Catherine Moraes
Policiais federais de todo o Brasil realizam, nesta quinta-feira (19/4), uma operação-padrão nos aeroportos do país em protesto contra as terceirizações em funções exclusivas da Polícia Federal (PF). O objetivo é alertar a população sobre a situação enfrentada de modo que o atendimento não seja ainda mais prejudicado. Em Goiânia, a organização é do Sindicato dos Policiais Federais em Goiás (Sinpefgo) e a manifestação acontece desde o início da manhã no Aeroporto Santa Genoveva.
De acordo com Marcos Wink, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), o terceirizado deveria ser usado para as atividades meio, nunca para as atividades fim. “Estão tentando terceirizar as pessoas para exercerem uma atividade de policial, como autorizar a entrada de estrangeiros no país", indigna-se.
Segundo o presidente do Sinpefgo, Adair Ferreira dos Santos, atualmente apenas um policial federal trabalha no Santa Genoveva. “Precisamos de, pelo menos, quatro policiais federais, um delegado e um escrivão trabalhando no aeroporto. Hoje ninguém verifica documentação ou bagagem e qualquer pessoa entra e sai praticamente sem ser notada”, completa.
Na capital, cerca de 3 mil panfletos serão distribuídos ao longo desta quinta-feira por usuários que passarem pelo aeroporto. Para isso, 10 policiais foram disponibilizados e o trabalho acontece até o meio-dia, com intervalopara o almoço, e retorna às 14 horas, seguindo até 18 horas.
Reajuste salarial
Para o presidente da Fenapef, Marcos Wink , além da falta de condições para trabalhar, os policiais também são atingidos pela falta de reajuste salarial. “De 2002 para cá, a Polícia Federal teve o menor índice de reajuste salarial. Teve 78% [de reajuste] ao passo que outras instituições tiveram 400% [de aumento]. Somos o grupo que tem o menor salário dentro do executivo." Atualmente, o salário inicial de um agente é aproximadamente R$7,5 mil.
Greve não está descartada
No próximo dia 24 de abril, a Fenapef fará uma assembleia geral para decidir quais serão os próximos passos do movimento. Segundo Wink, a categoria pode decidir, ainda, se começará uma greve. “Vamos nos reunir e ver o que vamos fazer. Uma greve não está descartada", finalizou. (Com informações da Agência Brasil)