra ele?”, questionou.
O criminalista Alberto Toron, que representa o médium João de Deus, negou movimentações financeiras suspeitas e negou que o líder espiritual planejava deixar o País. “O dinheiro não foi sacado, o senhor João de Deus apenas baixou as aplicações. Não houve movimentação. Ele não sacou o dinheiro do banco e não estava fora do Estado”, afirmou.
Desde a revelação do caso, quando as primeiras acusações foram reveladas pelo Jornal Nacional e pelo Conversa com Bial, ambos da TV Globo, a promotoria de Abadiânia, em Goiás, recebeu mais de 330 denúncias de abuso sexual contra João de Deus.
As acusações vieram dos Estados de Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Pará, Santa Catarina, Piauí e Maranhão, e pelo menos seis países – Alemanha, Austrália, Bélgica, Bolívia, Estados Unidos e Suíça.
O crime teria ocorrido durante sessões espirituais no Centro Dom Inácio Loyola, em Abadiânia, cidade a 112 quilômetros de Brasília. O espaço atende cerca de 10 mil pessoas todo mês – 40% delas eram estrangeiras. Segundo a Promotoria, João de Deus oferecia “atendimentos particulares” a mulheres após os tratamentos, momento em que os abusos seriam cometidos. (Agência Estado)